sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

OS CÁTAROS



OS CÁTAROS
TRABALHO E PESQUISA
 DE CARLOS LEITE RIBEIRO

1ª PARTE

Membros de uma seita religiosa de origem cristã que acreditam que o mundo visível e tudo que ele encerra são obra do diabo, ser supremo maléfico, rival de um Deus, ser Supremo e bondoso.
Na realidade, esta divisão entre os dois princípios, primeiro, pode ser moderada ou absoluta. Uns acreditam no Deus único, bom e eterno que permitiu que Satanás organizasse o mundo; os outros acreditam em dois princípios absolutos e rivais, igualmente criadores e eternos, perpetuamente em luta um contra o outro.
Como principal texto doutrinário utilizavam o Evangelho de São João e o chamado “Evangelho do Amor”, texto não reconhecido pela Igreja Cristã. Realizavam obras sociais concretas, ajudando os necessitados de diversas maneiras, pois acreditavam que a fé só seria uma experiência válida se exercida na prática. Investiam, por exemplo, em campanhas de promoção à saúde e educação, sempre gratuitas. Neste ponto percebemos que a preocupação com a filantropia, tão em voga atualmente, já existia nesta época. Seria uma forma de busca da perfeição com ser humano, ou de aproximação com o divino.
O catarismo, ao que se julga, nasceu em Constantinopla e teria sido trazido para a Europa Ocidental na sequência da segunda cruzada. Uma assembleia de cátaros albinenses e italianos reúne-se no castelo de Saint-Félix de Caraman, próximo de Toulouse, por volta de 1176. Estão aí representadas seis Igrejas, a do Norte Loire, de Albi, de Toulouse, de Carcassone, de Agen e da Lombardia. Nomeiam-se os bispos e fixam-se os limites das dioceses. No Languedoc, os cátaros viverão relativamente em paz entre si, ao passo que se produzem divisões em Itália.
O catarismo, que encontrou no Languedoc (França), no século Xl, uma terra de eleição, pretendia ser um retorno à pureza dos primeiros tempos do cristianismo. Surgiu no Limousin, no fim do século Xl e estendeu-se pela região francesa do Midi: Toulouse, Carcassonne, Narbonne, Foix e Béziers, foram os seus principais centros.
Esta doutina baseia-se num dualismo que afirma a existência de dois princípios fundamentais antagónicos, o do Bem, criador do mundo espiritual, e o do mal, criador do mundo material. O homem, despegando-se da matéria, escapa ao domínio de Satan, o deus do Mal, e une-se ao bom Deus. A vida dos cátaros, austera e impregnada de caridade evangélica, valeu-lhe numerosos adeptos, mas a Igreja dominante viu no catarismo um perigo para a sua unidade, doutrina e dogmas. A cruzada contra os albigenses, entre 1209 e 1229, pregada pelo papa Inocêncio 3º e levada a cabo por Simon de Montfort, em benefício dos Capetos, desorganizou o movimento cátaro, protegido pelos senhores feudais do Sul. A cristandade nada lucrou com a repressão exercida contra os heréticos e o património cultural francês, com efeito, viu-se empobrecido
O catarismo, do grego katharos, que significa puro, foi uma seita cristã da Idade Média surgida no Limousin (França) ao final do século XI, a qual praticava um sincretismo cristão, gnóstico e maniqueísta, manifestado num extremo ascetismo. Concebia a dualidade entre o espírito e a matéria, assim como, respectivamente, o bem e o mal. Os cátaros foram condenados pelo 4º Concílio Lateranense em 1215 pelo Papa Inocêncio III, e foram aniquilados por uma cruzada e pelas ações da Inquisição, tornada oficial em 1233.
Os cátaros, também chamados de albigenses, rejeitavam os sacramentos católicos. Aqueles que recebiam o batismo de espírito, consolamentum, eram considerados os perfeitos e levavam uma vida de castidade e austeridade e podiam ser tanto homens quanto mulheres. Os crentes apenas eram os homens bons e tinham obrigações menores; recebiam o consolamentum na hora da morte.
Apesar desta hierarquia, os cátaros não restringiam a experiência transcendental, e/ou divina (no caso, também gnóstica) aos mais graduados, mas a qualquer um que assim desejasse e experimentasse estados alterados de consciência.
Essa conceção sem hierarquia da espiritualidade foi considerada pela igreja católica uma ameaça para a fé e a unidade cristã, já que atraiu numerosos adeptos. Assim sendo, o catarismo foi considerado herético e contra ele foi estabelecida a Cruzada albigense (1209-1229). A cruzada teve parte de interesses políticos, já que as localidades onde se praticavam o catarismo (nota: esta seita era conhecida por sua tolerância religiosa ao passo que conviviam, nos mesmos reinados, judeus, pagãos, e até mesmo católicos) encontravam-se ligadas ao reino da França, porém independentes do mesmo.
No início do século XII, a Igreja católica presenciará a difusão da heresia dos cátaros ("Kataroi", puro em grego) ou albigenses (nome derivado da cidade de "Albi", na qual vivia um certo número de heréticos) que se propagará no território do Languedoc, sudoeste da França (da língua occitâna da região - "Língua do Oc"; Oc= "Sim", em oposição à "Langue d'Oui", do norte da França). Também se designava frequentemente esta região por "Occitânia", que advém das mesmas raízes linguísticas.
Antes de tudo, é conveniente ressaltar que o catarismo não pertence exclusivamente ao Languedoc, nem o Languedoc deve ser visto exclusivamente sobre o prisma do catarismo. Aderentes à doutrina cátara recebem diferentes nomes no país em que se inserem: Na Itália, eram conhecidos como "patarinos", na Alemanha como "ketzers"; na Bulgária, como "bogomils". Existiram cátaros na França, na Catalunha, na Itália, na Alemanha e, ao que parece, na Inglaterra.
Os cátaros acreditavam que o homem na sua origem havia sido um ser espiritual e para adquirir consciência e liberdade, precisaria de um corpo material, sendo necessário várias reencarnações para se libertar. Eram dualistas e acreditavam na existência de dois deuses, um do bem (Deus) e outro do mal (Satã), que teria criado o mundo material e mal. Não concebiam a ideia de inferno, pois no fim o deus do bem triunfaria sobre o deus do mal todos seriam salvos. Praticavam a abstinência de certos alimentos como a carne e tudo o que proviesse da procriação. Jejuavam antes do Natal, Páscoa e Pentecostes, não prestavam juramento, base das relações feudais na sociedade medieval, nem matavam qualquer espécie animal.
Os cátaros organizaram uma igreja e seus membros estavam divididos em crentes, perfeitos e bispos. As pessoas se tornavam perfeitos (homens bons) pelo "ritual do consolament" (esta cerimónia consistia na oração do Pai Nosso; reposição da veste, preta no início, depois azul, substituída por um cordão no tempo da perseguição. Tocava-se a cabeça do iniciante com o Evangelho de são João, e o ritual terminava com o beijo da paz). Os crentes podiam abandonar a comunidade quando quisessem, frequentavam a Igreja Católica, eram casados e podiam ter filhos. Dessa forma, eles poderiam levar uma vida agradável, obtendo o perdão e sendo salvos.
Durante o período das perseguições as igrejas cátaras foram destruídas, os ofícios religiosos eram realizados em cavernas, florestas e casas de crentes. A doutrina cátara foi aceita por contrariar alguns dogmas cristãos, principalmente no que se refere a volta à pobreza e ao retorno do cristianismo primitivo.
Devido à propagação da heresia cátara a partir de 1140, a Igreja começa a tomar medidas para combate-la, sendo que no início tentava os heréticos a fé católica por meio da pregação, não adotando trágicas medidas, pois isto não harmonizava com a caridade pregada pelo cristianismo. Vemos aqui um motivo político para investidas contra as comunidades cátaras e sua doutrina. Poderia haver outros motivos para tais investidas?
A maior parte das terras atingidas pela heresia pertencia à província de Narbona, somente a região de Albi ligada à província de Bourges. O Languedoc é anexado a França em 1229 pelo Tratado de Meaux. O êxito da propagação da heresia nos bispados do Languedoc pode ser explicado pela situação política da região, independente do reino da França, as altas autoridades eram os grandes senhores feudais, o conde de Toulouse e o visconde de Béziers, ambos simpatizantes da heresia cátara.
O movimento cátaro foi desencadeado pelas pregações do monge Henrique, embora este não fosse cátaro, muitos fiéis após ouvir suas palavras deixaram de pagar os dízimos e de comparecer as igrejas, seus ensinamentos foram combatidos por Bernardo de Clairvaux (São Bernardo).
Os cátaros a exemplo dos primeiros cristãos levavam vida ascética de alta espiritualidade, vivenciando na prática um cristianismo puro, numa total alta-renúncia a tudo o que era deste mundo, eram conhecidos como verdadeiros discípulos de Cristo, a serviço do mundo e da humanidade, um verdadeiro exemplo de amor ao próximo.
Os cátaros galgavam o caminho da transformação ou da transfiguração.
Paz inverencial.
Nos meados do século XII, iniciou-se na Itália um movimento religioso denominado Cátarismo (Albigenses), a doutrina dos cátaros era nitidamente diferente da Igreja Católica, numa reação à Igreja Católica e suas práticas, como a venda de indulgências, e a soberba vida dos padres e bispos da época.
Eles eram extremamente radicais e dualistas como os maniqueístas, acreditavam que a salvação vinha em seguir o exemplo da vida de Jesus, negavam que o mundo físico imperfeito pudesse ser obra de Deus, acreditavam ser o mundo criação do príncipe das trevas, rejeitavam a versão bíblica da criação do mundo e todo o antigo testamento, acreditavam na reencarnação, não aceitavam a cruz, a confissão e todos os ornamentos religiosos.
Com medo da repressão da Igreja, os Cátaros mantiveram sua fé em segredo, porém em pouco tempo esta seita atraiu muitos seguidores. Cresceram bastante no sul da França e se estenderam a região do Flandres e da Catalunha, funcionaram abertamente com a proteção dos poderosos senhores feudais, capazes de desafiar até mesmo o Papa.
O chamado "Pays Cathare" (País Cátaro) se estendia pela zona chamada Occitania , atual Languedoc, em uma extensão fronteiriça com Toulouse até o oeste, nos Pireneus até o sul, e no Mediterrâneo até o leste. Em definitivo, uma área política que, durante o século XIII, limitava-se com a Coroa de Aragão, França e condados independentes como o de Foix e Toulouse.
O mais curioso nesta cultura é a cautela por construir seus castelos e abadias em cima de precipícios e inacessíveis colinas, as mais elevadas possíveis, razão pela qual, na atualidade, os fazem muito atrativos por suas inabarcáveis vistas sobre o horizonte e pela observação de paisagens impressionantes.
Realizavam cerimónias de iniciação, suas cerimónias eram muito simples, consistia basicamente em um sermão breve, uma bênção e uma oração ao Senhor, essa simplicidade influenciou posteriormente uma gama de seguimentos protestantes. Possuíam duas classes ou graus.
Os leigos eram conhecidos como crentes, e a esses não eram exigidos seguir suas regras de abstinência reservada aos perfecti, ou bonhomes eleitos, que formavam a mais alta hierarquia do catarismo. Para ser um perfecti tinham que tanto homem quanto mulher, passar por um período de provas nunca inferior a 2 anos, e durante esse tempo, faziam a renúncia de todos os bens terrenos, abstinham de carne e vinho, não poderiam Ter contacto com o sexo oposto, e nem dormirem nus. Depois deste período o candidato recebia sua iniciação conhecida com o nome de Consolamentum que era realizada em público. Essa cerimónia parecia com o batismo e continha também uma confirmação e uma ordenação.
Na idade média, marcada pela violência e pela sede de poder da igreja Católica Romana, o Catarismo chocou-se frontalmente com o dogmatismo da Igreja. A religião cátara propunha, como aspectos básicos, a reencarnação do espírito, a conceção da terra como materialização do Mal, por encher a alma de desejos e prende-la às coisas efémeras do mundo, e do céu como a do Bem, numa conceção dualista do mundo. Mas o principal ponto de discordância, e talvez o mais original, tenha sido a de que os cátaros não admitiam qualquer tipo de intermediação entre o homem e Deus.
Esta crença chocou-se frontalmente com a religião hegemónica em toda Europa, a base da estrutura social, cultural económica e religiosa do Feudalismo. Durante muito tempo os cátaros foram relativamente poucos, com o tempo, começou a entender-se pela Occitania, até chegar a um ponto cujo resultado era demasiado incómodo tanto para Roma como para a França.
Um bastião religioso no centro da Europa não fazia mais que estorvar a cristalização do cristianismo de Roma no continente, e um território não católico era um pretexto ideal da Coroa da França para anexar as terras do Languedoc e expandir-se.
Por esta razão, e também pela força que assumiu o catarismo, a Igreja Católica fez tudo para combater sua expansão, clarificando o movimento como heresia, em 1209, o infalível Papa Inocêncio II estimulou os fiéis a ir para as cruzadas contra os hereges, com cerca de 20.000 cavaleiros os cruzados massacraram o povo, muitos morreram torturados ou na fogueira, sendo esta a primeira cruzada feita contra cristãos e em território franco. O presente que o santo Papa prometeu em compensação para aqueles que participaram da campanha era a partilha e doação das terras aos barões que as conquistassem, ou seja, converter-se-iam em senhores feudais.
A Cruzada Albigesa (devido à cidade de Albi), comandada por Simon de Montfort (1209 - 1224) e pelo Rei Luís VIII (1226-1229) durou 40 anos. A perseguição arrasou a região dos Cátaros, a resistência teve que enfrentar-se com duas forças enormes, o poder militar do Rei de França e o poder espiritual da Igreja Católica.
Na primeira fase da cruzada, foi destruída a cidades de Béziers (1209), onde 60.000 pessoas morreram. Destruída a cidade, os cruzados marcham para Carcassone, onde Simon de Montfort se apossa dos condados de Trencavel (carcassone, Béziers), conquistando também Alzonne, Franjeaux, Castres, Mirepoix, Pamiera e Albi.
Em 1216, ouve outra investida contra os cátaros. Simon morre em 1218, acabando também a cruzada, sem, entretanto, extinguir a heresia. Amaury, filho de Montfort, oferece as terras conquistadas por seu pai a Felipe Augusto, rei da França que as recusa, seu filho Luís VIII acabará aceitando as terras.
Em 1224 Luís VIII liderando os barões do norte, empreendeu uma nova cruzada que durou cerca de três anos alcançando muitas conquistas até chegar a Avignon, onde termina o cerco contra os hereges. O resultado dessa disputa foi um acordo imposto pelo rei da França aos Senhores feudais das áreas conquistadas e consequentemente os domínios disputados passariam para a coroa da França (Tratado de Meaux, 1229).
Militarmente, apesar de terem o apoio de pequenos condados, os cátaros não conseguiram resistir ao genocídio das cruzadas, mas elas não conseguiram erradicar o Catarismo de forma definitiva. Foi a Inquisição, a instituição que realmente conseguiu exterminar definitivamente o catarismo.
No chamado País Cátaro viviam outras pessoas cuja religião era o catolicismo, Perguntado sobre como distinguir entre os hereges e os outros, o legado papal (inquisidor) respondeu: "Matem-nos a todos. Deus se encarregará dos seus".
Quarta-feira, 16 de Março de 1244, aos pés de um penhasco da região de Ariège (Midi-Pyrenees) nos Pirenéus, 225 homens e mulheres são entregues à fogueira. O seu crime? Eram Cátaros. Entrincheirados na povoação fortificada de Montségur, a 1.200 metros de altitude, e capturados após dez meses de cerco tinham-se recusado a abjurar a sua fé.
O fenómeno Cátaro estendeu-se por toda a Europa Ocidental desde o Norte da Itália até à Borgonha, à Champagne, à Renânia, à Flandres e até mesmo à Inglaterra. No Norte a repressão foi tão rápida e violenta que nem deu tempo para que se implantasse qualquer tipo de organização. Em Itália, em contrapartida, o movimento desenvolveu-se durante muito tempo em total liberdade. O mesmo se passou no Languedoc, mas aí a aventura Cátara haveria de desembocar no maior drama jamais conhecido por estas partes da Europa.
A sociedade feudal é uma sociedade em pirâmide. Divide-se em três ordens e na base estão os que trabalham, todo o povo de camponeses e artesãos. Na ordem imediatamente acima ficam os que combatem, guerreiros e nobreza. No topo os que rezam: o clero. Esta sociedade foi abalada, ao longo dos séculos XII e XIII por surtos de dissidência religiosa e contestação que, conscientemente ou não, faziam perigar esta ordem tradicional. Fogueiras e forcas tentaram em vão erradicar as heresias, nomeadamente a mais importante de todas, a dos Cátaros.
A igreja de Roma não podia aceitar que se rejeitasse a autoridade do seu clero, especialmente numa altura em que essa autoridade ainda se estava a afirmar: o valor dos seus sacramentos e os artigos fundamentais do Dogma respeitantes à criação, a Cristo e à Salvação. Por mais de dois séculos a Santa Sé empenhou-se na luta contra a Hydra Innumera: o dragão da heresia Cátara.
Para os Cátaros Deus era a origem de todas as coisas. Mas, ao contrário dos católicos que entendiam a dualidade Bem e Mal como algo externo a Deus, sendo este a fonte do Bem, os Cátaros entendiam que ambos, Bem e Mal, emanavam de Deus. Deus era o criador de todas as coisas e como tal não se devia procurar a origem do Mal numa outra entidade. Rejeitavam assim o conceito de satanismo ou a existência de entidades de onde emanasse o mal. Os Cátaros, de qualquer forma, dissociam o Bem do Mal, o material do espiritual. E toda a sua crença gira em torno desta dualidade entre espírito e matéria.
Os Cátaros chamavam a si próprios "bons cristãos" ou "bons homens". Existia uma distinção entre aqueles que recebiam o Consolamentum, uma espécie de ordenação, e os cristãos normais. O grupo dos "ordenados" constituía a hierarquia cátara onde se incluíam os prefeitos que, usualmente, pregavam aos pares: o "filho mais novo" e o decano. Havia um ou vários "filhos mais novos" que se tornavam prefeitos itinerantes e coordenados por um bispo que tinha à sua responsabilidade uma determinada área geográfica restrita. Nas vésperas da cruzada anti-cátara havia seis bispados: Agen, Lombers, Saint-Paul, Cabaret, Servian et Montsegur. Entre as "decanonis" mais importantes havia Moissac, Cordes, Toulouse, Puylaurens, Avignonet, Fanjeaux, Montréal, Carcassonne, Mirepoix, Le Bézu, Puilaurens, Peyrepertuse, Quéribus, Tarascon-sur-Ariège.
Os Cátaros não admitiam que o mundo visível, por muito belo que pudesse parecer, tivesse sido criado por um bom Deus. Se a Igreja de Roma podia considerar-se satisfeita pela maneira como a repressão fora conduzida nos países do Norte aqui tinha pela Frente um grave problema. A sólida implantação da heresia cátara em França e nas cidades italianas. No fim do séc. XII e início do XII a base social do catarismo é já muito vasta. Toca já todos os sexos e classes sociais inclusivamente os grandes senhores rurais. O catarismo era um grande fenómeno social na nobreza local. Uma vez que o papa tinha ordenado a confiscação de todos os bens e a morte dos heréticos e dos seus cúmplices, esta só era possível com uma grande cumplicidade social.
O Conde de Toulouse era então Raimundo VI. Era um grande senhor na medida em que administrava territórios mais vastos que muitos reinos da época. Possuía terras mais vastas que o próprio rei de França. Mas Raimundo VI tinha um carácter pacífico e tolerante o que na época não era considerado uma virtude num nobre especialmente pela Igreja. A Igreja pensa que um senhor deve saber impor a sua autoridade e a sua fé a todos os homens e mulheres que vivem sob a sua autoridade. Mas Raimundo é um homem que respeita a fé dos outros e que sente pelos cátaros alguma simpatia, mesmo não sendo cátaro e acreditando mesmo em ideias muito contrárias ao que os cátaros pregam. É um homem que gosta do amor e das mulheres. Teve várias mulheres. Por morte de algumas e porque abandonou outras, tinha amantes, filhos legítimos e ilegítimos. Se isto era escandaloso aos olhos da Igreja, aos olhos dos cátaros o seu comportamento era uma abominação. Mas, apesar de tudo, ele respeitava-os e protegia-os.

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