quinta-feira, 6 de março de 2014

XI ANTOLOGIA PORTAL CEN "CÁ ESTAMOS NÓS" - FEVEREIRO 2014



Carlos Leite Ribeiro
Fundador e Presidente do Portal CEN


XI Antologia Virtual Portal CEN - "Cá Estamos Nós"
Fevereiro 2014.

Autores e Colaboradores CEN

Selo de participação
Organização de 
Maria Beatriz Silva (Flor de Esperança)
 Assessora do Intercâmbio Cultural CEN 
 Brasil/Portugal

      Pela arte de escrever, com maestria e beleza, 104 ilustres autores poetizam a abertura das antologias virtuais de 2014 nesse mundo mágico virtual. Apresentamos aos inúmeros leitores do nosso Portal CEN – “Cá Estamos Nós” a Antologia do mês de fevereiro, sendo a XVI Antologia apresentada pelo Portal CEN e a XI organizada por Maria Beatriz. Trazendo uma leitura diversificada mostrando a sensibilidade de cada um e oferecendo aprazível leitura. Convidamos a você leitor apreciar o nosso trabalho. Conheça um pouco mais de cada autor que compõe a Coletânea Virtual, acessando no final de cada texto o link da sua página de Autor no CEN.
       Nessa Edição Muito nos honra as participações especiais que completam com brilhantismo essa edição: O cantor Augusto Cabral que abre a nossa Antologia com sua música, Canção da Vida. A poetisa Letícia de Jesus Souza Faria, a poetisa Lara Leal e o poeta Adriano Coelho Peixoto de Laje do Muriaé (RJ), vale ressaltar que os ilustres poetas lajenses, integraram recentemente com suas participações para o intercâmbio Cultural Brasil Portugal, esperamos que através deles muitos outros poetas lajenses, possam ousar atravessar o oceano espalhando o seu lindo poetar. Sejam bem vindos!

       Parabéns poetas e escritores, que através de suas palavras em prosas e versos difundem pelo mundo o perfume do amor!  Feliz Caminhar!

Agradecimento:

      Agradecemos todos que colaboraram, para mais esse projeto de “divulgação internacional e direta” dos ilustres poetas e escritores.


Sigo a luz do amor! Você vem comigo?

Luz e amor no coração
te desejo todo dia
viva a vida com emoção
o amor sempre contagia.

Maria Beatriz Silva (Flor de Esperança)
 Assessora do Intercâmbio Cultural CEN 

 Brasil/Portugal
JOSÉ AUGUSTO CABRAL

CANÇÃO DA VIDA

Esta vida é uma canção,
Que faz sonhar,
Rimando sempre, sem cessar.
O batuque é o coração
Que, com emoção,
Batendo sempre, sem parar,
Marca a todo tempo
Os ritmos que explodem lá de dentro,
Nos momentos de alegria ou de dor...
É a voz da natureza
Que, esbanjando sua beleza,
Sempre inspira pra compor
Uma canção. Canção de dor,
Senão de amor, o amor da vida,
Canção da vida; a própria vida...

(Autor: José Augusto Cabral)

NO VÍDEO: 
CANÇÃO DA VIDA com José Augusto Cabral 



ADRIANO COELHO PEIXOTO

CUMPLICIDADE DE UM OLHAR

Esperava as palavras que não vieram
Para um dia traduzir meu amor por você
Já que faltaram palavras para me expressar
O traduzi por onde antecede as palavras : o olhar

Olhar que fitou o seu em meio a tantos olhares ,e lhe disse tanto
Já que o silêncio de um olhar, as vezes ,falam por mil palavras
Em meio a nossos olhares haviam tantos dizeres de quem amava
E o silêncio de um olhar na imensidão do tempo não se calava

No tempo que durou por uma vida inteira
Contemplei a felicidade verdadeira
Que dispensou as palavras para explicar
O que só o amor tem o poder de falar,
diante da cumplicidade de um olhar .

(Adriano Coelho Peixoto)


ALICE SANTIAGO MARTINHO

CORRENTE POÉTICA

Guardo minhas dúvidas
Até que eu entre em erupção.
Presságios derramados a cada palavra,
Meu sangue fervente é minha caneta,
Que molha o papel e escreve sua história:
Descreve a ira que o aqueceu,
A alegria que o invadiu,
E a saudade que ele me deu.
Sangue que inunda as linhas
De um caderno escolar,
Cada palavra se encaixa em seu lugar.
Rimando meu amor com minha dor
Separando meus sentimentos em inúmeros versos
Vem o sangue do coração para agregar valor
À meus pensamentos mais diversos
Rega a flor que nasce no lixão
Retratando a beleza que nasce da imagem vazia
Que só é “nada” até que a preencham,
De qualquer palavra ou poesia.
As letras escorrem e pingam histórias
De amor, de vida, de lições de moral,
Onde tudo é ponto de vista, interpretação.
Não há bem, não há mal.
A tinta desta caneta já está no fim
Mas, de fato, você deve preservar
Esta poesia filosófica, sangrenta e bagunçada
Onde escrevi sobre mim, sobre você,
Sobre ele e sobre o nada.

Alice Santiago Martinho

AMILTON MACIEL MONTEIRO

SEM ILUSÕES...

Não vou chorar a minha mocidade
Repleta de ilusões jamais vividas;
Não sinto dela a mínima saudade,
Pois as quimeras nunca geram vidas...

Um grande amor eu tive na verdade,
Mas de permeio a dores incontidas...
Com tal mistura, que fatalidade,
As juras eram mal correspondidas!.

E assim, amando sem sentir-se amado,
Alguém acaso pode ser feliz?
Ou quer, depois, lembrar-se do passado?

Sou mais feliz agora na velhice,
Na qual, sem utopia, alguém me diz
Do amor, que a vida inteira ninguém disse!

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_a/Amilton_Monteiro.htm


ANA MARIA NASCIMENTO
 Aracoiaba(CE) Brasil

SUBLIMAÇÃO
 
 Fiel ao grandioso juramento
que trago com desvelo na memória,
caminho procurando crescimento
ao longo da modesta trajetória.

Às vezes, os entraves do momento
mantêm grave poder em minha história,
mas não conseguem força nem alento
capazes de guiá-los à vitória. 

Assim conservo acesa intensa luz,
sem nunca imaginar tornar omissos
deveres que a vivência nos conduz. 

Embora diferente a relação,
permite sublimar os compromissos
guardados com tamanha devoção.
             
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OBSTINAÇÃO

 Entregue à pertinaz recordação
de nosso majestoso e terno enleio,
sozinha, caminhei sem direção,
buscando meu distante devaneio.

Fruir esse momento de emoção,
tentando descobrir que existe um meio
capaz de conduzi-lo ao coração
fez renascer em mim um antigo anseio.

Porém vivenciar o desejado,
somente em fantasia foi possível,
mas trouxe comprazer iluminado.

Ana Maria Nascimento

AGUINALDO LOYO BECHELLI
Santos(SP) Brasil

CRÔNICA E CRONISTA

      Entretanto,, cronista é....sei! É esquisito, trombada no estilo abrir qualquer fala ou escrita com a palavra entretanto. No entanto ainda é melhor que outrossim e serve de inusitado tranco pro papo ingressar no pensamento. Engata de reboque na frase para dizer que cronista  é retratista mundano. Lambe-lambe de tudo posto de viés. Explode o flash, entrega a foto nua e crua. Roteirista telegráfico do circunstancial. Sua aguçada sensibilidade pode desdobrar o instante. E do quase nada surge o imprevisto, levando à emoção ou ao riso. Assim, diz até da faca sem cabo que perdeu a lâmina. Mas o leitor sente o fio. 

      O cronista mais conta do que acrescenta em seu texto. Como o escultor na madeira: escalavra o cepo até chegar ao cerne. E explode no âmago, sem dar importância se a linguagem é volátil. Importa é ser prosa desataviada, livre, fugaz, mas repleta de componentes sensíveis tanto de humor como nostálgicos. Causos imemoráveis são surpreendidos, repletos de achados  que ao ler você oune buma cadência coloquial.

      O cronista é um lírico de passagem. Se expressa de súbito, ao se deparar com o catalisador da emoção poética. É espontâneo na superprosa poética.

      Parece fácil escrever crônica. E se aventura o envernizado, com ou sem diploma na parede. Talvez por isso, jornais e revistas tradicionais, massudos, intitulam a crônica  C R Ô N I C A, em letras garrafais, tamanho litro. Se não, ninguém fica sabendo tratar-se de crônica. 

      Ocorre o escritor ou  jornalista ser competente em outro gênero, dito nobre. Pode até ser o dono da empresa. Mas é cronista? Não. Não tem acesos os três olhos. O da nuca, próprio do cronista, isso lá não tem não!  Mais se parece ao escrivão de cartório, que escritura de feitio seco, quadriculado.

      Otto Lara Resende e Clarice Lispector, consagrados, brilhantes na arte de escrever, criativos, faziam questão de dizer que não eram cronistas, apesar  de às vezes parecer. Mas como disse seu Ângelo, meu pai, sobre a caranguejada do tio Catita, “Parecido não é igual”.

     Apesar de se reconhecer valores que se firmaram, como Rubem Braga, Paulo Mendes Campos, Fernando Sabino. Henrique Pongetti, só a qualidade de cronista não lhes deu o pódio. Rubem Braga é exceção. Tanto que Manuel Bandeira assim o enquadrou: “Braga é sempre bom: quando não tem assunto, então, é ótimo”.

   Os manejadores de caneta-tinteiro ou do computador, no mundo das letras, sem talento porém espertinhos, julgam que basta fingir-se de simples  para escrever crônicas. Não sabem que simples  não é  o começo, é o fim.  Se simples fosse fácil, qualquer um faria o sorriso de Mona Lisa.

   Preciso é ser capaz de captar, ver, sobreviver, alcançar entender, capiscar, notar, penetrar sentir, pressentir, chutar e até adivinhar. O cronista materializa o virtual.

    Falsos cronistas descambam para o ordinário, por não saber dar trato à vulgaridade. Outros, fazem crítica literária de alto nível, comentam ciência política montam respeitável artigo de fundo, ou dissecam um acidente  em reportagem, mas  atropelam o título crônica quando se atrevem neste gênero. Não alcançam o plano poético e a pluralidade das  coisas aparentemente sem valor. Jamais se detém no instantâneo da fotografia doméstica. Ou na figura deum mero passante. Não sabem esticar o efêmero, sem rebentar. 

     O cronista precisa ter disponibilidade de espírito. Ver além das aparências com muita pontaria.

     Intelectuais de cultura socada não acertam na crônica. Também, pra quê, né? Você  conhece  concurso literário para crônica? Poesia, romance, conto, peça infantil e até paródia recebem prêmios. A doença é crômica, com perdão do trocadilho.

     Gênero ingrato. Consome o escritor, por dele exigir o extrato da essência, mas reluta-se para consagrá-lo na literatura. O  cronista esgota o assunto em meia folha de papel. Saca facetas do cotidiano. Gasta o que poderia ser armazenado para um conto ou romance. Liquida o mote pela rapidez como entrega o tema, muitas vezes à altura de uma obra literária de fôlego .Isto significa presentear  talento a retalho. Convenhamos: é preciso coragem para se intrometer em prosa de alma e liberdade para conversa fiada.

      O poder de síntese do cronista é caracterizado pelo engenho como usa a pontuação na frase. E nem sempre é frase,, ainda que enxuta. É simples  palavra solta, capaz de despertar para reflexos humanos. Preciso, de passeios breves, constrói com baba de quiabo um conteúdo vivaz ao decifrar criaturas. Sem excessos, dá tacadas com extrema agilidade, encaçapa tristezas e alegrias, dispensando adjetivos.

     As satisfações efêmeras, a pedra do bingo, o motel as serenatas, são coisas da cantadas e da crônica, que o compacto haicai ou o concretismo buscam eternizar com certo hermetismo e nobreza. Por isso mesmo perdem o gozo da leveza e do superficial que a crônica esbanja.

     Talvez uma crônica não dure mais que algumas horas. Raríssimas permanecem. A maioria, publicada no jornal pela manhã, à tarde já está forrando a casa do coelho. De um modo geral, todas contam o que  o historiador formal nâo registra por julgar irrelevante. A informalidade demonstra; crõnicas deixam ensinamentos que enriquecem o bate-papo e o malabarismo de viver ao destacar costumes. O cronista, manhoso, chega a ser solene “atento à importância misteriosa de existir”. Mas  quando você menos espera, bandeia do grave para o frívolo, em molecagem maneirosa. Alguém já disse : “A crônica produz notoriedade e garante o esquecimento”.

      O cronista recria o real e acerta o mote numa estilingada. Pródigo, serve gratuitamente sopa de letrinhas. Nasceu para vintém, valendo merecidamente muito mais que um tostão. O arteiro escreve, você ouve a fala. Sente o bafo. Vê. Apalpa. Descortina a graça da convivência. Dá  o toque de lirismo que a pressa apaga nas pessoas sem mais tempo para o incomum no comum. (...)

      Exagerando na comparação, a crônica lembra a morte: desdobra a vida. talvez para outros vidas.

E para não lambuzar mais, tchau.

Aguinaldo Loyo Bechelli



ARY FRANCO (O POETA DESCALÇO)

 SOB O GUARDA-CHUVA

Saí com ela na chuva a passear.
Tínhamos apenas um guarda-chuva.
Aproveitei para a ela me agarrar.
Senti que ia perder a compostura...

Tomara que continue a chover.
Que nosso passeio acabe jamais.
Vou beijá-la, haja o que houver!
Sinto seu calor, tá bom demais!

Querida, meu ombro está molhado,
Faz de conta que sou teu namorado.
Sei que mal acabei de te conhecer,
Mas amar não tem hora pra acontecer!

Paramos de andar, tomei-a nos braços.
Perdermo-nos em beijos e abraços.
Foi assim que nosso amor começou.
E o guarda-chuva? O vento levou!

Ary Franco (O Poeta Descalço)



ADÉLIA EINSFELDT

ERA CARNAVAL

No carnaval de outras eras
quem eras, como eras
palhaço ou Arlequim
quem sabe eras o anjo Querubim
nem sei na verdade quem eras

tua máscara escondia
teu rosto eu não via
já era quase dia
eu ainda não te conhecia

muitos anos passaram
quando...numa tarde
ouvi uma música de carnaval
lembrei do carnaval de outras eras
a emoção tomou conta de mim
 chorei!

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_a/Adelia_Einsfeldt.htm


ANTONIO PAIVA RODRIGUES
Fortaleza – Ceará - Brasil

NO DECORRER DA VIDA

      O grito admoesta sem alaridos, mas com ternuras no âmago do meu coração corre sangue pulsante, no entanto, ardiloso. Não filo os defeitos alheios. Fitá-los é uma ação negativa. Traz-lhe aborrecimentos. Cheio de arroubo eu sempre estarei provocando balbúrdia, talvez incitando o inimigo belicoso a se transformar num besugo. Saiba que a sua mente é o melhor remédio para todos os males. Ela comanda todas as células do seu corpo, controle-se. Lembre-se de que todos nós cometemos erros. Sofre com isto? Busque a correção. Aqueles que praticam a curra devem ser severamente punidos, pois não são dignos da vida social, podem dilapidar vidas alegres transformando-as em tristes com aspectos melancólicos.
Procure andar sempre dândi sem ser espalhafatoso, nada de engodar, pois nos levam a cretinice. Não almejamos o fenecimento e sim nos tornarmos fugazes, fleumáticos, mas com pensamentos frugais. Ás vezes nos tornamos fleumáticos procurando homizios no ígneo, ser ignóbil nos deixa implícito, insolente e vamos levando tudo de roldão como se fossem uma irrupção. Todos somos falíveis. Calar ante os erros alheios é amor no coração. Estamos incólumes, somos inócuos, temos jaezes e procuramos ficar janotos e justapor os nossos desejos a todos outros sentimentos, somos loquazes, mas às vezes a nódoa pode manchar as nossas atitudes pueris.

      Quando estamos tristes nos sentimos meios pachorrentos, mas o pacóvio não nos assusta, pois sempre fomos e sempre seremos parcos em nossas atitudes. Triste do homem pedante, pernóstico, perdulário, que pensa ser perene, causa tristeza, dó, intolerância de outras pessoas. A vida não é para ser “suportada” ou “aguentada”, ela tem que ser “vivida”, louvada em seu conteúdo belo e atraente. Gostamos de permutar e desejamos que todos saiam do mal e absorvam o bem. O homem deveria ter atitudes petizes para que o seu espírito seja sempre benevolente e que suas atitudes agradem todas as pessoas.

      A experiência da vida e o tempo deixam-nos plissados com atitudes de vasculhar, perscrutar tudo que vemos pela frente. Caminhando pândego deixamos de (ser) sermos pérfidos mantendo-nos recônditos dos nossos inimigos e a vontade é de ruar sem rumo e sem destino. De levar tanto sol pelas nossas andanças ficamos rubicundos, pois queremos mostrar a todos que somos sumidades e suscito e jamais vamos tergiversar. Muitas vezes diante do medo ficamos taciturnos, tênues, quando alguém nos aporrinha ficamos de veneta.

      Procuramos mudar sempre, mas a insegurança maltrata e nos faz infeliz. As esperanças se esvaem sem proporções e o nosso coração se recata em nossas ilusões. Falando de mim almejo um dia a felicidade para sarar as feridas do meu coração. Posso me transformar num poeta maluco por natureza. Poeta maluco eu queria ser e do puro vinho quero provar, para minha mente esclarecer essa bebida vou tomar. Sem regras medidas e proporções, apenas para imantar os versos, de alegrias, tristezas e ilusões. Apondo lado a lado versos e reversos, de ideias desconexas vivem os poetas. Poetas e poetisas falam de amor com tanta lucidez que não me esqueço duma só vez de perguntar. De onde venho, de onde vim? Nasci, cresci e estou no mundo presente. Cumprindo uma missão árdua destinada para mim, O Pai dos Pais, Onipresente, Onipotente e Onisciente enviou um anjo para nos dizer que nunca existirá fim.

      Quero encontrar um amor e ser eternamente feliz.  Para isso, chorei, gritei e implorei bastante. Não me deste nenhuma atenção, hoje, mais clamo imploro um instante a sua atitude de mulher de grande coração. Eu amo, tu amas, ela me ama de coração. Flui flechado pelo cupido, no entanto, extrai o seu amor contido em forma de personificação. O meu temperamento sempre estará aposto e evoluído, em imantar com todas as raízes o afago do seu coração.

ARIOVALDO CAVARZAN
Campinas - Brasil

DEFINIÇÕES
 22/04/2013

Reciprocidade é ditame de enredos,
em histórias de vida e amor.

Esperança é semente
lançada em canteiros de ilusão.

Felicidade é enfeite
em caminhos de realidade e solidão.

Paz é, quase sempre,
colheira de espinhos em seara de coração.

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_a/Ariovaldo_Cavarzan.htm

ARAKEN VAZ GALVÃO
Valença (BA) - Brasil

A VÍRGULA
 3/05/2012

      Certa feita foi encontrar-me com um editor em Salvador, por indicação de um velho amigo, daqui, de Valença, BA, descobri de pronto que este, o editor, era um cidadão, se não forte – como se dizia em meu tempo de jovem –, bastante encorpado. Sendo, de certa forma, um homem grande regendo uma editora pequena. Não que na dimensão do seu empreendimento exista algum preconceito ou desejo de diminuí-lo, afinal, na Bahia só existem editoras daquela grandeza, pois não há das médias nem das grandes. Logo, a sua só poderia ser pequena. Ademais, ao falar em pequenas, vem a mente o lugar-comum grato a minha avó, relacionado com os bons perfumes estarem sempre em frascos minúsculos. Não vou, tampouco, achincalhá-lo por ele ter sido muito pouco educado comigo, ainda que, por ser verdade, guardo-lhe ainda certa mágoa. Mas isso não deve ser levado em conta porque sou, além de velho (e os velhos costumam ser ranzinzas), bastante rancoroso e, também, muito orgulhoso. E o gesto pouco delicado dele não se prendeu ao fato de ter-me dito, logo de entrada, que publicava livros somente à custa do autor, declaração que me surpreendeu, porque isso todos faziam, não sendo novidade. Inclusive eu, sem ser editor, poderia fazer a mesma coisa, em relação aos meus livros, sem necessitar a interferência de terceiros.

      Bem, visitava o editor – dizia – e ele descobriu de pronto, em meu texto de quase 300 páginas, uma vírgula fora do lugar, erro que cometo amiúde, por mais que me esforce e por mais que pague a revisores. Descobriu-a e não disse algo assim como: “Vai precisar de uma revisão”. Ou: “Houve um lapso aqui, esta vírgula está mal colocada”. Ele, como um colega de escola, aqueles que tivemos na faixa dos doze, quatorze anos, fez uma daquelas gozações típicas de quem deseja humilhar, como, por exemplo, “não se separa o sujeito do predicado”. Fato que, como pode ser visto, não me esqueci. E agora, passados uns dez anos, ao relembrá-lo, penso em algumas más palavras em relação a sua genitora.

      Hoje, ao iniciar essa apresentação, pensei em Graciliano Ramos: “Liberdade completa ninguém desfruta: começamos oprimidos pela sintaxe e acabamos às voltas com a Delegacia de Ordem Política e Social, mas, nos estreitos limites a que nos coagem a gramática e a lei, ainda podemos mexer”.

     Embora vendo que a citação, mesmo sendo muito irônica, não se enquadra à situação que vivi, citou-a, mesmo não podendo dizer onde a li, como sempre faço, porque se trata de algo que anotei em um dos poucos cadernos que escapou comigo, quando fugi da prisão de presos políticos, na Fortaleza de Santa Cruz, no Rio de Janeiro, no final da década de 60. Além do mais, se a benéfica tirania da gramática, esteja ainda presente na situação que ora narro, a polícia política já não impera com o mesmo poder. Em seu lugar, aqui e ali, surgem editores exercendo o papel de beleguim. Além de existirem alguns censores “paladinos” do politicamente correto, diga-se de passagem.

     Destarte, essa mágoa pueril, guardo ainda desse editor a lembrança de uma frase sua, cujo sentido, grosso modo, era: “Um autor que escreve livros que nem ficam em pé.” Mas, em relação a livro ficar ou não de pé, falarei depois. Por ora desejo, com essa longa divagação, registrar a atitude do cantor e compositor de modas de violas, não sei se do interior de São Paulo ou de um dos estados de Mato Grosso, Almir Sater, de quem agora me lembrei. Esse jovem artista, por ser bem apessoado – como se dizia em meu tempo de jovem, em relação aos homens –, faz-me também pensar em mim mesmo, pois na minha juventude, ou seja, nos meus tempos de glória ou suposta. E deixando de lado a modéstia, devo dizer que tive, naquele tempo áureo, certa semelhança física com ele, ainda que ele seja bem mais jovem do que eu e, possivelmente, bem mais talentoso.

     Lembrando-me disso, imagino como Almir Sater deve ser assediado pelas mulheres – e lá se vai à modéstia para o brejo (já que falo de cantor de música da roça) outra vez –, pois sempre me dei bem nesse terreno. E como aquele tempo passou, resta-me (ao diabo outra vez a modéstia!) apenas dizer: Que saudade.

   Bem, continuando. A TV foi-lhe entrevistar Sater por causa do sucesso da canção, cujo nome era “Chalana”, usada como tema, de novela (se não trai a memória) “Pantanal”, que ele cantava. Ao felicitá-lo pela beleza da música, ele respondeu, grosso modo, que não tivera a ventura de escrevê-la. E deu o nome do autor: Carlos Zen.

    Agora, para escrever essa apresentação, fui a Internet de vi que Carlos Zen teve um parceiro, Arlindo Pinto, não citado na ocasião por Sater.

   Pensei em todas essas coisas porque estou preparando a impressão de um livro com alguns dos meus ensaios, o qual fará parte de uma coleção, uma espécie de “Obras Completas” – romances, contos, crônicas e ensaios –, às minhas expensas, é claro. Esse ambicioso objetivo prende-se ao fato que já fiz 75 anos e, dentro de mais uns quinze dias, com alguma sorte, a vida acrescentará um novo ano a uma existência assaz atribulada. Afinal, ninguém vive mais de sete décadas impunemente, e começo a sentir que se aproxima a hora da minha partida. Por isso estava preparando esse livro, cujo título, pretensiosamente, é “Araken Vaz Galvão – Ensaios ou quase...”, onde reúno algumas reflexões sobre coisas que vi e vivi, em particular, sobre os livros que sempre me acompanharam, sem os quais ela, a vida, ter-me-ia sido “invivível”, quando constatei que esse livro em preparação, não ficaria de pé. Sua lombada, quando pronto – se consegui editá-lo – terá menos de 10 milímetros. E essa constatação fez-me lembrar do encontro com aquele editor.

  Toda essa concatenação de lembranças levou-me ao escritor mexicano Juan Rulfo (1917-1986), e particularmente pensei em seu maravilhoso livro “Pedro Páramo”, 128 páginas, em um formato de 11X17 cm. Um livro pequeno, portanto. No entanto é uma das obras mais brilhantes da literatura hispano-americana do século XX.

  Ao lembrar-me daquele editor – e resolver, de uma vez por todas, acertar nossas velhas contas –, pensei na nobreza de caráter de Almir Sater – lembrei-me até de parte da bela canção que, por ele, soube ser de Carlos Zen (e Arlindo Pinto). Lembrei-me também de alguns versos daquela canção. E imaginei que não faltará muito para uma chalana levar-me, sem que essa partida venha a causar algum desequilíbrio ao mundo.

  Talvez por isso descubra agora que ao desejar, de forma ardente, publicar, ainda em vida, minhas “Obras Completas”, constate também que esse desejo particularmente prende-se a ilusão de que, mesmo partindo, não partirei por completo. Permanecerei presente em tudo que escrevi. Obras as quais, espero, todas elas – mais de vinte e seis –, ao serem colocadas juntas em uma estante, fiquem de pé.   


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O BURRO ALADO

Lembro-me como se fosse hoje.

      O dia ainda não amanhecera completamente, mas os sinais de fogo da Aurora começavam a tingir de forma tênue o horizonte, enquanto os primeiros pássaros soltavam seus pios anunciando o dia que chegava. Ao contrário do que ocorria normalmente, naquele dia eu despertara muito cedo. O gado iria ser levado para o Gongoji – um lugar que, para mim, além de mágico (meu tio dizia que lá dava febre até em macaco, sem que eu soubesse o que realmente isso significava), era distante e misterioso – não era para se levar criança. Mesmo sabendo que não iria, que poderia acompanhar a boiada apenas até o Jacutinga, com muita sorte, minha mãe poderia permitir que eu fosse até Aiquara, ainda assim, despertara cedo. Mal tendo lavado o rosto e escovado os dentes, sem nem esperar para comer no curral um retrocido – que era como chamávamos leite recém-ordenhado, com farinha de guerra e açúcar – selara Cabrito.

   Cabrito era um burro baio, com o pelo mais tirado para a cor comum aos bodes sertanejos, de um amarelo ouro desmaiado, puxado a castanho. Daí o seu nome: Cabrito. Era um burro muito inteligente. De uma inteligência ponderada e tranquila. Além de inteligente, Cabrito era calmo e manso de coração, como devia ser também o filho do deus dos burros. Nunca dava um coice e só não oferecia a outra face, se em uma delas fosse chicoteado, porque nos burros os golpes são dados na anca. E as ancas não se devem oferecer... Ademais, elas estão ali, uma a cada lado, como dois planos inclinados, ao alcance de quem vai montado ou por detrás vai tocando. Mas acho que já falei dele algures. Cabrito era a única cavalgadura que minha mãe permitia que eu montasse, para ir aprendendo, sem o perigo de uma queda – ter quebrado um braço ou uma perna, era sempre um problema para a falta de recursos do sertão.

     Essas razões e ponderações, porém, não eram o que mais me preocupava, sequer passavam por minha cachola. A ventura de ver – de certo modo participar – a preparação dos vaqueiros juntando o gado para a viagem, mantivera-me excitado durante toda a semana. Minha excitação prendia-se a poder comer do feijão com carne que era servido ao pessoal antes da partida. A carne do sol, a linguiça, o toucinho, que delícia!

   Acompanhara, atrapalhando mais que ajudando, a preparação da tralha do bagageiro. As bruacas, onde eram arrumados os caldeirões, a chocolateira, o farnel, sempre composto de feijão, farinha de guerra, rapadura, carne do sertão e do sol, linguiças, tripas e toucinho salgados – indispensáveis a uma boa farofa – café, açúcar e sal. Fósforo e querosene iam à parte. Mas o utensílio que mais despertava a minha atenção era a trempe. Consistia esta em três longas hastes de ferro presas na parte superior por um pino, que servia também de eixo, no qual se moviam as três pernas que, quando abertas, formavam uma espécie de pirâmide, do qual pendia, no ângulo superior, um gancho que servia para pendurar o caldeirão. Essa trempe era aberta sobre o fogo, adrede preparado para cozinhar o feijão e fazer o café.

   Era essa engenhoca, vinda dos tempos coloniais, peça indispensável a toda a tropa que se deslocava, fosse levando gado, fosse levando cargas, que eu olhava, vendo o toucinho saltando na borbulha da água quente, e ganhando aquela cor morena desprendida do feijão preto que cozinhava. Olhá-lo era mesmo uma tentação, o que explicava o trágico destino de Dom Ratão no dia do seu casamento com Dona Baratinha.

   Estava deitado justamente sobre uma das bruacas. Sabia que os vaqueiros, que tinham levantado antes das quatro da manhã, para juntar o gado, começariam a voltar em duplas, para o desjejum reforçado, pois só iriam ver comida novamente depois de finda a jornada de um dia de marcha, concluída às cinco da tarde, quando o cozinheiro tivesse preparado outra vez nova

panelada. Era sempre a mesma comida: Feijão com carne do sertão, linguiça e toucinho, farinha à vontade. Com um pouco de sorte podia haver até um bom molho de malagueta, quando se encontrava, por entre o mato rasteiro em volta das rancharias, algum pé silvestre. A essa refeição repetitiva, que o cansaço e a fome faziam deliciosa, acompanhava uma caneca de café bem forte. Às nove horas todos já estariam dormindo, com exceção do cozinheiro, que adiantaria o cardápio do desjejum da manhã seguinte, o qual não variava nunca.

   Inebriado pelo poder hipnótico das labaredas, comecei a sentir sono. Mas estava disposto a não dormir, pois sabia que a mim caberia também um belo prato de feijão com todas aquelas saborosas iguarias. Tinha especial interesse no toucinho, que era sempre bem cozido, o qual, ao ser colocado no prato, tremelicava como uma boa canjica de São João, de uma forma que me parecia excitante (não conhecia ainda o termo erótico) sugerindo, na minha mente ainda verde, o tremor dos seios das meninas, sonhados, mas nunca vistos de perto, os quais, mais tarde, ao vê-los, constatei que, nem de longe, se igualavam à fantasia daquela distante manhã.

   Olhava o toucinho tremendo dentro do caldeirão escaldante, pensando ser assim que os seios das mulheres saltavam de dentro das blusas, sem saber que quem balançava e ardia era meu coração imberbe. Enquanto pensava em coisas que ainda não conhecia, sentia o sono dominando minhas pálpebras. Ouvia, vindas de fora, misturadas a algazarra dos vaqueiros que comiam tomando a fresca da manhã, enquanto o sol não saía, as batidas firmes dos cascos de Cabrito no terreiro, frente à rancharia, enquanto ele resfolegava e abanava o rabo.

   Não sei bem em que momento adormeci. Entre o sono e a vigília, devo ter sonhado. Vi uma mulher de branco, com uma ridícula – assim julguei – touca, onde se via um bordado vermelho. Era, porém, muito bonita, em uma roupa bastante justa, com um generoso decote, de onde quase saltavam dois seios, cuja maciez e textura lembraram-me novamente o toucinho cozido. Ela aproximou-se de mim, com um lenço de papel e, com muita delicadeza, limpou-me a baba que escorria pelas comissuras dos lábios.

   Detestava babar. Meu avô sempre dizia: Quem baba é bobo. Mas aquilo – para minha maior vergonha – sucedia amiúde comigo quando cochilava. Para ocultar a vergonha, fingi dormir profundamente. A algazarra dos vaqueiros aumentava. Entre eles, alguém disse:

— Acode ele! Anda, chama o doutor Antonino.

— É tarde – disse outro.

— Que tarde! Se ele estava conversando com a gente inda’gorinha. Chama o doutor.

— O doutor está de férias.

      Quanto a mim, a fixação era a moça de branco, vestida com uma roupa muito justa, exibindo o generoso decote, de onde quase saltavam os dois belos seios morenos, a palpitar, em sua maciez serena, lembrando o tremelicar suave de um pedaço de canjica na noite de São João; e que eu não pude deixar de associar também com um naco de toucinho, com aquela mesma cor de chocolate que eu vira, minutos antes, fervendo dentro do caldeirão de feijão preto. Ela, com o ar de muita gravidade, não saía do meu lado. Em um momento, abaixou-se e, depois de me tomar o pulso, com um gesto muito suave, fechou meus olhos. Alguém, outra pessoa ou ela mesma, jogou um grande lençol, também branco, sobre meu corpo. Fiquei imóvel, olhos fechados, fingindo que dormia profundamente. Era minha intenção continuar enganando-os. Pretendia também disfarçar minha vergonha pelo vexame da baba, por isso evitava até mesmo respirar. A confusão era grande e aumentava a cada instante, todos falando ao mesmo tempo. Outra mulher, essa bem mais velha – com uma grande touca na cabeça, de onde avançavam pelas laterais, como se saíssem de suas orelhas, duas abas de tecido engomado, parecidas com as asas brancas de um fantástico pássaro, que tentava de forma desajeita levantar vôo –, com certo tom autoritário na voz suave, disse:

— Vamos, afastem-se. Vão para seus quartos. Deixem-no descansar em paz.

      Aproveitei, então, daquela balbúrdia, e vendo que Cabrito se aproximava, saltei sobre a sela, envolto naquele lençol que ainda há pouco me enrolaram, deixando-os perplexos.

    Ao toque do meu calcanhar, Cabrito alçou voo. Abri o lençol, à guisa de asas, para ajudá-lo a arremessar mais alto. Pégaso era o cavalo alado do Belerofonte – pensei – Cabrito seria o burro alado de um menino do sertão. Agarrei-me forte no seu cangote, que não fosse nenhum deus derrubar-me e matar-me. Ganhamos altura. Sobrevoamos a casa-grande da fazenda Veneza, demos uma volta sobre a represa – cheguei a ver os jacarés dormitando à flor d’água – olhei o vale onde costumava caçar saracuras, a serra onde meus irmãos caçavam perdizes. Vi nosso vaqueiro, Maurílio, tangendo a vaca Gameleira. Pensei que ela ia-me atacar. Cheguei a gritar por minha mãe. Mas Cabrito, que não parava de voar, salvou-me da investida dela, alçando-me para bem mais alto. A casa-grande da fazenda perdeu-se na distância. Já não via a rancharia, nem os vaqueiros e aquela estranha mulher de branco, perdida, em meio deles, sem que eu soubesse o que ela fazia ali. Pensei em minha mãe, mas ela estava também muito longe. Meus irmãos? Não sabia por onde andavam. Sempre voando, passamos pela rua Nova, vi o riacho onde tomávamos banho, até a ingazeira, de onde saltávamos na água, estava lá, dando sombra com seus galhos encurvados sobre o remanso das águas límpidas. Ao longe o sítio da dona Xandinha, com sua capela, onde uma vez por ano havia missa, seus filhos, os gêmeos Manuel e Antônio Pequeno. A mulher de um deles morrera de parto, lembro bem. Ouvi o nosso capataz, Pedro Podão, vindo do enterro, anunciar, quando minha mãe perguntou pelo desfecho do parto: Morreu. Nós inté já plantemos ela.

     Daqui, pensei, poderíamos chegar facilmente a Jitaúna, mas Cabrito, que devia estar em um dos seus dias de folguedo, fez um grande arco por sobre a mata do Fundão, desviando em direção a Aiquara. Passou por sobre a Casa-Grande velha da fazenda, onde morava justamente o capataz Pedro Podão, voou sobre a Pedra Parida, passou rápido pelo Jacutinga, e tomou a direção de Aiquara. Vi, ao longe, a fazenda Venezuela, do meu tio Hormindo de um lado e, do outro, a rua da Lama, onde viviam as putas. Olhei para ver se um dos meus irmãos estava ali, ele que, aos 14 anos, já tinha uma quenga naquela rua. Pensei em voltar – minha mãe podia zangar-se –, cheguei a dar um puxão na rédea, mas Cabrito não me fez caso. Imaginei que íamos chegar ao Gongoji antes da boiada. Nisso, um forte nevoeiro escureceu tudo e nele nos perdemos. Mesmo de olhos bem abertos não se enxergava mais nada. Deixei-me, então, guiar pelo instinto de Cabrito. Sabia que estávamos seguros, sempre confiei naquele burrinho. Ele, resfolegando, voava sempre, alternando o movimento das orelhas. Continuamos por aquela escuridão, sabia que, fazia muito, tínhamos ultrapassado a linha do horizonte.

    Era, contudo, apesar da névoa, uma manhã primorosa, mas comecei a sentir muito frio. O sol, que não tinha ainda forças para atravessar aquele denso nevoeiro, era apenas uma linda bola opaca que nos iluminava por trás com uma luz pálida, que não chegava a me aquecer. A emoção de rever aquela paisagem tão familiar, da minha infância, era tamanha, que eu nem pensava em respirar. Trêmulo, mas cheio de júbilo, julguei ter ouvido a voz de Pedro Podão dizendo: Agora nóis vai ter que plantar ele. Foi então que constatei que ali em cima fazia um frio de morte, até meus ossos estavam congelados.

Lembro-me como se fosse hoje.

Para dizer a verdade, lembro-me porque foi hoje!...

© Araken Vaz Galvão
   
ANDRÉ ANLUB®

PODIA TER SIDO MAIS SOL
21/01/2014

O calor que batia na alma,
Sem refresco, mais e mais quente ficava.
Faltava isso, talvez aquilo, para montar uma elipse,
Envolta do desmesurado eclipse,
De tal sol.

Aquela fragrância de nova vida,
Da porta aberta do viveiro,
Batia nos orifícios do nariz; como coisa boa...
Fubá fresquinho, coco queimado, doce broa...
Acompanhada por um manacá-de-cheiro.

O orvalho brinca de tobogã,
Em uma enorme folha de taioba.
Sei, sei que ainda necessitava de mais música,
Música boa, aquela apreciada pelos pássaros,
Que dançam valsa com o vento.

Vendo com alguns olhos críticos,
Dizem que parecia perfeito, e era,
Mas podia melhorar.

Podia ter sido mais sol,
Pois geralmente sonhavam com a noite.
Podia também ter sido mais amor,
Com coloridos emblemáticos,
Dos mais profundos,
Nobres,
Raros.

Dos que alto berram, até as nuvens,
Vale a luta, vale a guerra,
Pintam aquarelas,
Nos anseios inebriados.

¨¨¨¨  ¨¨¨¨  ¨¨¨¨

FULANO DA SILVA
08/01/2014

Deu um gole no chá verde gelado
e ao descansar a xícara, sorriu.
Viu-se num lago novamente o guri
que brincava um dia com seus sonhos alados.

Congelando o momento foi trajando o futuro
luz no fim do túnel do incerto predestinado.
No amanhã um apogeu deveras absurdo
a essência madura que utopicamente nasceu.

Viu-se feliz com o viver protegido
viu-se ungido com o suor de mil anjos.
Na boca pequena um grandioso sorriso
e aos ouvidos violinos de Vivaldi em arranjos.

Faz-se adulto, pecante e andarilho
com rugas no rosto e prantos arquivados.
É trem de carga que não carece de trilhos
Abandonou seu abrigo, sem culpas e mágoas.

 http://www.caestamosnos.org/autores/autores_a/Andre_Anlub.htm

BENEDITA AZEVEDO
Magé (RJ) Brasil

MANHÃ NA ALDEIA

Um abóbora morno
no horizonte anuncia
o amanhecer.

Vultos dos pescadores
e o barulho do chumbo
no fundo das canoas
juntam-se ao cheiro
amoníaco de maresia.

O galo amiúda o canto
E o dia acorda, num salto
espalha-se pela praia
pelas ruas e quintais.

A fumaça nas chaminés
e o cheiro quente de café
acordam a aldeia.

Aos poucos um vozerio
acerca-se da praia e mistura-se
ao pregão dos pescadores.

A estreita rua frente à praia
Fervilha, no vai e vem de carros,
Bicicletas, carro de mão e garças,
Muitas garças misturadas às pessoas.

Homens e mulheres vão saindo
com sacolas, caixas, pacotes
carregando o peixe que será almoço
de ricos e pobres.

Rápido a praia volta ao silêncio inicial
e o sol já alto troca o abóbora
pelo prateado quente
que aquece a vida em todo universo.


¨¨¨¨  ¨¨¨¨  ¨¨¨¨

A  OUTRA MARGEM DO RIO

      Cresci às margens do rio e nele encontrei um amigo, um companheiro de todas as horas. Tudo ali girava em torno de suas águas vivificadoras. Elas alimentavam todos os seres: animais, vegetais, minerais e à minha imaginação, desde cedo, ilimitada, obra do criador.

      Logo ao nascer do sol, a neblina que se estendia por todo seu leito, em meu campo visual, da minha casa à curva distante do rio acima, me envolvia e tornava-me parte daquele mundo de sonho infantil. À medida que o sol se erguia e as águas do rio emergiam daquele mundo leitoso, em suave deslizar, em crespas correntezas, com remansos aqui e acolá, eu também ia acordando para o dia e para a vida.

      As tarefas diárias começavam ali, às margens do meu rio. Sempre acompanhada de algum adulto, eu nadava, primeiro com as mãos apoiadas ao fundo, perto da margem esquerda, onde morávamos. De uma hora para outra me soltei e fui além, sob o olhar cuidadoso de quem me acompanhava. Recebi orientação de que, aquela beleza superficial do rio, poderia tornar-se perigosa, caso nos aventurássemos sozinhos, sem conhecer os segredos de suas entranhas, e, assim como podia alimentar toda a cadeia da vida, também poderia matar.

      Tomando consciência, à medida que crescia, procurava conhecer melhor os segredos das águas e como navegá-las com segurança. A cada dia, vibrava com os avanços conquistados. Não satisfeita em conhecer os segredos e tomar intimidade com meu rio, resolvi atravessá-lo.

     Do lado esquerdo, onde morávamos saí, à medida que eu avançava, as águas iam se aprofundando. Olhei para traz, percebi que estava a um quarto da distância total de uma margem a outra. Parei já com água no pescoço. Prosseguia ou voltava? Minha curiosidade era maior. A correnteza tornara-se forte, precisei muito esforço para não me deixar levar. Sabia que a partir daquele ponto precisaria nadar com meus próprios braços e pernas.

    Respirei fundo, e me pus em movimento. A correnteza era muito forte e tive medo de não conseguir. Estava a meio rio. Olhei a margem oposta à que morava e achei muito distante de onde estava. Perscrutei um ponto bem abaixo, em relação à margem esquerda, de onde saí. Não me parecia ter nenhum obstáculo. Já estava cansada. Resolvi boiar e nadar tipo cachorrinho, sem me debater contra a correnteza. Consegui respirar e me acalmar. Cheguei à outra margem, bem distante do local onde planejara. Saí da água, sentei-me sobre a tabatinga e ainda ofegante, olhei a minha margem do rio.

    As casas entre as árvores desapareceram, inclusive a nossa, ficando à mostra somente parte do telhado.  Parecia-me, agora, desnuda, com vários pontos de erosão em meio às plantações dos ribeirinhos. Dali, eles tiravam o sustento, hora plantando, ora pescando. Viviam daquela rotina e os filhos seguiam-lhes os passos. Provavelmente, poucos conheciam o outro lado.

    Levantei e andei rio acima, a realidade circundante era totalmente diferente daquela que imaginava, ao vê-la através da neblina matinal e o fogaréu do por do sol em cada outono. O sol brilhando na tabatinga, a areia branquinha num triângulo formado pela foz de um riacho cheio de peixes que desaguava no rio, em suave marulhar. Senti um arrepio ao contato da água fresquinha, nas pernas, ao atravessá-lo. Mais à frente, as mangueiras que me pareciam mata fechada, à visão da outra margem, agrupavam-se deixando os raios do sol alcançar o chão repleto de frutas maduras e cheirosas. Colhi uma e fui degustando enquanto caminhava rio acima. A certa altura, percebi que a diferença de um lado e outro era muito acentuada.  Apurei minha atenção e vi detalhes que não conhecia do meu lado do rio.  A esguia palmeira por trás do telhado alongava-se rumo ao céu azul e o sol matinal, ali próximo, brilhava em reflexos multicores distribuindo a energia que me dera condições de ali está, do outro lado do rio, em deslumbrada admiração.

   Perambulei um bom tempo em variadas direções. Descobri tanta coisa que ainda não conhecia e, principalmente, a beleza e energia do sol matinal, vista de frente, do outro lado do rio.

    Aprendi que nem sempre as coisas são como parecem. Que precisamos enfrentar a correnteza, mas, não nos deixar levar por ela. Nadando sempre em frente calcular os perigos, boiar e sem cansaço ou medos, seguir até a outra margem, aprendendo a transitar de um lado a outro com segurança.

Praia do Anil, 14 de dezembro de 2013

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_b/Benedita_Azevedo.htm

BENEVIDES GARCIA

JEITO DE SER FELIZ...

 Eu só sei ser sozinho
 Restando-me um pouco pelos caminhos...
 Há lembranças nas árvores
 E no vento vadio
- restos de ilusões...

 Na nuvem macia guardei o meu olhar mais inquieto
 Na mansidão das águas naveguei a minha solidão
 Estou só...
 Ser sozinho é minha maneira de ser poeta
 É o meu jeito de ser feliz...

Vinhedo, Inverno de 2009.

¨¨¨¨  ¨¨¨¨  ¨¨¨¨

CARA DE POETA

Sinto o tempo passando
Por entre minhas janelas
Que outrora foram alegres
E cheias de vida...
... Mudei meu retrato,
 Mudei minha cara, Na esperança
De ficar mais moço,
 Vivendo neste calabouço
 De solidão sem fim.
 Espero que assim
Tão longe de tudo,
 Como também de mim
 Um dia possa
Ser como a poesia que diz:
 "Eu não tenho nada,
 Mas rouxinóis
Gorgolejam versos na calçada
É assim que se começa
A ser feliz!"...

Vinhedo, Verão de 2008.

Benevides Garcia

CLER RUVVER

DOA-ME... POESIA!

Quem sabe um dia, possa doar-me poesia.
Talvez todo um soneto, talvez só um refrão.
Quem sabe uma estrofe, para fazer canção.
Doando em cada verso, o som da melodia.

Quem sabe minha alma, menina pretensiosa.
Em meio à orquestra faça-se bailarina.
E doe-se em seresta, quando a noite termina.
Ao som da poesia, pura e maravilhosa.

E lânguidos, teus olhos seguirão os meus passos.
Que ao som de cada nota, te envolve em euforia.
E em gesto de alegria, doa-me o teu abraço.

Juntos os nossos sonhos, ao sol da madrugada.
Ficarão enlaçados, em plena alegria.
Com ênfase prelúdio, de sentir a alvorada.

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SONETO DO AMOR VIRTUAL

Amor será esse, que hoje descobri.
Um bem, ou mal antigo, que foi já descartado;
Ou coisa real, para o mal amado,
Que parece sonho, mas esta sempre aí.

É ele pintado, de todas as cores.
Um mágico e-mail, que inspira “total”,
Pra identificar se é bem ou é mal.
Ou um artifício, enfeitado com flores.

Aonde o beijo, pode ser trocado,
Sem sentir o hálito quente da boca.
Nem sentir o toque de lábios molhados.

Novidade, hoje é paixão virtual.
Como um manequim, da vitrine, sem roupa...
Sai dar uma volta e é atual.

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_c/Cler_Ruvver.htm


CIDA MICOSSI
 Santos(SP) Brasil

 NO CANAL CINCO

Os galhos do flamboyant
Sedentos, querem tocar
A água que escoa no canal
Oriunda da ação pluvial.

Galhos e água,
Quase tangência.
Canal e mar,
Confluência.

Conter os desejos
Do corpo-vulcão,
Deixar escorrer
Liberar sem pressão.

Intensa fusão
Da água abissal
Com as do quinto canal.

Cida Micossi

CLEVANE PESSOA DE ARAÚJO LOPES

MULHER[ES]

Mulher menina,
mulher felina,
mulher de malandro,
mulher de escafandro,
camioneira, lavadeira,copeira
garçonete,femme, fêmea,
woman,cientista,ilusionista,
lavradora,pintora, professora...
Mulher apenas, fruto de penas,
falenas,grandes ou pequenas...
Mulheres intuitivas,
mulheres esquivas,
atiradas, sobrecarregadas,
apaixonadas, bem
e mal-amadas...
Transparentes, intransigentes,
ardentes,inconseqüëntes,
tortas e direitas, certas
e erradas,
sempre valentes,
mesmo se parecem acovardadas...
Mulheres loucas, nlouquecidas,
redentoras, redimidas, provedoras,
analfabetas, doutoras
donas de casa, donas de nada,
patroas e empregadas,
mucamas ou sinhás no tempo antigo,
balconistas, artistas,
executivas,executadas,
livres e aprisionadas,
vítimas e agressoras,
agressivas, esquivas,
tímidas e rapaces,
pessoas com necessidades de enlaces,
pessoas fugindo da raia,
voando, se libertando,
chegando, partindo...Ah que lindo ser MULHER,
todas mulheres em MIM
gritam sonâncias, relembranças, momentos,
emprestam suas vivências,
sussurram segredos,
explicam receitas,
sangram, riem ou choram...
Tenho um átimo de cada mulher
do Mundo nas minha feições,
na minha alminha,
essa adulta sempre menina,
essa criança sempre madura,
erotíssima e tão pura...
Todas cantam e choram em meu self,
pois todas nós estamos nas demais
em traços infinitesimais
-e nenhum homem parece
entender a prece
que em uníssono entoamos
umas pelas outras, sempre...

¨¨¨¨  ¨¨¨¨  ¨¨¨¨

A MULHER SÃO TRÊS MULHERES...OU MAIS...

Em qualquer alma feminina
estão as chaves das três fases
que a tornam completa, por ser tripla
mulher ao cubo:
uma parte sempre menina
uma , amadurecida/talvez mãe
e outra, que embora envelhecida
conserva tudo das outras duas
vividas por todas as luas
desde que vieram à luz.
Esta, vive triplamente
a cada momento
pode prestar-se aos papéis múltiplos
de todas as suas vivências
dia após dia...(...)

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_c/clevanelopes.htm

CELESTE FARIAS
Belo Horizonte - Brasil

CHEIRO DE AMOR

Em olhares cruzaram
O momento em abraço
Inusitável sensação

Eu e você, ali...
Inspirados pelo toque,
Seu perfume em mim

Um adeus, até mais
Restando o aroma no frasco
Para um dia ser apreciado

Enamorados, apaixonados
Vivendo à distância
Em vozes e teclas virtuais

Saudade maldita
No inverno, sofreguidão
De lembranças não vividas

Os dias se passando
A paixão esquentando
Duas almas em brasa

O encontro dos corpos,
Esquentou o café no bule
E transformou em cafezal

Paixão, amor e canção
Energias vibram em ebulição
Corpos ardentes, contentes

Eu e o amor, aroma de vida
Vivendo em sutilezas
De sentimentos e certezas

Momento do adeus,
Até mais, até breve
Aos dias entregues...

As nuvens passaram
O sol se foi, a lua chegou
A lua se foi o sol voltou...

No peito a saudade
Na expectativa de chegar
O próximo reencontro

Mas antes da primavera
Veio o olor de flores
Em vaso presente

E hoje no Templo tempo
Estamos nós, embriagados
Desse Cheiro de Amor.

 08/12/13

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O PORTAL DO AMANHÃ
31/12/2013

Se perceberes o hoje
Verás que o ontem foi presente
E que o amanhã é inconsciente

Por isso, viva em sintonia
Na cumplicidade dos dias
De encantos e acalantos

No aguardo das portas
Que estão entreabertas e
Serão descobertas em festa

Mas que hoje
Além da expectativa
E da retrospectiva do ontem

Só restam os rios de fogos
Festejando o resplandecer
Do novo ano a renascer.

Celeste Farias

CARLOS LÚCIO GONTIJO

TERÇO DOS HOMENS DE SAMONTE

Quem canta e ora
Põe pra fora a tristeza
O coração vira sublime mesa
Estendida à Nossa Senhora

Quem canta e ora
É gente sonora banhada em apreço
É o Terço dos homens no horizonte
Debulhando luz sobre nossa SAMONTE

Quem canta e ora
Implora ao Senhor
O peito se enche de puro calor
Em nome abençoado do divino amor

Quem canta e ora
Deixa a alma céu afora
E se abriga na paz do Terço
Que do Senhor é verdadeiro berço

Quem canta e ora
É flora de Deus
Que em seus olhos brilha
Como mágica ilha sem adeus

Quem canta e ora
Se a vida evapora
É simples hora de se ir embora
Na asa leve de belo condor
Em oração rumo à casa do Senhor!


Observação: Poema em homenagem ao grupo religioso denominado TERÇO DOSHOMENS, da cidade de Santo Antônio do Monte, popularmente conhecida pela sigla SAMonte, localizada no Estado deMinas Gerais – Brasil.

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FALSA RETIDÃO

Tudo o que quis ser e não fui
Hoje se dilui sobre o que sou
Em meu passo o mar do destino flui
No que não sou o pedaço do que sou está
Esquecimento faz parte da lembrança
Esperança com a desesperança convive
A vida vive em meio a muita morte
O mais forte nem sempre é valente
Pode não ser contente a pessoa feliz
Há muita presença cheia de ausência
Muita ausência que presença marca
Refletindo a fiel luz da transparência
Que reflete o ser humano em solidão
Pois que sob o pano solerte da multidão
Todos aparentam viver em retidão

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_c/Carlos_Lucio_Gontijo.htm

CARLOS SARAIVA
(mongiardimsaraiva)

ENTREGA

Quando não tiveres o mar,
Sente na terra o teu pulsar.
Corre e abre os teus braços;
Precisas de muitos abraços.
Declama alto os teus versos,
Às correntes fortes dos rios.
Que levarão para longe o frio
E te trarão conforto e estio.
Conversa com a tua natureza;
Ela é branda, linda e amena.
Quero que tenhas a certeza,
Que tudo é belo e te acena.
És parte do sol, quando reza.
Da lua, quando diz um poema.
Todo o universo se contorce,
Escangalha, gargalha e tosse,
Para te ajudar a achar a sorte.
Querem te levar para bem longe,
Onde só encontrarás as nuvens;
Muito para lá do sul e do norte.
Brancas e espessas de paixão;
Leito macio, sereno e sem morte.

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ENTRE QUATRO PAREDES

Estou entre as quatro paredes...
Não ouso esconder o meu pranto.
Quero prolongar a minha sede;
Não bebo, não falo, não canto...
Sou o mentor do meu profano;
Não vejo, não rio; sou espanto...
Acabo de possuir o teu encanto;
Sagrado, leviano, aceso; humano.
Nas paredes brancas me afoito,
Embriagado e enrolado num oito.
Sou a imaculada prisão do branco;
Leve, informal e inimiga do mal...
Entre o chão e o teto, me revejo;
Nesse cubo branco e oco; perfeito.
O alimento entre as quatro paredes,
São palavras que escapam das redes
E ampliam o bater do meu peito...

mongiardimsaraiva

DERMEVAL NEVES

BREVE AMOR

Te vi, me viu...
Sorri, sorriu...
Amei, amou...
Parti, partiu...
Saudades...

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DEUSA OU ANJO

Tempos atrás, que me parecem séculos,
a princesa deusa grega Iaga me surgiu.
Minha vida transformou-se em alegria
muito prazer e muito amor...

Do sentido da razão me vi privado,
amor com tudo que tinha e como não podia,
entrega total de coração, corpo e alma,
vivendo cada momento como se fosse único...

A doce deusa Iaga me levou aos píncaros da alegria
A linda princesa grega, me fez seu príncipe encantado
Montando nosso cavalo branco do amor e da esperança
cavalgamos por prados verdejantes nunca dante visitados

Tudo era glória e sofreguidão...
ansiedade por meros minutos distantes, partilha,
alegria por reencontros, carinhos, beijos, abraços, amor...
Jamais sonhara ser agraciado por tal felicidade...

Mas tudo passa... tudo se vai... bem ou mal sempre se vão...
Chegam de mansinho, vão ficando, tomam conta do lugar,
assenhoram-se de tudo que nos pertence e
ofuscam-nos a razão que nunca havíamos perdido...

De sólido racional, passional me tornei,
e sem aviso, feito um anjo, Iaga se desvaneceu e se foi...
Chorei como não podia, sofri como não queria,
desesperei como não desejava... pois perdera quem amara...

Hoje, já não tão só, nem tão feliz da forma de antes,
não tão racional como preciso, e tão passional como não devo,
vivo e saboreio intensamente um novo amor,
mas ainda sem compreender como, nem porque,
uma linda deusa se transforma em anjo,
um maravilhoso anjo negro...

 Dermeval Neves

www.npdbrasil.com.br


DALTON LUIZ GANDIN

FOGOS DE PASSAGEM

artifícios
maré
cheia

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_d/DALTON_LUIZ_GANDIN.htm

DHIOGO JOSÉ CAETANO

PARAFRASEANDO

Novo Millennium.

Dia a dia com atitude, revolução...
Luzes da ribalta uma promessa de Deus.
Interior, textos e contextos.
Nós somos um milagre!
Meus momentos, nossos momentos, momentos inesquecíveis.
Mundo rápido mundo.
Não é possível se quer notar o azul do céu.
O relógio não para!
Meu velho carro de boi está de partida.
Choramos sem limites.
É preciso saber viver.
Nunca mais vou te esquecer, mas do mesmo procuro não lembrar.
Não estou falando dos grandes amores.
Mas do sucesso, do fracasso, do medo, enfim da vida.
Pérolas que vem nos iluminar.
A paz e a harmonia precisam ser resgatadas.
Não vale brincar de viver.
Ninguém te amo como eu; deveria ser a frase do momento.
Precisamos ver a lua, um acervo especial que deve ser registrado na memória.
Solidariedade, amor, confraternização uma preferência que deveria ser mundial.
Resgatemos os nossos momentos...
Não foram 20 anos que se passarão, séculos escorrerão rio abaixo.
A vida não para!
Transformação, mudança, regeneração...
Nos tornemos pássaros sonhadores.
Espalhemos a mensagem com autenticidade.
Visitemos os nossos amigos e irmãos existenciais, deixando a seguinte mensagem: Eu te vejo!
Façamos desta mensagem um meme viral.
O mundo precisa de mais compromisso, solidariedade, paciência, alma...
É chegada a grande hora, a hora mais clarividente.
Todos os portões da alma se abrirão.
O mundo se constituirá de novos preceitos.
A terra concluirá a grande transição.
Do desconhecido a esperança do planeta, uma grande leva de seres iluminados adentrará a terra.
A paz reinará pela vastidão deste vasto planeta.
Em linhas poéticas a materialização de um futuro por vir;
não estamos falando de uma utopia e sim de uma realidade esperada.

Dhiogo José Caetano
Professor, escritor e jornalista

DONZÍLIA MARTINS

JANEIRO – ENTRE O SONO E O SONHO
Janeiro 2014

No fim de Janeiro entre o frio e a chuva
Brilham laranjas redondas no chão verde do quintal
Abandonadas, num último abraço à terra.
Num beijo de doçura e cor, jazem ali adormecidas
Até que, entre o sono e o sonho, um minúsculo verme faça delas casa,
Palácio alaranjado, bosque imaginário de ternura.
Trémula, a copa verde da mãe que a gerou e arvorou
Até o filho ser vergastado pelo vento
Faz-lhe sombra quando o sol de vez em quando se abre.
Há ali um botão de laranjeira que a noiva leva ao altar
Um aperto de raiz na terra umedecida a cheirar amor
Enquanto a fruta entontecida vai perdendo a cor.
Ao lado corre a rua de pedras lavadas dum rio de água branca
Quando a caleira jorra mares de lágrimas caídas do céu
E os passos cansados acordam o silêncio
Num tempo morto da laranjeira até florir a primavera.
As cinzas espalhadas e a geada mudam o verde e embranquece!
A fruta apetecida jaz ali abandonada, qual quimera
Enquanto o tempo e a vida entre o sono e o sonho, adormecem.

¨¨¨¨  ¨¨¨¨  ¨¨¨¨
“NA MARGEM”

Olho absorta: a montanha, o mar, o céu azul, o silêncio!
E parto à conquista de mim.
Quantos desencontros! Quantas partidas e chegadas em vão!
Quantos monstros marinhos destroçando as flores do coração!
Entrelaço os dedos na esperança de encontrar os teus
Subo às estrelas, delas bebo a luz e o tilintar dos céus.
Aqui o rio, ali o mar. Nos dois a minha alma a balançar
E o meu silêncio a inventar palavras que não digo.
Sob as árvores, na margem recostada, apetece-me gritar
A extensão do amor, a prisão dos medos, voar no vento,
Apagar o tempo das memórias que me invadem.
Acordada, sonho! É sempre cedo ou é já tarde.
Recolho a alma perdida em labirínticas memórias
Vagueando o sono e o sonho nas montanhas, recolhendo histórias
Que apanho e espalho nas cinzas do meu mar.
Hei-de cantar o vento, a glória infinita, o supremo bem
Amaciar as dunas, embalar as ondas em braços de mãe
Porque sois feitiço violando a margem nesta tarde linda do entardecer.

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_d/Donzilia_Martins.html

EDILEUZA VIEIRA DA SILVA DE SOUZA

(POETISA MENINA)

CANÇÃO  D’ALMA      

Faz das estradas primores da terra,
Dos céus, caminhos que não voltam,
Eternas pontes de uma nova era,
Voa, voa como uma bonita gaivota.

Saúda as pequenas casas dos vilarejos,
Abraça, beija, ama em cuidado e realeza,
Traz teus pés em flores e benfazejos,
Conserva no coração a simples pureza.

Quando imaculado tiveres nas alturas,
Lembra que nos campos floridos,
Embarcam leves lírios de paz e soltura.

Dos teus olhos, pares de intensa beleza,
Pousam gentis mãos, linhas do destino,
Paisagens, retratos, canções d’alma e riqueza.

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_e/EDILEUZA_VIEIRA_S_SOUZA.htm

ELIANA ELLINGER

ESTOU AQUI...

Estou aqui, amor meu...
não me escondi.
Te escrevi tantas vezes, não leste ?
Pensava eu ter sido nada mais que uma simples aventura,
 como tantas outras que passaram em tua vida.
Me sentia um brinquedo, pequenina criatura...
Não me sentia mais assim querida.
De tanto te amar, em meu sonho fui contida
e por não ter resposta já me julgava esquecida...
Busquei apagar meus desejos... as saudades dos teus beijos...
guardei tudo que me inspirava a cada dia
e só escrever à ti poesia.
Mas lembrava os momentos que passei ao teu lado
e pensava tudo já ter sido terminado.
Estou aqui, amor meu... segura minha mão...me de um abraço...
encosta aconchegante em meu regaço.
Sinta o pulsar do meu peito,
esse amor não tem mais jeito...
aperta o corpo meu bem juntinho ao corpo teu.
Não importa a passada desventura,
desfaça de mim essa tortura...
És o amor maior que eu já vivi....
Vês, querido? ...
Da-me tua mão, estou aqui!¨

¨¨¨¨¨¨ ¨¨
ESPERANÇA...

Findou-se o ano cá por mim vivido,
com tanta tristeza a dominar-me o ser
e no jardim por ele desflorido,
foi-se a esperança que eu teimava em ter!

Se vale um verso que seja concebido
por um sofrimento e a desmedida dor,
não há palavras que o façam definido,
escrito apenas com revolta e amargor!

Neste novo ano ainda adormecido,
rego a esperança de um claro amanhecer,
pois a saudade em meu peito tão dorido
será eterna acompanhando meu viver.

Mas, de ti, só lembrarei os bons momentos!
Verei sorrisos e alegria em tua imagem,
sem espelhar um sofrer aos sete ventos!

A esperança em mim se faz como um acalento,
de paz na lápide que marcou tua passagem
e a luz em tua alma que segue o firmamento...

Escrito e dedicado à minha filha,
Márcia Elblink (1968 - 2007)

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_e/Eliana_Ellinger.htm

ELIANE AUER
São Mateus (ES) Brasil

SINTO SAUDADES

Como você está?
Sinto saudades
coração dispara
já não sei o que é certo
nem o que é errado
sinto as folhas tremulando
o sol batendo no rosto
sinto o sono
sinto o vento soprando
sinto desejos do encontro
coração mais descompassado
taquicardia ou um coração apaixonado?

¨¨¨¨  ¨¨¨¨  ¨¨¨¨

SONHEI COM VOCÊ, OH LUA!

E a lua cheia saiu mansinha
Nem sequer me deu a chance de apreciá-la
Nasceu escondidinha atrás da nuvem
Para que eu não pudesse olhá-la.

Os sonhos mais lindos ainda consigo tê-los
A natureza não me permitiu vê-la
Mas, Deus na sua perfeição
Fez nascer linda em meus sonhos noturnos

Nascia linda e prateada na água
Espelhada no lindo mar
Com uma beleza sem igual
Nasceu num sonho tão real.

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_e/Eliane_Queiroz_Auer.htm

EDVALDO ROSA

UM SEU SORRISO...

Para se somar a luz do dia... E fazê-lo mais belo,
Um seu sorriso é uma luz que se abre!
E nas noites de meus dias, para fazê-las mais claras...
Eu o andarilho que percorre estradas, tão solitário!
Capitão que lança barcos ao mar... Rompendo vaga após vaga!
– Sem saber se e quando vai voltar!
Para os amantes que sonham sob o luar e as estrelas,
Como eu que divago, posto que vivo a sonhar!
Alento aqueles que insones procuram além do sono,
A realização de seus desejos de amor...
E na satisfação de ser amados,
A completude de amar!
Seu sorriso é presença sem corpo,
É sonho em que meus sentidos naufragam,
É esperança de se achar no caminho um abrigo,
Porto seguro, para um capitão cansado,
De tanto barco sobre tanto mar!

¨¨¨¨  ¨¨¨¨  ¨¨¨¨

 PEDAÇOS DE MIM...

Pedaços de mim, pinçados por um estranho olhar,
Vão-se nas vagas do vento, sem tempo...
Vão como se nem fossem mais meus
Dono de si, do próprio caminhar!
Pedaços, recortes, lembranças, sortes,
Escolhidos por quem olha pedaços
E nem sabe de mim, por inteiro... E nem pode!
E enfim, no fim não notam o meu relembrar!
Cadê a amada? O filho querido?
O mais caro amigo, presente em minha estrada?
A minha alma onde está?
Só espero que quem olhe estes recortes,
Quiçá de alguma sorte,
Capte com o olhar um pouco de minha vida...
Antes que o esquecimento seja o cimento
Que cimente a minha própria morte!

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_e/Edvaldo_Rosa.htm

FÁTIMA MELO - FOFINHA

HOMEM...

Dorme tranqüilo o homem
Pode finalmente desfrutar
de seu sono de paz!
Parte de tudo que  procurou
Se torna certeza,é realidade.
O ressonar é tranqüilo,
de quem sempre lutou
e finalmente conquistou.
Foram tantos dias,
tantas noites de vigília,
Sem ter a certeza de nada
nem ver as coisas acontecerem,
de poder desfrutar de alegrias.
Mas hoje a vida lhe dá o troco,
pela honestidade e perseverança
que sempre trilhou, acreditando
 que tudo pode mudar,
Pois passo a passo
dia após dia
foi colocando  pedras por pedra
E seu muro sua fortaleza
finalmente se edificou.
dorme hoje o sono dos justos,
sem sobressaltos nem pesadelos,
Pois finalmente hoje ele é o senhor.

¨¨¨¨  ¨¨¨¨  ¨¨¨¨
PERDOA-ME, AMOR,

meu amor te sufocou,
maltratou,
Mas esta é a única forma que sei amar,
com entrega intensa e total,
sem incertezas, sem mentiras
que possam ferir maltratar.
Perdoa-me  Amor
Mas aventuras ja  não me interessam
quero paz no coração,
um lugar tranquilo na solidão...
Perdoa-me  Amor!
chegou a hora de dizer adeus.

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_f/Fatima_Mello.htm

FATIMA MOTA
Natal(RN) Brasil

 UTOPIAS

Meus dias voam
tempo diminuto
querubins alados
voejam em esplanadas abstratas.
Ponteiros e vontades
não se acasalam.

Minhas ilusões
às vezes, por terra,
geram expectativas
lançam-se sementes,
tornam-se somente
desertos
de palavras ou versos.

À noite o meu olhar cria raízes
e me faz sentir estrelas
em leves travesseiros,
liberto de algemas e penas.

Quando o sol me visita
é hora de partir para outros laços.
Na dúvida,  não sei se vou
ou... prendo-me aos conhecidos abraços.

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_f/Fatima_Mota.htm

GERCI OLIVEIRA GODOY

SONETO PARA MACHADO

Hó! flor do céu! Oh! Flor cândida e pura!
Nesta vida de enganos cá estou
A querer colher-te minha amada
Beijar-te oh flor! a boca púrpura

Se negas meu amor, linda donzela
Serei homem sem rumo, na procela
Se te tenho ausente serei nada
Toco de sebo, vela apagada

No teu altar, pedinte vou rezando
A sussurrar baixinho o teu nome
Sem saber se ouves, esperando

Vivo inda agora no passado
Acreditei que me querias tanto
Perde-se a vida, ganha-se a batalha.

¨¨¨¨¨ ¨¨¨¨  ¨¨¨¨

 BRINCANDO COM FERNANDO PESSOA

AUTOPSICOGRAFIA

Não pensem que a verdade é o que digo
Tampouco sei mentir veracidades
A lágrima que desce é mais doce
Que a fonte dos desejos da idade

Se vires nestes meus versos
Vestígios de alguma dor
Não vás sofrer por decreto
Deste ardoroso senhor

É vago o sentir que sentes
Se o teu vício é não querer
Por isto fecha as recentes
Vertentes do alvorecer

Sou apenas um poeta
Bendigo esta vocação
Pra sair bem desta briga
Te ofereço a outra mão.

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_g/GERCI_OLIVEIRA_GODOY.htm

GILBERTO NOGUEIRA DE OLIVEIRA‏
Nazaré(BA) Brasil

                                   A PONTE IMAGINÁRIA                          
 20/11/1976

 A ponte estava escura.
Quantas coisas lindas
Tem um poeta
Para descrever uma velha ponte.

O mais belo de tudo
É que a lua
Que não era nova,
Que não era cheia,
Que era decadente
Mas, mesmo assim,
Tinha sua beleza
E clareava tudo.

Estaciono meu olhar para o rio,
De longe eu vejo ao longe,
Longe da ponte e longe de tudo,
Esquecido até da lua,
Uma chama a clarear
A pescaria de um homem.

Como se a lua não existisse, sigo.
Minhas pernas doem, estou cansado.

Começo a pensar
Em todos os caçadores,
Nos pescadores noturnos,
Nos camponeses cansados,
Nos amantes clandestinos,
Na rosa que dorme inocente
À espera que chegue o dia,
Para o mundo colorir.

   Paro.
De repente me vi
Entrando em mim mesmo,
Como se tudo aquilo
Fosse uma cena particular.

Mas, infelizmente
Existe a guerra
Para matar a lua,
Para destruir a ponte
Que liga um mundo ao outro.
Para destruir os camponeses.

Era uma vez uma ponte.

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_g/Gilberto_Nogueira_de_Oliveira.htm

HILDA PERSIANI

RETRATO

Hoje, revendo seu retrato
Que o tempo impiedoso desbotou,
Constatei com tristeza, que de fato,
Da mocidade só saudade me restou.

Por um momento tive a ilusão
Que o seu retrato criou vida,
Sorriu, chamou-me de querida
E fez acelerar meu coração...

De repente o sonho se desfez,
Ele novamente foi descorando
Voltando a ser só um retrato outra vez.

Mas, nesse breve sonho de momento,
Eu me senti feliz e então chorando
O seu retrato beijei  com sentimento!...
     
http://www.caestamosnos.org/autores/autores_h/Hilda_Persiani_de_Oliveira.htm

HIROKO HATADA NISHIYAMA

 PILS

I
      Os números cardinais são absolutamente livres,
nada os obriga a se manterem em fila como os números ordinais!
II
      A letra "m" com suas pernas passou na frente da letra "n"!
III
      O ponto final viu chegar mais dois pontos a fim de continuarem
a conversa!
IV
      Então o olho disse para o outro: "por que quando eu olho para você,
você olha para o outro lado?"
V
      As letras do alfabeto puseram-se em fila para combater a ignorância! 

¨¨¨¨  ¨¨¨¨  ¨¨¨¨
TEMPO

No mistério perdido no passado
Na imensidão do espaço
Que talvez nem tão perdido assim esteja,
E num futuro prestes a explodir
A cada segundo
Já se fazendo passado;
E no presente vivo e agoniante,
Marco incógnito
Do passado, do futuro
Dos novos tempos,
Simples assim:
Decifra, lê e canta
Já nada se faz mistério:
O passado passou,
O futuro é amanhã,
O amanhã:
Se estou , eu sou,
Se não sou, 
Fiquei no passado...


HERALDA VÍCTOR

VOLÚPIA

Quisera trocar as folhas verdes do meu colo
Pelo azul celeste dos teus olhos.
Cavalgar na tua pele passo a passo,
Embriagar-me em cada onda de suor
Degustar o doce dos teus lábios,
Ficar presa no aconchego de um abraço
Colher e saborear o teu melhor...

Quisera possuir na madrugada
Teu gemido satisfeito ao meu apelo
Entrelaçando de beijos meu cabelo...

Quisera no embalo do teu corpo apaixonado
Beijar o teu sorriso de menino
Fazer de ti meu homem ser tua mulher
E no murmúrio da melodia dos amantes
Amar até o fim e te deixar adormecer
Dentro de mim...

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_h/Heralda.htm

HUMBERTO RODRIGUES NETO

HEBREUS VS ASSÍRIOS
(Isaías - 37:7 - II Reis, 19:7)

No Velho Testamento, em “Isaías”,
há um fato interessante a analisar
de invasões que então eram correntias
sem que o leigo as consiga interpretar.

Portanto, a todo espírita compete
dissecar, sem paixões e sem delírios,
o item trinta e sete, alínea sete,
sobre o cerco a Israel pelos assírios.
Rabsaqué, com suas tropas invencíveis,
já atingira as fronteiras dos hebreus,
mas destes, os profetas mais sensíveis
clamam aos céus pelo poder de Deus!

Então vem-lhes a fala do Senhor:
“Não temais e confiai na vossa fé;
dentro dele um espírito hei de pôr
que fará ir embora a Rabsaqué,

que ao ouvir sobre si certo rumor,
dará então início à retirada;
e já em sua terra, sem glória e honor,
farei com que ele caia morto a espada”!

É claro que os espíritos influem
nos que se encontram vivos e saudáveis,
e os maus por muitas vezes se imiscuem
nos nossos atos vis ou reprováveis.

Todo descrente as suas razões reveja
e com falsas assertivas não se iluda,
pois nem Deus – diz a Bíblia – pestaneja
de a um mau espírito pedir ajuda!

¨¨¨¨  ¨¨¨¨  ¨¨¨¨

FORÇA DE VONTADE!

Sob o avanço das tropas alemãs
o mundo viu sinistros amanhãs
no estalar da segunda grande guerra!
Notícias vindas de todas as frentes
anunciavam derrotas contundentes
nas mais distantes regiões da Terra!

Em paralelo à luta, o sanguinário
Hitler cumpria seu mendaz fadário
de rebelar-se contra as leis de Deus!
E assim foi: com a mente em desatino
tornou-se o demoníaco assassino
de seis milhões e meio de judeus!

Batidos pela guerra, os aliados
teriam de impor-se esforços redobrados
para impedir a capitulação.
Mas Churchill, como exímio estrategista,
 ouve em vozes de fundo espiritista,
as coordenadas para a reação!

Muda manobras, modifica esquemas,
resolve os mais complexos problemas
com tirocínio, fé, firmeza e argúcia
ganha a adesão dos norte-americanos,
e por mercê de esforços sobre-humanos,
traz ao conflito a poderosa Rússia!

E  a incentivar seus bravos combatentes,
passa a vencer batalhas surpreendentes
por mercê da divina Providência!
Impõe aos alemães derrotas crassas,
livrando o mundo do nazismo, graças
à força de indomável persistência!

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_h/Humberto_Rodrigues_Neto.htm

IVONE BOECHAT

COMO CONVIVER COM O IDOSO, BEM IDOSO

1- Nunca pergunte a um idoso: qual é o segredo de viver tanto assim? Porque a pessoa não vai lhe convencer ou dizer que não sabe a resposta. Quem vai adivinhar como se vive anos e anos, com tanta virose, corrupção, mentira, tapeação, bala perdida, exploração... ruindade!

2- Nunca telefone ou visite um idoso entre 12h e 16h. TODO idoso gosta de descansar nesse período sagrado.

3- Jamais conte um problema ao idoso. Ele vai poder ajudar? Também não seja o problema do idoso: é covardia. Ele não vai ter como se defender.

4- Nunca interfira na decisão do idoso: se ele decidiu ser enterrado ou cremado. Não fique reclamando do preço da cremação. Concorde na hora. Nem fique agourando e perguntando o que a família deve escrever por cima do túmulo.

5- Nunca diga ao idoso: essa história você já me contou dez vezes. Diga a ele que a história é interessante e o ajude a resumi-la. Ele vai entender que a história é conhecida!

6- Não estimule o idoso a se lembrar de um fato que lhe cause sofrimento. Desvie sempre a tristeza para o lado bom de tudo.

7- Não explore a disponibilidade do idoso, lembre-se que ele já trabalhou muito e hoje não tem mais resistência, saúde e vigor para tomar conta de problemas e cachorros... dos outros.

8- Mude o canal da TV quando assunto é desgraça!

9- Ao visitar o idoso, leve algo que lhe faça bem à saúde: boa conversa, estímulos, boas notícias... palavras cruzadas, linha para crochê... uma fruta que ele possa consumir... um livro. Nas festas de aniversário e Natal, seja criativo! Chega de tanto pijama e chinelo.

10- Lembre-se: a pessoa idosa tem todo direito à felicidade e não vai ser você que vai atormentar os derradeiros dias da vida de ninguém. Exercite a gratidão, o perdão, a solidariedade e chega de despejar os lixos de traumas, tristezas antigas e carências na caçamba que a vida cismou de colocar na porta de quem luta para resistir às intempéries.

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MINHA FANTASIA

Estou fantasiada de mim mesmo,
eu mereço,
escolhi o brilho, a serpentina
e o perfume proibido
das palavras sacrificadas
pela ditadura do silêncio.
Nos braços, como adereço,
pendurei o protesto dos abraços
que nunca foram dados a esmo,
porque a vida censurou!
Na cabeça, fixei o esplendor
dos pensamentos
que valeram a pena arquivar,
os outros,
aqueles que me fizeram sofrer
todo tipo de mal,
foram sapateados pelo bloco
do meu eu vencedor
no último carnaval.

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_i/Ivone_Boechat.htm


IRAÍ VERDAN
Piabetá -Magé(RJ) Brasil

   OS SENTIMENTOS

      Deus ao criar o homem, dotou-o de todas as qualidades e necessidades essenciais que o caracterizou como a Obra Prima do Criador. Essas qualidades seriam primordiais para que o mesmo pudesse sentir a vida, em toda a sua extensão, isto é, plenamente!
      Como maior dádiva, deu-lhe a razão e a inteligência que o tornou entre todos os seres racional, único ser consciente e capaz de discernir entre o bem e o mal; que pode recriar a sua própria vida, no aprimoramento de sua maneira de viver.
     Ao homem, apenas a este, foi-lhe dado o poder de sentir todas as coisas: de pensar, falar, sorrir, alegrar-se, chorar, entristecer-se, sentir a dor e cuidar dela, etc...; de manifestar as emoções e os sentimentos das maneiras mais diversas.
      Ao homem, deu-lhe também o Criador, a maior de todas as dádivas: o espírito e a alma, a vontade própria, o livre arbítrio, que proporciona à sua escolha;uma vida terrena e a espiritual: a vida eterna.
      Entre as dádivas do homem, nos sentimentos está a capacidade de Amar e de se sentir amado; de compreender e de ser compreendido; de compreender a dança lenta e maravilhosa do amor na sua vida.
      É na maneira de sentir as coisas, de valorizar seus próprios sentimentos que o homem demonstra sua grandeza e nobreza de caráter, onde este pode conquistar um alto grau como essência humana. Uma pessoa que não sabe sentir, ou não sabe perceber seus próprios sentimentos, não conseguiu ainda experimentar a verdadeira essência do sabor da vida: o Viver.
      Os Sentimentos são, no meu modo de percebê-los, como um grande despertador, colocado bem no centro do nosso corpo, que não marca hora nenhuma, mas, marca com precisão os momentos, e que, dispara toda vez que uma forte emoção nos sacode para a vida. Esse “despertador”, não desperta com a mesma sonoridade em todas as pessoas, porque, nem todas elas já desenvolveram suas capacidades de sentir os valores que completam a vida, e a torna plena, com possibilidades infindas, infinitamente ilimitável cada dia mais e mais.
      Sentir as coisas boas da vida e as más também é nutrir grandes sentimentos. E é uma graça ainda não alcançada por todas as pessoas. Só pode ser alcançada e desenvolvida, quando associada pela vontade de amar ao próximo como a si mesmo e a Deus sobre todas as coisas; compreender, perdoar, confiar e aceitar as imperfeições próprias do ser humano.
      Nutrir um grande sentimento, mesmo que este esteja acompanhado por um sofrimento qualquer, não é uma desventura, e sim, uma demonstração de uma grande capacidade de assimilar e aceitar as imperfeições próprias de cada um. Ter sensibilidade e solidariedade aos sentimentos alheios é um grande ideal de perfeição do ser humano.
                                   
IvaEvlyn Day
(Pseudônimo da escritora Iraí Verdan)
Piabetá-Magé-RJ, 25 de fevereiro de 1985.

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_i/Irai_Verdan.htm

IZABEL PAKES
Cerquilho(SP)Brasil

SENSAÇÕES

Sinto tocar-me a aura,
de repente e constante,
num instante qualquer do dia,
uma aragem mensageira
 impregnada de sensações...
Ora tépida, ora fria...
Ora benevolência, ora melancolia.
Como extratos de sabores desiguais
misturam-se em meu âmago, levedam-se
e o que fica é um gosto indefinível,
qualquer coisa de mosto ácido e amargo
respingado de mel e salpicado de sal.
Resta filtrar-me, reter apenas o mel e o sal,
retemperar-me. Retemperar...
E que a mesma aragem faça chegar...

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_i/Isabel_Pakes.htm

  ISABEL C S VARGAS

Pelotas(RS)Brasil

                                       O DESTINO DE KELLY                                          
                                                                 
             Certo dia ao ir a em seu mecânico para consertar a moto, Tadeu deparou-se com um ajudante da oficina que não conhecia. Era novo ali. Parecia meio imaturo no falar e nas atitudes. Enquanto aguardava ficou conversando com o rapaz que lhe confidenciou que precisava de uns trocos para comprar uns “bagulhos”. Foi, então, que Tadeu percebeu que o que observara não era imaturidade, mas alguém agindo sob efeito de alguma substância não legal em todos os sentidos. Mais surpreso ficou quando o jovem ofereceu para ele comprar sua mascote que não tinha condições de cuidar, pois não tinha quem ficasse com ela e não poderia levá-la sempre para o trabalho, conforme lhe advertira o empregador.

               Tadeu nem pensou muito, de imediato tratou o valor e levou consigo o animalzinho. Uma cachorra baia, de raça. Em sua família haviam perdido o mascote que tinham. Foi fácil aceitarem a nova companheira, que passou a morar em sua casa. Deram-lhe nome, arrumaram um cantinho para ela que logo se tornou pequeno devido ao seu tamanho avantajado.

               Era uma cachorra dócil, amiga, companheira. Convivia pacificamente com a gata que a família de Tadeu já possuía.

              Certa vez ela fugiu, Ficaram desesperados, mas logo a encontraram.

          Outra ocasião passou meses em uma outra casa onde morava o pai de seus filhotes. Voltou para casa. Mas a estada em outra casa logo se repetiu. Foi fazer companhia para a avó de Tadeu em um bairro distante. Passados alguns meses ela fugiu.

           Aí, como já se mostravam desinteressados pela companhia do pobre animal não se interessaram em procurar. Deram-na como desaparecida e fim de história.

         Uma pessoa amiga não se conformou com o sumiço da cachorra. Com a permissão dos donos, ou ex-donos, passou a procurá-la. Fez cartazes e colocou nos postes no bairro onde ela estava antes de desaparecer. Colocou avisos e cartazes nos bares.   Não demorou muito para um telefonema indicar onde estava a fujona. Lá foi Mariana pegar a companheira, pois como ela frequentava assiduamente a casa de Tadeu, ela tinha além de intimidade profundo carinho pela Kelly (esse é seu nome).

      Constatou que era uma senhora sozinha que a tinha encontrado. A princípio assustara-se pelo seu tamanho, mas logo percebeu seu temperamento dócil e amigo. Morava dentro da casa e fazia-lhe companhia. Entregou, não sem pesar para Mariana que também sentiu pena da solidão da senhora. Até pensou em deixar Kelly com ela, mas seu sentimento falou mais alto. Levou-a consigo. Ficou com ela. Era sua companheira também. Circunstâncias a fizeram mudar de sua casa para um apartamento, impossibilitando a permanência de Kelly no local devido às regras do condomínio.

      Quando abaixo os olhos e a vejo estendida aos meus pés, questiono o que o destino ainda lhe reservará?

¨¨¨¨  ¨¨¨¨  ¨¨¨¨
SOU...

Sou pouco e sou muito.
Sou um simples ser mortal,
Sou o sopro divino que habita em todos nós.
Sou minha carga genética,
Sou o que vivencio,
Sou o meio que me acolhe,
 Sou minhas escolhas
 Sou o tanto de sonho
 Que me torna sempre viva,
As recordações que me inspiram,
 A esperança que me empurra para frente,
 A voz que ora cala, ora grita
 E, muitas vezes, silencia
 Para não espantar os que me cercam.
Sou essa voz interior
Que nas piores horas sussurra em meu ouvido,
Dá-me força, levanta-me e não deixa sucumbir.

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_i/Isabel_C_S_Vargas.htm

JOÃO P.C. FURTADO

CLANDESTINOS OU REFUGIADOS
Praia - 25/01/2014

C-Casas continuam amontoadas
L-Longe de não serem barracas
A-A procura do direito de trabalhar
N-Na ânsia de ter o digno pão
D-Deixa pouco ou nenhum orgulho
E-E no mar da incerteza nada
S-Sabendo que é verdadeiramente nada
T-Tudo que tem são duas vazias mãos
I-Imaginação morta de uma vida melhor e...
N-No rosto duas lágrimas e um lamento, ele é
O-O Verbo que se fez pobre e habitou nesta Civilização
S-Sonhada e criada pelo vil metal.

O-O momento é de Guerra ou Guerra ou nenhuma PAZ
U-Uns morrem, outros morrem, alguns se refugiam e... Morrem...

R-Refletiam-se nos rios e pareciam iguais
E-Espelho se criou e nele viram a diferença
F-Formaram conceitos e preconceito criaram
U-Uma lógica inventada onde iguais são desiguais
G-Guerrearam e batalharam e pelejaram
I-Irracionais tornaram em soldados agricultores e meninos
A-A pouca comida que havia alimentaram a fome
D-Destruídos, suas mulheres e seus filhos a Lampedusa foram
O-Os sonhos da vida melhor que a África das guerra
S-Sufocaram no grande Mediterrâneo dos deuses!

¨¨¨¨  ¨¨¨¨  ¨¨¨¨

A LENDA DE NELSON MANDELA

N-Naquele tempo, depois de ser abolida a escravidão e a alegria enchia a terra
E-Eles, os mais poderosos, sempre orgulhosos e sedentos de riqueza e poder
L-Lentamente criaram uma nova divisão entre os homens, pela cor da pele
S-Sentiu-se mais no sul da África, num pais chamado África de Sul
O-Os da cor branca chegaram a achar que eram melhores que os da outra cor, foi quando
N-Nasceu um homem que se sentia livre e igual a todos os homens

M-Mesmo depois de ser preso e separado de toda a sociedade, para não falar
A-A sua alma livre e nobre continuou tão livre que compreendeu até quem
N-Num desesperado ato de perseverar o apartheid, era assim que chamava aquela
D-Doutrina que separava homens, mulheres e crianças pela cor da pele
E-E tanto falou e mostrou que todos éramos e somos iguais e devemos ser
L-Livres perante o Deus, a Justiça, a dignidade, a educação e a saúde que venceu... E...
A-Assim nasceu mais uma lenda na África e chamou-se NELSON MANDELA!

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_j/JOAO_FURTADO.htm

JOSÉ HILTON ROSA

AMIZADE

Sincera é aquela que te fala.
Fala de muitas coisas.
Amizade é sincera quando pode ser,
sem ódio nem culpa.

Amigo é o tempo,
aquele que corrige com o passar.
Seus passos não soam,
no calar da noite.

O silencio é seu amigo,
sem dúvida nem medo,
somente avisa,
que juntos chegarão.

Amizade é estar juntos,
sorrindo, gritando, chorando ou orando.
Sua voz é sempre calma,
no saber mútuo.

De longe se vê,
no encontro se abraçam,
no passar da hora assustam.
Já é hora de chegar.
Até outro dia...

¨¨¨¨  ¨¨¨¨  ¨¨¨¨

QUEM SERÁ?

São somente dois,
nós não vemos nada.
Nada podemos ver, se
não queremos enxergar,
aquilo que podemos.
Não somente vemos,
aquilo que queremos.

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_j/Jose_Hilton_Rosa-1.htm

JOÃO BOSCO

A VIAGEM DE MEUS CANTARES
Do livro “TOCATAS”.

Ansioso,
Pergunto a mim e à minh’alma:
Que agora solto pro universo
Como doces melodias?
E carregados de ternura e nostalgia,
Partindo agora vão,
Ostentado fidalguia?
Até, reitero insistente,
Para onde e até onde irão essas amadas criações
Em poéticas fantasias,
Como a mais doce ambrosia,
Em busca de sincronias em tons e cores deslumbrantes,
Em delírios inebriantes, vagando em ciclos inconstantes?
Vão, tocatas poéticas,
De porta em porta,
De mundo em mundo,
Navegando no tempo
E pelo tempo
Que os infinitos continuarão a marcar.
Com lágrimas nos olhos
Antecipadas saudades n’alma e tristeza nas artérias,
Dou adeus a estas minhas alegorias utópicas,
Nascidas de imaginações e inspirações,
Indo-se libertas pelos labirintos siderais.
Voltarão, algum dia, com as mesmas eufonias?
Seguirão por outros ciclos
E com iguais euforias?
Adeus, cantares!
Se envolverem de delícias algum sensível vivo ser,
Ofereçam-lhe um abraço de afeto, amor,
Paz e bem-querer.

¨¨¨¨¨ ¨¨¨¨  ¨¨¨¨

O MENINO-SOL.

      Não se soube como, quando nem de onde veio. Ele chegou, simplesmente. Surgiu-se, derrepentemente.
Magrinho, vestindo pequeno short branco e camiseta branquinha como nuvens puras.

     Sua doce face era orvalhada por gotinhas de água, como se fora gotas de cristal. Não mostrava manchas de sujeiras de criança. Levantava e baixava a cabecinha; e a virava delicadamente para os lados, quando falava e parava de falar.

Era lindo!

   Não! Era belíssimo nos seus três anos aparentes de vida: olhos, entre o verde e o azul, cintilando horizontes de luzes; cabelos de sol, em reflexos de sol, no seu amarelo-ouro mais brilhante; mãos pequeninas, suaves e tímidas incapazes de disfarçarem o encanto sutil nelas ostentado.

   Corpo de imaginário anjo celestial, delicadamente suavizado; pele ligeiramente amorenada, querendo ir para uma tonalidade sertaneja, mais para uma doce cor parda leve, pura e delicadamente tenra.

    Era a beleza plena, em toda sua total e atualizada perfeição.
Parado.
        Estava parado em frente da casa e falando: sinto muito frio.
Que linda criança!

    Dir-se-ia, seria o Pequeno Príncipe pousando no nordeste, se tivessem lido a história de Antoine de Saint-Exupéry; tal eram o esplêndido e elegante porte e a purificada beleza daquele menino-sol.

- Quem é você?
- Onde está sua mãe?
- E seu pai?
- De onde vem você?
- Você chegou aqui, agora? Com quem veio?
- Qual é o seu nome?

     Somente movimentava a cabeça, quando falava; os braços, mãos e dedos para apontar os mais distantes e indefinidos lugares; os olhos, só para mostrar e provar que eles eram estranhamente belos e magistrais; e o pesinho direito, quando reiterava o que dizia.

    O barulho das pessoas presentes aumentou e todos os habitantes do lugarejo vieram ver, de pertinho, o menino, já o aclamando como menino-sol.

    Tomou, aparentemente, um pouquinho de leite e mastigou, magicamente, um pedacinho de queijo e, de imediato, adormeceu nos braços da mais velha, melhor e mais carinhosa mãe do povoado, que já o ninava e cantava, com sua adorada voz de mãe adorada, a canção de ninar mais tocantemente emocional e maviosa que a tradição daquela aldeia cantava.

    Muitas pessoas passaram a noite na varanda, olhando, analisando e amando aquele momento-noite de felicidade jamais acontecida nem imaginada.

    Quando a madrugada abriu sua porta, quase todos ainda dormiam. Mas alguém disse gritando que ele não mais estava a repousar em qualquer cantinho da casa. Ele, procurado por todos, não mais estava em lugar nenhum; nem da casa nem nas suas proximidades.

    E as pessoas deram-se as mãos, ajoelharam-se e rezaram a DEUS, a Nossa Senhora do Rosário, a São João Batista, a São Francisco e a São João Bosco, agradecendo por aquele momento, indagando-se, pedindo explicações e a clamarem, prometendo melhoras comportamentais.

- Onde está ele?
- Você o está vendo agora?
- Para onde foi ele?
- E o que ele queria, então?
- Que veio nos dizer ou lembrar?

    Quando a tarde veio vindo e o sol mostrou-se com toda sua pomposidade dourada, alguém percebeu um feixe de reflexos mais douradamente forte, no alto do Serrote, no meio do Rio São Francisco, do lado oposto ao poente sol.

    E todos perceberam que lá, realmente, havia uma pequena e esplêndida cruz, tão ou mais ofuscante que o sol.

  Correram todos em corpos e olhares e, imediatamente, ecoou um ohhhhhh... por todos os lados e lugares, de susto, respeito e admiração.

 E, em verdade encantada, lá estava o menino-sol, de bracinhos abertos em cintilante cruz, olhando fitadamente o alto dos céus, com que afrontando sutilmente o sol, imaginando-se sol, querendo ser sol e mostrando a todos que ele também era um extraordinário sol, muito mais cintilante que o nosso sol.

  E a multidão, sem qualquer outra opção de adoração ou de louvação, ajoelhou-se todamente contrita e explodindo emoções por todos os poros, comandada pelos bons valores cristão, que se impunham com dignidade naquela diminuta vila, mas crescente em fé e respeito a DEUS.

  E, ansiosos, todos contritos, esperaram a voz e as palavras que o menino-sol parecia dizer e todas as pessoas acreditavam estar a ouvi-las e a entendê-las, mas, na verdade, ninguém ouvia som nenhum: tudo era tocante e magicamente encantante e entendível.

  E, ao depois, o menino-sol somente era silêncio retumbante e sublimação. E o menino-sol continuou a ser silêncio de voz e reflexos áureos, os mais brilhantes e mais dourados, por toda a noite.

  E, por todos os dias seguintes, só ficou a magistral visão; a inexplicável imaginação da lembrança.

 Não se sabe se todas as pessoas presentes acordaram ou se o menino-sol desurgiu ainda mais instantaneamente do que surgiu.

 - Teria sido o próprio DEUS? Não! Todos ali acreditaram e afirmaram não merecer a dígna visita de DEUS, ainda que encantadamente.

 - Foi Jesus Cristo, o Filho VIVO de DEUS?
- O Divino Espírito Santo?
- Ou apenas um anjo especial?
- Sua mensagem não poderia ser mais clara?

  - Com que objetivo teria vindo a esse lugar tão pequeno, tão distante, tão abandonado, mas tão confuso e indeciso?

  - Por que tanto brilho, infinitamente inimaginável, até então?
  - Por que tanto mistério e encantamento?

   Diante das incontáveis indagações sem respostas claras e efetivas, somente restou para cada uma das pessoas, o escutar da sua própria consciência; o perguntar-se sobre o porquê desse acontecimento fantástico e, após, cada um arrumar seu pacote de ponderadas conclusões, partir para redirecionar suas ações, palavras, atitudes, objetivos, metas e razões, na busca de uma vida mais aperfeiçoada, organizada ou mesmo uma reconstrução pessoal e comunitária; em perfeição e dignidade e de edificante alegria; de muita saúde; de boa e tranquila convivência familiar e comunitária; de mais construtiva paz, calcada no mérito, no equilíbrio, na nobreza humana, na judiciosidade, no respeito e no amor cristão e fraternal recíproco, leal e crescente.


JOANA RODRIGUES

AQUI COMEÇA A FELICIDADE

Muito me encanta este lugar,
Com cheiro de mato molhado,
De brisa meiga e aroma adoçado;
Um lugar que a todos encanta,
Como encanta o meu Ceará.

Nesta paz tão imaginada,
Ponho-me a contemplar, as coisas do meu cariri,
E convenço-me, que a minha felicidade começa aqui;
Perto do verde das matas, e das águas deste recinto,
Sinto a grandeza do Criador a embalar meu pensamento.

Aqui, me envolvo em lindas montanhas,
Deleito-me no berço da Araripe,
Ganho a paz, em forma de mimos e manhas;
E, junto com a minha paixão,
Curto a graça, do oásis do meu sertão.

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À BICA DE IPÚ

Aí está,
incrustada na serra... Esplêndida, inesgotável, fulgente, farta...
Exaltando a magnificência da natureza:
Em cintilantes gotas, em momentos iluminados...
Notados em afagos e mimos, ao leito da Ibiapaba.
Esbanjando graça e encantos, à densa terra alencarina,
Que banhou Iracema e inspirou Patativa, e, ainda fascina Renato Aragão.
É a mão ampla de Deus, por terras ditas infecundas,
Estendendo bênçãos, vestidas em águas,
Brotadas e despejadas, pela majestosa bica de ipú.
É um monumento notável, pelos sentimentos que geram e embalam:
Sonhos, amores e ilusões.
Tudo tão perfeito, como tudo é perfeito no meu Ceará.
Aí está,
incrustada na serra... Esplêndida, inesgotável, fulgente, farta...

A Bica de Ipú.

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_j/Joana_Rodrigues.htm

JOSÉ LUIZ DA LUZ

CANTO DA TERRA

Eu sou a terra: A mãe, a fecundidade!
Foi gerado o homem no meu ventre de lama.
Também binomia com voracidade.
Meu leite alimenta, mas meu fogo inflama.

No delírio das sementes sob a leiva.
Dou vida às árvores, e mel para flores,
sabor aos frutos, e força para seiva.
Mas sem vida, tudo abarco em meus pendores.

E veio a mulher, fecunda e divinal.
Pois sou o puro ventre de gestação.
O fundamento da vida original.
Pelo sopro de Deus, eu sou a razão.

Dou o lar: Desde as cavernas primitivas,
às hodiernas habitações que acobertam.
Dou as fontes, para sanar sedes vivas.
Sou a senda dos suores, que despertam.

Tudo brota do meu ventre desposado.
A videira, a gleba, até a própria taça.
E a mim, tudo volta, sem vida, ensecado.
A vida na morte, em meu seio entrelaça.

Sou a mãe que fomenta os filhos da terra.
O sustento que farta, a veste que cobre.
O berço de toda vida que se encerra.
Eu sou a terra, a esfera azul: Eu sou nobre!

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_j/Jose_Luiz_da_Luz.htm

JANETE SALES
(DANY)

EU FITO AS ESTRELAS DE PERTO!

Caminho na direção do horizonte
Liberdade é beber água na fonte
Carrego o orgulho do que eu sou
Muitos perguntam aonde eu vou

Prezo o meu pai; amo o meu filho!
Não me desvio jamais deste trilho
Nas noites escuras e outras de lua
Você já me viu caminhando na rua

O meu olhar dissimula um sofrimento
De ver que muitos teimam um silêncio
Como adormecer o terrível holocausto?
Pensamentos que me deixam exausto

Observo que ainda há tanto preconceito
Meu coração se revolta ansioso no peito
O certo mostra que não segue em frente
Padeço com as lágrimas da minha gente

Elimina toda angustia minha Santa Sara!
Confio e sei que ela não nos desampara
Sigo apesar de toda esta constante luta
Eu jamais irei desviar a minha conduta

Deves saber quem eu sou e sem engano
Coragem e fé há no meu coração cigano
O meu ânimo se exprime no céu aberto
Desta forma eu fito as estrelas de perto

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_j/Janete_Sales.htm

KEDMA O’LIVER

EI! PSIU!

EI! Psssiu!
O poeta está falando.
Descrevendo sobre a vida
E o dia a dia contando.

EI! Psssiu!
Preste atenção em quem declama.
Fique em silêncio...respeite.
Ele faz aquilo que ama.

EI! Psssiu!
Ouça a bela canção
que preenche o ambiente
aquecendo o coração.

Faceiro fica o músico
ao ver o público se agitar
acompanhando a canção
com o corpo a bailar.

E o melhor tributo ao poeta,
quando em um sarau,
é o silêncio da escuta
e o aplauso ao final.


 ¨¨¨¨  ¨¨¨¨  ¨¨¨¨

OLHOS TRAIÇOEIROS

Enredo-me procurando rumo
no teu doce versejar
colocado de forma tal
que acelera meu pulsar
deixando nos lábios
um doce sonhar.

Embalo-me em tua falta de sentido
detenho-me nos versos lidos
enlevo-me em tuas verdades
que são constantes,

delirantes,
zombeteiras, dúbias,
reprimindo todas as vontades...

Miro-te.

Disfarço com um sorriso,
todo querer,
 demonstro nada sentir,
finjo alegria
olhando teus olhos...

Ah! Esses olhos...
traiçoeiros,
perseguem teus passos
cativo de teus traços,
hipnóticos me chamam...
e sonham...

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_k/Kedma_Oliver.htm

LARA LEAL
Laje do Muriaé (RJ) Brasil
       
A PROFESSORA DE LITERATURA            

            Entre fumantes, táxis, ônibus, pessoas pequenas que choram, pessoas grandes que choram, pessoas pequenas que vendem coisas pela rua, lá vai ela. Todos os dias, passa pela mesma avenida, por outra avenida, por outra, por outra, e, de novo, por aquela primeira, mas ainda não chega em casa. A professora de Literatura carrega sonhos nos seus vinte e poucos anos, e eles ficam pesados, a cada dia, mas ela não os abandona. Cumprida suas tarefas diárias, a professora, olhando as estrelas, sentada numa poltrona de transporte público, pensa se vale a pena tantos sacrifícios, porque, à medida que lê mais e mais, e observa mais e mais,  descobre que a vida de toda aquela gente que divide o transporte público com ela, é mais importante que os versos dos livros que carrega em sua pasta. A jovem professora quer levar as palavras para fora dos livros.          
            Ela, a professora, recita Bandeira, Leminski, Drummond, Gullar... Vê verdade nos poemas. Vê vida na poesia. Mas a poesia –que boba- a poesia não tem vida. Quem têm vida são as pessoas que a cumprimentam nas pobres casas de seu bairro bem cedo, quando ela enfrenta as primeiras horas da manhã. Essas pessoas são tão boas, vivendo sob abóbodas celestes, novenas e discutindo sobre o preço do tomate. Ela quer falar de literatura para os filhos dessas pessoas, quer mostrar a eles que os seus pais estão dentro da poesia, todos eles são reis dentro da poesia.        
            À noite, quer descansar, mas também quer respostas. Não quer que a vida passe, passando por ela e indo embora, sem ter dito o que veio fazer aqui. Entrega-se aos livros, e, naturalmente, mais uma vez, à poesia. A poesia a leva à certeza de que não há uma verdade. Por que tanto fascínio? Ela não compreende. Precisa dormir, acorda cedo. Dorme, de novo, sem compreender. Um dia novo recomeça. Ela reflete sobre a necessidade de olhar as horas no relógio, enquanto espera torradas molhadas no café, numa padaria onde trabalham pessoas cujas vidas são mais importantes que a poesia, que todos aqueles livros que costumam cair dos seus frágeis braços, quando ela precisa correr para pegar o ônibus que está passando e passa. Foi-se. O ônibus não espera, a vida não espera. Ela quer viver.        
            Ela quer viver ao lado de pessoas com as quais ela possa trocar afeto na forma mais autêntica de se trocar afeto: sem entender o porquê. Na sala de aula, ela reflete sobre isso, enquanto duas pré-adolescentes conversam sobre o mais novo aparelho de telefone móvel, fabricado nos Estados Unidos. Ela não acha que isso seja mais importante que a poesia. Ela aprendeu isso lendo nos poemas.  Carregando uma centelha de luz dentro de si, feliz, ela volta para casa. Não percebe os escarros, as avenidas, os maus cheiros, os assobios, as frases infames. Compreende que é preciso disseminar o amor, o afeto, a poesia... Só assim perceberão que o olhar do senhor de oitenta e dois anos que, agora, divide a poltrona do transporte público com ela, é mais importante que a poesia. Ela se agarra aos seus livros, tendo-os como tesouros que guardam vida. Sim, vida.            

Lara Leal    


LETÍCIA DE JESUS SOUZA FARIA

A RODA DO PARQUE

Era uma vez aquela menina
que girava na roda do parque
usava saia e cabelo comprido
sempre alegre com seu amigo
e que na verdade não o era
mas era assim que ela o chamava.

Um dia como outro qualquer
a menina girando na roda
estava pensando na vida
e então seu amigo chamou.
Disse a ele que havia enjoado
de girar tanto na velha roda
e o menino ficou admirado
porque para ela, a roda era uma moda.

Imagina a sinceridade da menina
tão pura e inocente
e o menino sem muito entender
ficou ali sem saber o que fazer
até que chega a solução
a mãe da menina e seu irmão.

Já entendendo tudo
foi ao encontro da pequena
e sugeriu que brincasse na gangorra
mas agora era outra história
a menina disse que não saía da roda
e começou a chorar
porque da roda, queria se livrar.

Coitada da menina
a mãe foi ajudar
e logo percebeu
o que de fato aconteceu
a saia estava presa
em um pedaço de madeira da roda
mas isso por acaso era motivo
da pobrezinha chorar?

Sim, era a saia preferida.
Não, porque ela tinha outras iguais.
Mesmo assim nunca mais brincou na roda
nem entrou naquele parque
Só ficava observando
as crianças brincando de longe.

Não se sabe mais da menina
dizem que desapareceu
fugiu para um deserto distante
e lá sem saia nenhuma
gira na roda a todo instante.

     (Letícia de Jesus Souza Faria-20/02/2014)


LEOMÁRIA MENDES SOBRINHO
Salvador Brasil

SEGURANÇA NA INTERNET

Se quer navegar na internet com segurança,
Não esqueça de seguir este passinho:
Fique sempre ligadinho,
Respeite sempre as crianças,
Pense antes de escrever,
Ou de qualquer vídeo postar.
Na net devemos aprender,
Mais também temos que ensinar.
A Safer Net dá as dicas.
A Web é para se aproveitar,
Absorver informações e críticas,
E com criatividade se integrar.

¨¨¨¨  ¨¨¨¨  ¨¨¨¨

GRITO DE MULHER

Ai meu Deus, porque meu Grito não é ouvido?
Eu choro a morte de cada filho em cada lar.
Eu sofro o coração do mundo pelas injustiças.
Há! A minha voz, mesmo sem som é longa.
O vácuo do infinito dissipa-se em luz.
Meu lamento transpira a desordem louca...
Não vejo o coração das pessoas, por quê?
Não há mais tempo para isso. Tudo é urgente, em emergência.
Socorro! A quem peço socorro?
Não há ninguém! Não há ninguém!
Meu Grito de Mulher, mesmo cansado ainda possui forças.
Meu Grito de Mulher , tem coragem.
Jamais pensei ser tão destemida.
Sobrevivo às catástrofes da natureza.
Sobrevivo à ganância do homem, porque sou filha, sou mãe e sou Mulher.
Exijo que parem todos e pensem que tudo está ao contrário.
Vamos mudar o rumo, a direção.
Vamos começar novamente a vida.
Nós Mulheres, merecemos a atenção da sociedade.
- Nós queremos respeito.
-Nós queremos espaço.
-Nós queremos dignidade.
-Nós exigimos a paz.
Nós Mulheres queremos em nosso espaço mais respeito pela dignidade e a paz.
Somos Mulheres livres tanto quanto...
E a nossa liberdade estende-se à intelectualidade, á espiritualidade...
Todos somos iguais perante Deus e aos homens.
Mais somos as senhoras, as geradoras da vida.
Não podem nos dominar fisicamente, pois precisarão sempre de nós.
Soluço a compaixão pelos indefesos e desamparados.
Eles não tem culpa e não pediram isso...
-Mulheres, precisamos vencer esta luta constante de trabalho pela apasiguação
dos ânimos familiares,
Fiscalizando os nossos filhos e nossos maridos para o caminho do bem.
Meu Grito de Mulher que batalha contra as divergências de pensamento que
São motivos suficientes para as desavenças, gerando competições absurdas.
-Não ao capitalismo! Ele não é mais importante que a saúde dos meus pais.
Eles já doaram as suas vidas ao país.
Nós não somos uma família?
O País não é uma grande família?
O Mundo não é uma enorme família?
-Grito! Grito! Grito até não existir mais a fonte da vida.
Grito de Mulher calejada contra regras inadequadas e contra as várias violências.
Será que é porque somos sensíveis?
Será que nós não percebemos os enganos?
Somos sentimentais a oferecermos os nossos ombros para que descansem.
Somos sábias para fazê-los mudarem de ideia aos melhores propósitos.
Compreendemos as suas dores e lhes aconselhamos com o nosso Grito de Mulher.

 Leomária Mendes Sobrinho
 12 de fevereiro de 2014

https://sites.google.com/site/revistalermax/

LULI COUTINHO
Taiaçupeba - Mogi das Cruzes (SP) Brasil

TÃO MEU!

Um arco-íris de flores
Tão meu! Palavras são ausentes...
Enfeite dos meus dissabores, meus dias
Apenas o silêncio envolve a mente

Devaneio ser a maresia
Que deságua desalentos ao vento
Como a leveza de uma poesia
Penetrante ao meu pensamento

Eis, surgirem de repente arrebatando minh'alma
Mudos como uma estrela brilhante
Aqueles anseios, descasos, quem sabe do breu?
Aspirações, devaneios frustrantes
Desejos tolos, tantos segredos meus!

Um arco-íris de flores
Aonde Deus me ouve e entende o que ficou
Que eu possa chorar tanto até sorrir das dores
Morrer de amor por um tempo que errou!?

Recanto das Letras
Código do texto: T4654774

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A BRANCA PAZ!
28/05/13

Nuvens de espumas desmanchadas
Misturam-se aos véus das noites nuas e enluaradas!
Um odor envolvente de brancos lírios sugere paz absoluta
Trazida pela maresia de sonhos cálidos abarcados pelo amor

E a vida se transforma em sentimentos leves e calmos...
Uma alquimia de luz flutuante entre flores e musselina branca
Cerca minha alma de magia como a música que acaricia
Envolvendo meu corpo numa excitante brisa vinda do ar

Há neste lugar a atmosfera da branca Paz!
Eis que abarco e espreito num preito que mereço
Como a essência do sol e a claridade de lua
Que me trazem vida e inspiração a minha poesia.

Recanto das Letras
 Código do texto: T4313384

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_l/Luli_Coutinho.htm

LEANDRO FLORES
Belo Horizonte(MG) Brasil

AH, SE O MUNDO SOUBESSE...
29/10/2012

Das coisas que acontecem antes do dia raiar!
Que a lua é toda minha e dorme aqui comigo de conchinha,
Sem nenhuma estrela para contar...

Ah, se o mundo soubesse o que a poetisa me confessou!
Que a beleza de tão bela por ela se apaixonou...
E que antes de me conhecer não sabia o que era amor.

Ah, o amor!
Se o mundo soubesse por quem ele se apaixonou!
Para quem o sol oferece todo o seu esplendor...

Que o prazer é todo meu...
E o desejo sem seus beijos não tem nenhum ensejo...
Ah, se o mundo soubesse que o poeta nunca mente,

Que a verdade é a melhor amiga da gente
E a inveja uma demente, insistente...
Ah, se o mundo soubesse que quando ela parte,

Parte de mim se parte e não cola jamais.
E a saudade aquela bandida, sempre vem atrás
Para roubar-me a paz...

¨¨¨¨  ¨¨¨¨  ¨¨¨¨
O SERTÃO PODE SOCORRO

Em todo canto que se olha
Já não se enxerga mais o verde da esperança,
Apenas o cinza da realidade,
Nua e crua.

O sertão padece, carece de chuvas,
De sonhos e também de soluções.
O sol castiga, instiga a terra a ser dura,
Cruel e mortal com quem lhe quer bem...

Como é grande, rude, amargo esse meu sertão!
Ao mesmo tempo pequeno, frágil, carente
E dependente de coisas que em outros lugares
São tão fartos...

Ah, se chovesse BEM este ano para plantar feijão,
Mandioca, milho e capim para criação!
Esse ano vai ser de lascar, a barragem ta secando,
O gado ta morrendo, o pasto da acabando...
Senhor manda chuva, senão o bicho vai pegar!

O sertão pede socorro.
E seu grito ecoa esquecido, abafado,
Ignorado pela imensidão de preconceito e descriminação.

E essa seca histórica que perdura, maltrata, assusta, preocupa...?

Até quando!
Até quando, meu Deus?!

Mas...

Apesar de tudo ainda há risos!
Apesar de tudo ainda há São João!
Apesar de tudo esse povo é feliz!
Apesar de tudo sou mais sertão!!

Leandro Flores

LUIZ ANTONIO SOUTO
Cerquilho(SP) Brasil

AH! COMO GOSTO DE TE BEIJAR
 21/10/2012

Ah! Como gosto de te beijar...
E sei que você também gosta.
Quando começo, não sei parar,
Apostei nisso e sempre ganhei essa aposta.

Beijo é a intimidade elevada ao extremo:
Só de lembrar que vou te beijar,
Em minha base, eu tremo.
Então, como parar?

Não me sobra outra alternativa:
Ao roubar de ti, todo o teu ar,
E tentar te sufocar com tanto ardor,

Eu mato tua sede com minha saliva,
Nesse gostoso ato de te beijar
E te devolvo à vida, meu querido amor!

¨¨¨¨  ¨¨¨¨  ¨¨¨¨

MEDO DE SOFRER
 28/07/2012

Hoje vou me deitar mais cedo,
Estou sem sono, estou com medo!
Medo de te perder,...
Sei que vou chorar,
Sem te amar,
Medo de sofrer...

A esperança é a ultima que morre
Mas só ela me socorre!
Medo de enlouquecer...
Longe de você amor
Vai ser só dissabor,
Medo de sofrer...

Não quero ver você partir
E de joelhos vou lhe pedir:
Não deixe isso acontecer,
Eu lhe imploro, por favor,
Não me deixe, amor!
Tanto medo de sofrer...

Se você não me ouvir
E para longe de mim partir,
O que vai me acontecer? Ah! Podes crer,
Nenhum medo mais terei,
Medroso, nunca mais serei,
Mas de amor, sei que vou morrer!

Luiz Antonio Souto

LUIZ PÁDUA

UM SONHO IMPOSSÍVEL

 Sonho...
Um sonho de amor impossível
Irreverente, irracional
Incrível, Passional

Sonho...
Com meu plectro
Eu pleonasmo
Minha plenitude
Minha quietude

Sonho...
Você vindo do Pára mo
Surgido das nuvens
Etéreo em mistérios

 Sonho...
Realidade
Nem sei mais a verdade
Da alucinante paixão que me invade

Sonho...
Sufoco nesse langor
Estremeço enterneço
Ah! Acordado não te mereço

 Sonho...
Desejo embriagador
Horas coloridas de amor
Quero irrigá-lo com meu calor

Sonho...
Sonho dormindo
Acordado
Amor tresvariado.

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_l/Luiz_de_Carvalho_Padua.htm

LENA FERREIRA

TANGENDO NUVENS

      Enquanto um vento-menino, brandindo o seu chicote de plumas, suave, brinca de tanger as nuvens esparsas de um céu azulejado, permito-me um observar quase sensato sobre as imagens diversas que se me apresentam em impacto. Figuras das mais várias formas se formam em poucos instantes e, quase no mesmo instante, outra forma e outra vez. Talvez só para lembrar que, da mesma forma que as nuvens, na vida tudo muda, tudo é transformação e, muitas vezes, independe de mim...e de tu, e de vós...
     Então, re-corro ao maço de folha em branco e com o pensar franco, abraço essa inspiração como sendo uma tábua de  salvação. E apontando impressões, escrevo, rabisco e escrevo de novo o que devo e não devo, o que penso, o que sinto, o que invento e o extinto; fotografo emoções.
   Sensações que, percorrendo as veias, geram memórias cheias, esvaziando a razão. Onde a solução?           Onde me fiz refém? Ah, coração...Aquieta-te no peito e daremos um jeito nessa nossa questão: ou freamos o vento-garoto que, brincando, tange as nuvens do nosso destino ou mudamos também...

¨¨¨¨  ¨¨¨¨  ¨¨¨¨

SOU-TE

      E quando vens, me abraças com palavras mansas, ternas como a brisa levemente salmourada, quase, quase maresia- essa mesma que me beija quando em mares, poesia. - Tanto orgulho de ser seu mar, assim, idêntico em conflito...Marés tantas, ondas fartas; falta-me o ar, confesso, muitas vezes, mas não resisto a esse amar intenso e insano, tão inteiro e tão distinto...
    Há vezes, penso tanto, penso muito...Um pensar inconcluso, tão confuso que nem sei se um de nós é o infinito ou se é somente pelo atrito da areia entre os dedos que a razão, que julgo vasta, escasseia e, pelos vãos, vão os segredos...
   Mas quando vens entre sussurros tão macios e alarmas meus verões, cobrindo-me com suados arrepios, mudando o fuso, o eixo e o mundo, acordando outras estações já dormentes no meu peito, que livres da clausura, incitam variadas explosões, deliro!
   Ah...Não sou a primeira, sei bem, mas te digo, despida de pudores e vestida de ternura: dia e noite, noite e dia, sou-te, inteira, sem escudo ou armadura...

Lena Ferreira

LUIZ MENEZES DE MIRANDA

PSEUDOPERSONA

Ah! duplo caráter, rouba o que é meu
rouba o meu espaço, rouba o meu poema
mas a minha dignidade continua intacta
usa tua farsa, mas nunca te aposses
da minha personalidade
usa das asas do meu poema,
mesmo assim, afirmo,
não aprendes a versar.

O meu poema é mito, que criei nutrido
alimentado pelo essência da minha poesia.

Olha aqui, seu pulha,
tenta romper o céu com tua miopia,
mas sua farsa morta deixa teu roubo triste
livra o meu poema, das tuas amarguras
cura-te, canalha, da tua falsa poesia.

Vem, meu poema, rasga essa mortalha
quebra o teu encanto,
canto o teu canto meu poema triste
infeliz pela farsa de um falso poeta
que lhe alimenta com seus versos corrompidos.

Volta meu poema,
volta a teu seio e canta sem receio
volta ao teu ninho.
volta a ser a minha inspiração
meu eterno poema passarinho.

¨¨¨¨  ¨¨¨¨  ¨¨¨¨

LIVRO

Não quero conselho, não quero virtude,
não quero privacidade.
Não matem minha fome, não grifem o meu nome,
ensinem-me a viver.

Não apelidem meu eu, não apaguem meus sonhos,
não culpem meus pais, eles não são produto do meio.
Não atem minhas  mãos, não me privem a caneta,
não calem o grito que ecoam  meus dedos.

Não se apossem de mim, não firam meu ego,
eu tenho uma arma, eu posso lutar.

É fácil iludir, concordo, é fácil mentir, contesto,
o tempo passa, ele fica, difícil é ceder .

Eu quero a liberdade  de  ter uma livro nas mãos
e  viajar na leitura sem que nada me impeça.

É a  arma que tenho, é bem  poderosa,
não mata, educa.
Encarcerem-me,  até permito.
Ficando meus livros, nada eu perdi.

Luiz Menezes de Miranda

MONICA YVONNE ROSENBERG

Feliz
Feliz eu seria
Se tu me amasses
Se tu ficasseis
Sempre perto de mim

Feliz eu seria
Se a vida fosse
Amar e ser amado
E nada mais.

¨¨¨¨¨ ¨¨¨¨¨ ¨¨¨¨
Ateu I

Ser ateu é ser sem
'Fé, crença e guia

Ser ateu é não ter
Guarita, amor e vida

Ser ateué não ter
Saúdepois não cre

Ser ateu é não ter
A mão que te apoia

Ser ateu é não se gostar
É não ter pegadas na areia

Deus tudo nos dá
Ser ateu, não sei
Mas nunca desejei

Ser.

Monica Yvonne Rosenberg
Embaixadora da Paz - Geneve- France

MORA ALVES

A mãe natureza chora, há muito tempo
Que o concreto cinzento, encobre o verde
Dos campos, calando o silêncio das matas.
Rasgando o céu com seus arranha-céus
A vida se divide, é o progresso chegando.
Existe dentro de  cada um de nós
Uma promessa de que a vida se renove
Em cada semente plantada, brotando no
Coração do homem a paz tão sonhada.

 http://www.caestamosnos.org/autores/autores_m/Mora_Alves.htm

MARIO REZENDE

INESQUECÍVEL

Inesquecíveis os seus olhos,
olhos inesquecíveis os seus.
Como esquecer esses olhos?
Olhos que também são meus.

Inesquecíveis os seus beijos,
beijos inesquecíveis os seus.
Como posso esquecer os beijos?
Beijos que você me deu.

Inesquecível a boca quente e úmida
abrigo  da língua querida,
que com a minha brincava,
feliz, recebia e dava.

Inesquecível o seu corpo,
corpo inesquecível o seu.
Como posso esquecer esse corpo?
Corpo que muito amor me deu.

Inesquecível você é.
Momentos inesquecíveis os nossos.
Como posso esquecer o amor,
que este homem contigo viveu?

¨¨¨¨  ¨¨¨¨  ¨¨¨¨
JANELA

Debruçado na janela dos meus olhos
eu vejo nosso ninho de amor.
Olhando pela janela dos meus sonhos,
Ah, como é bom viver e continuar esse amor!
Olhando através da janela do passado,
vivo procurando alguma coisa
que eu poderia ter mudado,
que deveria ter vivido
ou devesse ter esquecido.
Olhando pela janela do futuro,
cheio de esperança,
eu só procuro, consciente das minhas limitações,
encontrar, naquele escuro,
nossas mãos entrelaçadas, caminhando
embaladas pelo amor.

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_m/MARIO_REZENDE.htm

MARINA GENTILE
 Salvador - Bahia - Brasil

UM ETERNO AMOR

Sinto sua presença,
Nas coisas simples e singelas,
Sinto sua presença no cair de uma folhinha,
No raiar das manhãs, no sopro do vento,
O sinto em todos os momentos.

E ainda escuto sua voz, sinto seu abraço,
Contemplo seu olhar, o seu respirar no universo,
Em versos, versejando todos os meus dias,
Sinto eternamente sua presença, com alegria.

Aconchego-me em silêncio,
Envolvida pela saudade,
Dou um sorriso dentro do coração,
Suas lembranças são meu teto e meu chão.

Marina Gentile

MARISA SCHMIDT

FÉRIAS DE VERÃO

Atrás da serra há um mundo que bem conheço
ele é feito de ruídos, relógio, correria e tropeço
de gente que carrega sua ansiedade na estrada
vivendo como se amanhã já não houvesse nada

Na frente da serra há a praia de um mar sereno
e o silêncio é o amigo que de manhã dá aceno
às gaivotas em voo, ao caiçara que busca peixe
enquanto o quero-quero lança mais palha ao feixe

Nos meses quentes de verão a serra traz da cidade
carros e malas e gente que fogem desabalados
como bichos prisioneiros que sonham com liberdade

E todos despencam na praia em algazarra e bulício
com sacos, garrafas, esteiras e os corpos desbotados
enquanto o velho caiçara muda de pouso e ofício...

¨¨¨¨  ¨¨¨¨ ¨¨¨¨

OBELISCO

Na verdade, pouco importa
se toda esperança morta
jaz na pobre vala comum

Amar traz sempre o risco
de se construir obelisco
ao herói de feito algum

São sonhos e tolas quimeras
como aves que na primavera
seguem o perfume da estação

E que ao fim esquecem o ninho
porque o destino do passarinho
é buscar sempre nova direção...

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_m/Marisa_Schmidt.htm

MÍRIAN WARTTUSCH

APRENDENDO

Foi tua vida, triste e mal vivida?
Esteve o fracasso, sempre em teu encalço?
Os teus amores se tornaram em dores?
- Perdidas lutas, desiguais disputas... -

Sentiste o logro? - Faz parte do jogo -
Pois quebrar a cara, não é coisa rara...
Ideais frustrados, novos almejados.
Tudo é vivência, tenhais paciência...

Perdas não existem; os fracos,sim,desistem.
É querer parar, e a vida empurrar...
Tempo é de refletir... e de saber agir...

Cair e levantar, de novo caminhar...
Por favor desperta, acorda, esteja alerta!
Saiba que viveste, e assim aprendeste!

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_m/Mirian_Warttusch.htm

MANUEL LAPA

É NATAL DENTRO DE NÓS

      Não é numa ou duas horas que se consegue arquitectar uma ideia, que perdure, do modo de proceder daquelas pessoas que se pavoneiam pelos amplos corredores – avenidas pedonais repletas de transeuntes – que parecem satisfazer a sua ânsia deslocando-se constantemente. Vivi e tentei apreciar o procedimento das pessoas descontraídas dentro do enorme e desconcertante Centro Comercial da cidade de Brasília. Valeu a 
pena!

   As pessoas entram nos estabelecimentos e saem tão rapidamente quanto entraram, sem apreciarem qualquer mercadoria, mas apenas exibindo a sua presença. São feiras de vaidade, mostras de exuberância, bem mais 
vigorosa, ainda que menos sofisticada, do que aquela que apreciamos nos "modestos" estabelecimentos "El Corte Inglés" europeus.

    Perder todo um dia naquele ambiente, tomar lá as suas refeições, ler o jornal sentado numa esplanada que se estende ao longo do corredor de maior dimensão, descansar as pernas naquela espécie de banco de jardim, no jardim suspenso do interior do edifício, que enfatiza um ambiente de características tropicais, fica-se com uma sensação de abulia total, como abúlica é a presença daquela gente no interior do repositório, diria, da "maior vaidade do mundo".

    Não se pretende, em monstros comerciais desta estirpe, resolver necessidades das pessoas que aí se deslocam, mas criar nelas necessidades com que ainda nem tenham sonhado. O consumidor não procura aquilo de que precisa, mas sucumbe à embriaguez da necessidade de comprar coisas.

 O hiperconsumidor (como designa Gilles Lipovetsky)
(1) procura a dimensão participativa de sensações e emoções ainda não sentidas. Não é já o comprar pelo prazer de comprar, mas obter, a qualquer preço, sensações emotivas, benéficas ou não, que o inebriam.

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    Mas nem todos os sentimentos de altruísmo foram aniquilados. Sentada num desses típicos bancos de jardim instalados no interior do centro comercial, encontrava-se uma senhora com o seu filhote de pouco mais de dois ou três anos. Quando me aproximei, lentamente, observando tudo o que podia, a criança salta à minha frente e, levantando os bracitos, rindo, pede-me colo. Acedi, sob o olhar de felicidade da mãe que sorria. 

     Com a criança nos braços, fazendo-me festas na barba e, agitada, saltitando de contente, gritava: – “Papai Noel! Papai Noel! Papai Noel!...”Não o desiludi. Confirmei que, sim senhor, era o Papai Noel e que ele tinha que se portar bem se queria ganhar o presente de Natal. 

      Respondeu-me que se portava bem e que mamãe sabia. Argumentei que não era preciso perguntar a mamãe porque se via nos olhos dele quanto falava verdade. Ficou espantado, com os olhitos esbugalhadamente abertos, e eu aproveitei para lhe inquirir o que desejava ganhar do Papai Noel. Pronta 
resposta da criança, que me deixou sem qualquer reacção. Fiquei mais infantilizado que aquele bebé. Ele pede-me: – "Sara o papai".

     Fiquei estarrecido. A mãe veio em meu auxílio e explicou que o marido estava muito doente, mas já livre de perigo. Tivera um acidente de viatura.

    Dei-lhe um beijo e prometi-lhe que papai iria sarar bem depressa. Não tendo ali outra coisa, fui com ele à pastelaria ao lado e, com a anuência da mãe, ofereci-lhe um pacotinho de bombons.

Foi para o colo da mãe e seguiram o seu destino. Eu fiquei naquele banco de jardim, comovido, sem forças para dar mais um passo. Era já noite quando voltei a casa. Quando saboreamos carinho, é Natal dentro de nós... vivemos amor.

1) Lipovetsky, Gilles. A Felicidade Paradoxal. - Ensaio sobre a sociedade de hiperconsumo. Ed. Companhia das Letras, Lisboa, 2008, 1º reimpressão.

Manuel Lapa
Coimbra, Outubro de 2010
Texto retirado quase integralmente da publicação do autor:
"E Se um Cão Vadio de repente pudesse escrever?"
Publicado por "MinervaCoimbra" 2010.

MARISA CAJADO

A FORÇA DA PAZ

A paz tem uma força imensa
Que a desavença
Não tem força pra deter.
É chama que mais e mais se alteia
Ativa, é energia que incendeia
A alma de quem a quer reter.

Certo é, não se constrói sobre a intriga
Esta cruel inimiga
Que teima em persistir.
Porém a paz, esta doce amiga
É a persistente mão que nos abriga
E sempre haverá de resistir.

Sinta amigo, esta força que o abraça
O ego, a intriga sempre passa,
Não deixe a paz fugir.
Vem meu amigo, a paz o chama
Paz é chama de luz que se esparrama
No ontem, no hoje, no porvir.

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A NELSON MANDELA

Olhei o céu
Uma pomba voava.
Um lenço branco
Na Terra acenava.
Era o pranto
Do povo que ficava
Órfão deste amor
Que tanto amava.

E a luz branca
Ganhou  altura
Livrou-se do cansaço

Deixou a armadura
Galgou o espaço
E em sua alvura
Integrou-se aos astros.

 http://www.caestamosnos.org/autores/autores_m/Marisa_Cajado.htm

MALUDE MACIEL

BELEZA INTERIOR

      O ser humano costuma impressionar-se facilmente, afeiçoar-se e até apaixonar-se com o que lhe parece agradável à visão. Uma carinha bonita, um sorriso e uma palavrinha amável (masculina ou feminina), já têm feito grandes estragos emocionais por aí a fora, enganando os incautos. Alguns ditados populares alertam para o engodo, como: “O que os olhos não veem o coração não sente”, “Quem vê cara não vê coração”, “As aparências enganam”; outros ainda vão mais profundamente: “O essencial é invisível aos olhos”. Porém, apesar de tudo, exemplos de pessoas bonitas fisicamente com identidade enganosa são vistos cotidianamente e, sempre para levar vantagem às vítimas da ocasião.

     A personagem Aline, de novela recente demonstrou essa ilusão e falta de caráter.

     A conquista tem seus mistérios, pois o conquistador procura os pontos fracos para atacar e fisgar o conquistado. Inteligentemente usa diversos truques, fantasias, frases adequadas e vão em frente, no seu intento. As armadilhas, os ardis utilizados quase sempre são estudados minunciosamente a fim de atingir de cheio o alvo desejado.

    A própria Sagrada Escritura nos ensina a sermos cautelosos contra os espertalhões, porém, nunca estamos preparados e o fator surpresa nos pega de “peito aberto”. Assim, o vilão chega de mansinho, com suavidade e arte manhas para não espantar a presa. Isso se observa nos filmes, na natureza animal, nos enredos de romances literários, etc.

    Infelizmente a sociedade está cada dia valorizando esse tipo de prática, dizendo que os fins justificam os meios e chamando de “sabidos” aqueles que se aperfeiçoam nessas coisas ruins. A sinceridade, a franqueza, a verdade e a crítica construtiva estão perdendo lugar para a bajulação, o aparato social e a hipocrisia. Ninguém quer “criar problema” e se omite em expressar seu pensamento, sua opinião franca sobre determinado assunto, mesmo sabendo estar certo, com a desculpa de não magoar ou simplesmente se poupar de implicações. Todos querem sair bem na foto e assim se omitem e se deixam levar pelo bom papo. Uma mentirinha, um fingimento ou desculpa esfarrapada vão fazendo a cabeça das crianças que num instante pegam a malícia e aperfeiçoam a tática de driblar situações e daí nasce o trapaceiro e o corrupto.

   Em nome de uma educação sem pulso e até do amor, muita gente ( pais e educadores em geral) peca por omissão, fica em cima do muro, leva na valsa, deixa como estar para ver como é que fica; apenas por pura covardia e uma tolerância descabida.

   No entanto sabe-se que: “Por falta de um grito se perde uma boiada” e vale nadar contra a corrente, embora seja dureza, mas o sacrifício será recompensado.

E se o novo padrão de beleza fosse a inteligência e a integridade moral?

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_m/Malude_Maciel.htm

MAURICIO DUARTE (DIVYAM ANURAGI)

O CORAÇÃO DO MUNDO

Doces rusgas de namorados,
destinos destilados em aguardentes,
cadáveres de generais apodrecendo,
turbas de pedintes,
claves de sol no ar,
quebras de mar na praia à noite,
levas de ouriços,
um não sei quê de morte.
Tudo está a um passo de acabar
e é tão eterno ao mesmo tempo
que eu poderia alcançar com minhas mãos
o inefável do instante último
da minha incompreensão.
Quadros virados ao contrário,
a marcha violenta dos soldados de barro,
o amor envolto em culpa,
o deslize das pernas na cama,
a lenda das mulas sem cabeça,
o croqui que não termina,
o som das paradas, em silêncio, nas conversas,
a corte dos palhaços em êxtase.
Eis a multidão de sonhos
em profusão geométrica
que avança a cada estocada no coito.
Doses de cachaça não farão diferença,
o coração do mundo está de volta.

¨¨¨¨  ¨¨¨¨  ¨¨¨¨
O QUE É POESIA?

A poesia é como um fardo.
Um fardo que só se revela na fartura.
Mas o que seria de mim
se eu estivesse livre dessa feiura?
Sim, porque é feia.

É exuberante, eu sei, peca pelo excesso de fratura,
mas não comunica senão suavidades.
Suavidades essas que desembocam numa fissura.
Digo que seja feia porque
estabelece pontos numa fritura.
Frita miolos com intestinos
e da cabeça com a barriga surge uma formosura.
Mas que diabos?
Quanta mesura!
Usei de tantos termos
para chegar a tal usura!

Mauricio Duarte (Divyam Anuragi)

MARINHO GIL

LIBERDADE

Foram anos dolorosos que vivi
Rastejando o teu amor versos afora...
Tantas rimas tristes que eu nem senti
Minha vida findando de hora em hora.

Foram sonetos, todos de causar dó,
Foram lágrimas rolando rio abaixo...
Foram serenatas de uma nota só,
Foi uma crueldade, viu? É o que acho.

Hoje estou liberto - juro, nem sei como!
Não te quero mais, prefiro o abandono
Do que ter pra todo sempre este revés.

Não te julgo fútil, somente lamento
Esses anos que passei em sofrimento
Por te amar... Sem nem saber - pasmem! - quem és.

¨¨¨¨  ¨¨¨¨  ¨¨¨¨
DROGAS

Um convite, uma droga, o inicio
De uma vida totalmente atribulada...
Um mergulho no mar revolto do vicio,
Ostracismo, solidão, choro e mais nada.

Uma juventude sem realidade,
Sem passado, sem futuro, sem presente.
Uma total falta de capacidade
Para se livrar do vicio permanente.

Uma crise de abstinência, um assalto,
Uma família no carro em sobressalto!
De repente um tiro na escuridão...

Uma morte na conta da sociedade
Que ainda tem a vil capacidade
De pedir - do uso - a liberação.

Marinho Gil

MARDILÊ FRIEDRICH FABRE

O AMOR ESTÁ EM TODOS OS LUGARES

O amor nasce com o arrebol,
Baila com o calor do sol,
Descansa na praça florida,
Beija a asa da ave ferida,
Viaja ao vento p´ra outra terra,
Volta pela rota da serra,
Resplandece à luz do luar,
Molha-se nas águas do mar,
Viceja ao chegar a primavera,
Pensa que sua vida é quimera,
Pousa no vidro da janela,
Sofre no coração da donzela...

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_m/Mardile_Friedrich_Fabre.htm

MAGALI OLIVEIRA

O RENASCER
 Março de 2013

Cada dia é um recomeço
Recomeço de alegrias, de tristezas.
De momentos de solidão, decepção
e falta de compreensão.

Ando tão cansada de tantas amarguras
Tantas mágoas, palavras que machucam.
Ambos os lados deixando fissuras.
Feridas que não cicatrizam.

Queria reverter este quadro
De abandono, de mágoas, de sofrimento.
Parar de reclamar, de ser machucada e machucar.
De chorar, chorar e chorar...

Meu coração só deseja amar, amar e amar...
Ser amada, de sorrir e ser acolhida.
Com abraços sem mágoas
De desejar e ser desejada.

É uma mistura de sentimentos
Que muitos nem podem entender!
Sentimentos vividos
Diante do medo do renascer...

 http://www.caestamosnos.org/autores/autores_m/Maria_Magali_Miguel_de_Oliveira.htm

MARIA JOSÉ ZOVICO

 O GRITO

Sozinha, pregada ao cais do porto,
Um grito rouco morre na garganta...
Meu olhar misto de perdido e absorto...
Vejo o barco afastando...  A mágoa é tanta!

O grito ecoa na alma e na solidão...  
Não consigo sentir mais dor nem ais! ...
Foi de tanto amor... Porém tudo em vão!
Porque bem sei não voltarás jamais!...

Não imaginei que fosse terminar assim!
A saudade se incrusta em meu coração
E o grito abafado, levarei enfim...

Ah! Mesmo que grite, não escutarás!...
Estás longe demais... Te perdeste de mim!...
Malograrei... E tu, como viverás?

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_m/Maria_Jose_Zovico_Rosada.htm

MARIA DA CONCEIÇÃO RODRIGUES MOREIRA
(MARIA MOREIRA)

AOS AMIGOS DE SEMPRE

Amigos são coisas de amor
São bençãos que vem do alto
Lágrimas que molham o chão
E fertiliza a terra.

Colheitas de bem estar
Flores que se reveste em cores.
Altares de comunhão
Amigos são !

De graças revestem nossas vidas
Com carinho e acolhida
com amor saram feridas
Sem amigos ninguém é feliz
Em minha vida, bons amigos fiz!

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_m/MARIA_MOREIRA.htm

MARIA JOÃO BRITO DE SOUSA

RAZÕES PARA A RAZÃO DO NASCIMENTO DE UM POEMA
02/02/2014 - 09h58min

(Soneto em decassílabo heróico)

Agita-se no ar, sonda a razão,
Decide-se a nascer e, num rompante,
Acrescenta-se à carne e faz-se mão,
Mudando a direcção do próprio instante

Por vezes, já senhor da situação,
Desdobra-se e, crescendo triunfante,
Não mede mais razão que a sensação
De ousar uma função muito importante?

Assim nasce o poema, assim me doma
Com força de que eu própria desconheço
Razões pr`á compulsão de que me toma

Ao gerar sensações que já nem meço,
Pois dá-se em mil razões, mais mil lhes soma,
E impõe-me sempre mais que as que eu lhe peço?

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_m/Maria_Joao_Brito_de_Sousa.htm
NÍDIA VARGAS POTSCH
Rio de Janeiro - Brasil

"Onde quer que vás, leve teu coração!" (Confúcio)

NÓS GÓRDIOS
Agosto de 2012

Por instantes, tudo dói no coração.
Não se prenda a breve passado,
Só tristezas e ilusões lhe trouxeram.

 Lembranças revivem sofrimentos
Libere sua alma para escapar ilesa
Vôos descortinam novos rumos.

Com novas sensações e razões
 Para viver sua busca essencial
Sem pensar em tropeços, falhas.

Não se aliene, esqueça a rotina,
A mesmice, o dia a dia, acorde!
Não deixe a corda cheia de nós...

Remendos se fazem necessários,
Emendas e fiapos retorcidos, não.
 A Luz que nos cuida nos faz brilhar!

@Mensageir@

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_n/Nidia_Vargas.htm

NEUSA MARILDA MUCCI

SAUDADE

Em mais um alvorecer
quando o dia abriu suas cortinas,
divisei nas flores
que semi adormecidas,
espreguiçavam-se
no tranquilo jardim,
leves gotas de orvalho
que a noite da saudade
teimou em roubar
de mim...
                         
¨¨¨ ¨¨¨ ¨¨¨¨
LUZ E SOM

Com a luz do sol
vou pintando sensações,
faço formas retas
e curvos
corações
Preencho todo o espaço,
em arabescos, grifando,
neles coloco laços
para o mundo ir enfeitando
Recrio assim meu viver
arte pura e sem pretensão,
arremato tudo numa partitura
compondo à vida,
uma nova
 canção

Neusa Marilda Mucci

NADILCE BEATRIZ

HÁ DIÁLOGO NO PARAÍSO

Quando eu chegar ao paraíso
Estarei nua e coberta de surpresas
Estarei a gestar-me
Porque chego sem pedir licença
Passarei a escutar-te
Porque estarás a rir-se do tempo
Tu, que marcas presença
Nas chegadas e partidas
Agora que chego ris do momento

Veja que nas nuvens há fendas
Meus passos ainda deixam marcas
Cheguei para unir-me
Deixar-me tocar pela verdade
Não mais repousarei sem descanso
E tu, oculta-me  o teor do infinito
Justo agora que alcancei maturidade
Queres dar-me as consequências...
Mas em meu livro tudo está escrito

Quando eu chegar ao paraíso
Andarei pelas flores já cultivadas
Ouvirei sussurros dos colibris gordos
Criados nos dias que tanto esperei
São feitos de arco-íris
Rebentos de sonhos sem nostalgias
E tu, ris porque sempre chorei
Meu coração sempre parou nas manhãs
Perdoa, mas alço meu voo com ousadia

É simples, mero, meigo...
Compartilho um pedaço da asa de um anjo
Num gesto de adeus
Esta casa não me é estranha
E tu a rir-se das minhas conjeturas
Não chego para morrer abandonada
Sem berço, sem mãe, sob a eterna montanha
Esparramo minh'alma numa prece
E tu a rir-se... Diz-me, bem vinda minha amada!

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_n/NADILCE_BEATRIZ.htm

ODENIR FERRO

CRONOLOGIA SOCIAL

      Está sendo extremamente agradável! Muito estimulante mesmo, no tocante a um profundo estado de sublime amor –, poder acordar bem cedo, – e de madrugada mesmo, vir sentindo no corpo e na alma, através do CORPO ESPIRITUAL DA ALMA DA VIDA, as vibrações mais sensíveis, mais tocantes, profundamente tocantes, no todo do tudo que há “nestes quês” que atuam nas trocas de Calendários – de um ano para outro, e que se registram nas histórias do passado... Dando passagem ao novo ano que se inicia. E tudo, em tudo, se repte. Embora em tudo no todo, se renova, se transforma, se reforma, se impulsiona, seguindo avante...
      Mas, acima de tudo e apesar de tudo, este todo está sendo aconchegante. Gratificante mesmo, enquanto estamos podendo sentir o despertar da consciência, indo de encontro àquela tão tranquila paz – sabendo mesmo, que apesar de tudo, a Natureza ainda perdura – e tudo se renova ininterruptamente, transitando novamente, embora de maneiras diferentes... No mesmo lugar!
      O sol voltou a brilhar... Amém! A lua e as estrelas, (as mesmas de sempre... e, tão magnificamente lindas!), mas, que figuraram nesta noite passada. E também já se foram para longe do alcance da nossa visão. Muito embora saibamos, que elas regressarão logo, logo, dentro do seu novo e tão antigo ciclo.              Dentro de mais uma nova noite que se iniciará. E esta nova noite, será o complemento deste novo dia (tão especial para nós) que se iniciou. Pois esta nova noite, será a primeira noite do ano novo que se iniciou.      E tudo se completa, dentro de todos os mistérios dos nossos complementos.
     As nuvens passam... Tão morosas, passam... E o dia, clareia tudo e todos nós. Dentro da vida continuando o seu ininterrupto processo de criar-se ao recriar-se a si mesma, dentro do continum ad infinitum deste todo que faz parte do processo das existências... Rumando-se aos incógnitos da Eternidade...!
    Cá onde estou, posso ver no mais alto pinheiro, um adormecido e tranquilo pássaro a balançar-se ao vento. Enquanto os ponteiros dos pinheiros entrecruzam-se entre si mesmos.
    O sol vai clareando ainda mais, prometendo dissipar as carregadas nuvens que ainda insistem, em formarem-se adjuntas, para mais uma nova tempestade!
    O clima é de calmaria. E o dia é de paz!
    O roseiral está florido. As flores se multiplicaram pelos campestres bucólicos. Distribuindo-se em cores, a perderem-se de vista. Uma parte do céu se refez em brancas nuvens; enquanto que do outro lado, a tempestade vai gradualmente e aos poucos, se dissipando. E a terra está úmida, devido à recente chuva caída.
    O Planeta se desperta em ato contínuo e ininterrupto! E o dia primeiro de Janeiro de 2014, já começa a dar os seus magníficos instintivos impulsos de eterna beleza produzida através da continuidade a mais, neste novo ano que se iniciou a questão de poucas horas. E tudo é tão profundo, tudo é tão amoroso, tudo é tão lindo! Dentro deste mágico percurso atuante através das vidas que se renovam, e anseiam a plenitude, através da esperança, da fé, dos amores e dos sonhos...
   O dia transcorre normal e moroso. Sem chuvas. Ao menos, no local onde estou.
   Vem a noite lentamente... Enquanto que o dia, este, para mim passou muito rápido.
   O sol já se esconde no horizonte, novamente. Perdura um silêncio no ar. O dia foi muito quente. E a noite promete, também, continuar muito quente; com um céu aberto repleto de estrelas (as mesmas de sempre, muito embora sempre lindas e enigmáticas... misteriosas, tais iguais às mulheres) e a lua também, tão feminal... E o que mais se falar delas, além do que os loucos, os apaixonados e os poetas já disseram dela?      Muito, creio eu... Pois que as mulheres, a lua e as estrelas, são sempre as mesmas. Iguais, ininterruptas, embora sempre tão diferentes, convergentes, enfim, tudo o mais... Encantadoras que são! Iguais às sereias...    Serão elas, a realidade, os mitos, ou as fábulas?
   Somente digo que ela renasce como uma Phoenix poderosa, vindo através dos milênios! Amparando-nos ao alegrarmo-nos, dentro da profundidade solitária da nossa alma humana! E que vive a busca de elucidar os mistérios indesvendáveis provenientes da criação divinal.
  A lua, esta musa encantadora, renasce dentro do sistema de si mesma. Para iluminar a continuidade tão encantadoramente poética... E igual, avante, e dentro deste novo ano que chegou...!
  E o Tempo, é um exímio amigo conselheiro da História.
  Apesar de vivermos dentro de uma constante imperfeição – aonde as sociedades humanas se integram e se interagem e se infringem e se afligem se de gradeiam, e se matam e se reconstroem dentro do teor insano inerente às suas próprias ignorâncias – apesar de tudo, vamos interagindo e integrando-nos, através dos padrões injustos, irracionais, insanos – aonde o tempo vai passando e repassando e apaziguando todas as nossas chagas... Todas as nossas dores humanas, tão incompreensíveis, até, de nós mesmos... Dentro das circunstâncias vividas dentro de todos os nossos desamores... De todas as nossas vulnerabilidades. De todas as nossas instabilidades emocionais... Fazendo com que tudo se lave e se cure e se cristalize, – com se fossem, o nosso conjunto sociocultural vivencial, tal qual igual às brancas areias que se lavam com os contínuos vais e vens de todas as ondas dos mares.
  A Natureza é perfeita. E a Natureza Humana, busca dentro de si, um “quê” de perfeição, que já existe dentro de cada um de nós! E que, se não está adormecido, está ausente de uns, abundante em outros. Formando uma cronologia social desenvolvida por sérios desajustes, desacertos, e que devemos e podemos rapidamente, corrigi-los.

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_o/ODENIR_FERRO.htm

OLEG ANDRÉEV ALMEIDA

MEMÓRIAS DUM HIPERBÓREO

(fragmentos)

II

Eu nasci muito longe daqui,
lá no norte severo,
na terra beata dos hiperbóreos
além deste mar bravio situada,
inatingível.
Ando a bendizê-la em honra da minha gente...
Uns estão mortos e não se importam com nada,
os outros, ainda vivos, lembram da época de orgulho
e trazem, iguais a mim, um peso na consciência.
Não me deixem mentir, meus irmãos:
havia quem os tachasse de fúteis,
havia, sim, quem acusasse de tudo quanto era pecado
ou simplesmente zombasse dos seus costumes;
mas não se desanimavam vocês – em resposta,
viviam de modo que mesmo o pior dos malogros lhes dava razão,
com gosto e ousadia viviam.
Límpidas eram as águas do meu país,
férteis os campos
e abundantes as safras dele.
Na minha casa, se bem que tivesse um só andar,
comiam-se ótimas carnes e pães excelentes,
bebiam-se vinhos de uva e de maçã,
cada dia, usavam-se finas toalhas e pratos ornamentados.
Tanto assim que, se vira, naquela altura,
uma menina chorando de fome,
descrera dos olhos – faz manha por ter perdido
sua boneca precária! –
ou, consternado, também chorara.
Distantes da minha realidade,
a fome, a peste, a guerra e outros horrores
serviam de tema às conversas da ágora
e de espantalho para crianças,
naquela altura.
Onde estará tudo isso:
águas e safras e zombarias,
dor do meu peito e chave da minha porta,
destroços do meu passado?

¨¨¨¨  ¨¨¨¨  ¨¨¨¨
Hoje estou lasso demais, faraó!
Não perguntes por quê,
atribui a vertigem que sinto
ao gelo das minhas recordações, que flutua na décima taça de ponche,
às flautas de Pã, cujo som lastimoso tortura os meus ouvidos,
e, quando me tratas afavelmente, ao medo de teu rancor.
Atribui-a, supremo, à febre que me sacode,
ao calor tropical, ao cansaço, a qualquer coisa,
e, caso não aches plausível
nenhum dos motivos da minha tristeza intempestiva,
manda bater os pandeiros e tímpanos,
faz as morenas esbeltas dançarem à luz dos archotes vermelhos,
que torna diáfana sua nudez,
e ordena ao mordomo falto de zelo
que jogue no fogo incenso e mirra às pazadas,
até se desvanecer o aroma da pátria minha
nos aposentos dourados de teu palácio.
(...)

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_o/Oleg_Almeida.htm

PRISCILA DE LOUREIRO COELHO

IRRESISTÍVEL FASCÍNIO

                    O som espalhava-se pelo ambiente, de modo suave e envolvente. Não havia possibilidade de não se deixar levar pelos acordes melodiosos que seduziam os sentidos de todo aquele que ali chegasse.
                    A música tem o incrível dom de nos transportar através do tempo. Parece romper  a linha divisória entre presente, passado e futuro, criando assim uma dimensão à parte onde tudo está ao alcance daquele que ousar permanecer de tocaia nesta fenda da eternidade...
                    A musicalidade está contida na fração de cada momento e a vida pulsa em sintonia com os acordes, sussurrando com delicadeza o segredo da existência. Ah! Benditas sejas a tolerância e a paciência que possibilitam a dádiva da percepção. E haja força e determinação!
                   A pianista insistia em fazer-se ouvir, como se houvesse urgência em desabafar alguma emoção contida que lhe afligia a alma, ou quem sabe apenas manifestasse a docilidade do amor ao dar vazão ao sentimento que impregnava cada nota musical elaborada.
                  O ambiente parecia estar de sobreaviso, captando a atenção de quem ali chegasse de modo a torná-lo incapaz de perceber outro sentir que não este amor desesperado e louco, mas ao mesmo tempo doce e terno, que provinha da melodia suave que vibrava por todo o recinto.
                  Ah! O inexorável culto à emoção! Ritual sagrado em que se grava no espaço atemporal  a espessura do amor; amor que ecoará para sempre tal qual as estrelas no céu. Assim se persegue o intangível, espreitando com vagar o estranho dom do existir...
                  Quanto mais a melodia se intensificava mais suave o pulsar do coração. Não se pode explicar a natureza da paixão, é mistério que ninguém desvenda,  nem mesmo quando se está apaixonado! Segredos que o Universo abriga,  e sorrateiro entrega ao firmamento, sabedor que o tempo ali não pode se impor.
                  Havia algo no ar, que junto à sonoridade se espalhava tomando conta do lugar. A casa era grande, espaçosa, possuía diversos cômodos, todos bem arejados, apresentando uma decoração colonial, tão romântica quanto acolhedora. Podia-se pressentir o toque delicado de algum sentimento ainda não definido, embora intenso, que pairava por toda a atmosfera deste lar.
                  Por um segundo uma pausa, rigorosamente, dentro do compasso. Foi quando ele chegou. Silenciosamente abriu a porta da frente, e seus passos foram macios e abafados, ao caminhar sobre os tapetes coloridos. Sorrateiro esgueirou-se até a sala de visita onde o piano se alojava e de onde provinha o som que o encantava.
                Aproximou-se devagarzinho e sem ruído, olhando fixamente para a mulher que executava com propriedade o som que o atraíra até lá. Finalmente a enlaçou por trás.
                De imediato ela soube que era ele. Não se virou e nem se preocupou em suspender o que fazia. Ao contrário empenhou-se mais em executar com perfeição e sentimento a partitura que conduzia com desenvoltura seus dedos sobre o teclado.
               Ele apenas sussurrou em seu ouvido o amor que o alimentava e que buscava partilhar nesta noite especial, deixando-a antever a intensidade de seu desejo.
               Então, como se houvessem ensaiado até a exaustão, ambos se beijaram e a casa toda, embora na penumbra, transformou-se num palco iluminado, aonde o recital ia se encerrando deliciosamente sem pressa alguma.
               A noite estava apenas começando e o amor exibia toda a vitalidade que a mocidade lhe confere. Aos poucos o silencio invadiu a sala para depois acompanhar o som da paixão que sobrepôs os últimos acordes que escaparam do piano.
              Na sala de visita, do casarão colonial, podia-se ouvir apenas o som de respirações
ofegantes, embalando o som da noite que se aproveitou da oportunidade para silenciar-se também.
              E quando a madrugada rendeu a noite, havia apenas a lembrança do som que o piano emitiu e a melodiosa presença do amor.

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_p/Priscila_Loureiro_Coelho.htm

PAULO SILVEIRA DE ÁVILA

CANTO DE AUSÊNCIA

Na tua ausência,
algo me seduz, me emociona,
invade o olhar e mostra,
a palavra inteira: saudade.
Teu rosto lindo se faz mistério,
o amor canto da aurora lateja
em corações distantes como o sol,
que ruma ao entardecer em solidão.
Se nada mais restar então me calo
e sobre o sonho um final de festa
em taças vazias com gosto
de champanhe ocultando
os acenos de adeus.

Paulo Silveira de Ávila

PAULO OLIVEIRA CARUSO

ÍCARO DOS TRÓPICOS

Demos a ti berço salubre quando feto.
Em calmas águas tinhas teu leito.
Asas criaste pra ficares bem perto
das presas que fazes arder por inteiro.

Frágil ser que nos fragiliza,
tens nosso sangue quando crescido.
Com tua sede voraz, meu corpo agoniza.
Ardor instantâneo o do toque sofrido.

Xingamos-te de punhos cerrados
e, de rosto amargo, rangemos os dentes.
Não tens rancor por adversários
nem qualquer malquerença demente.

Como Ícaro antes voou contra o sol,
tendo derretidas suas asas de cera,
ainda fedelho investias tuas forças,
a cumprir o papel ao qual tu nasceras.

Deve ser doce o sangrento paladar,
pois voos arriscas rumo à tua morte.
Matar não pretendes, mas sim degustar
o prato que aos filhos fortes fará.

Mais pareces um travesso menino
a pular cerca rumo à mangueira.
A mais frondosa do pão duro vizinho,
cujos olhares atrai por inteiro.

Pensa o menino, de cima do tronco,
bem diminuta ser dele a ânsia.
Desce, porém, do mesmo assustado,
por saber ser grande do dono a ganância.

Feito o moleque a lambuzar a boca,
que, apaixonado, lambe os dedinhos,
tens um banquete às nossas custas.
Atacas adultos, idosos e meninos.

Tens pernas longas e bico imenso.
Assustam-nos teus negros olhos gigantes.
És um monstro, se alvejado por lentes.
Assim, não pareces o mosquito de antes.

Invisível, tu és um demônio das chuvas.
Jamais hibernas em verões ou invernos.
Com ódio e rancor, dispensamos as luvas;
esmagamos-te inteiro junto a teu inferno.

¨¨¨¨  ¨¨¨¨  ¨¨¨¨

FLOR LUSA

Bico de papagaio é planta assaz bela.
Tem folhas rubras e verdes também!
É bela a planta que n’alma mantém
a pátria lusa, sem velha querela.

Rubra é a cor de intensa paixão,
verde é aquela de uvas tão ricas
Linda é a flor que vem e que fica
suave no peito, no bom coração.

Vive em bom solo a flor tão esbelta
que, sob o orvalho, olhares encanta.
É ela de fato uma tão nobre planta
deveras amada no mundo campestre.

Parece lusa bandeira no vaso
com fortes raízes e amor sem igual.
É clima bucólico e até surreal,
que gera em minha vida alguns dos atrasos

a meus compromissos de homem servil
à sua beleza de flor tão mimada.
Linda é a planta assaz bem cuidada;
traz a meu ser um alento sutil.

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_p/Paulo_Caruso.htm

PAOLA VANNUCCI

O PREÇO DA HONESTIDADE
02/11/2013

Quanto mais certinha sou,
Convenço-me de que o mundo torto não é pra mim,
O 'homem' calca meu calo e me diz:
Você plantou e colheu errado,
Não adiantou ser tão certinha,
Se no meio do saco tem um fruto podre.

A vida honesta tem seu preço,
Pago com meu corpo em transe,
Que sofre
E me calo, diante do caos,
O homem não tem coragem de olhar nos meus olhos
Mande seu representante
Que diz:
Ainda tentar algo que não condiz com a verdade
A verdade está na palavra que Deus me diz:
- Vá e não mintas! Vá e siga seu coração!
Vá e caminhe pela Fé!

Vivo na realidade crua,
E vejo-me diante de um computador a espera de uma resposta!
Rezei dobrei meus joelhos doidos pelo desgaste,
Clamei pela hombridade,
Onde me resta esperar.
O preço da honestidade.

Vejo coisas que não condizem,
Não posso me calar,
Um conselho pedido, uma resposta a revelar,
Alguém a enxergar,
O que me resta então é
Apenas esperar.

Paola Vannucci

¨¨¨¨  ¨¨¨¨  ¨¨¨¨

SOBRE LUXÚRIA E CORVOS.
13/02/2014

Dos mais altos galhos do sicômoro,
Olhos cobiçam a carne inerme,
Bicos córneos crocitam,
Penas negras se excitam,
Uma língua pérfida se ergue,
Dorme a inocência no cômodo.

Pobres corvos, que não tem culpa alguma de serem o que são.
Nefastos homens que denigrem tudo o que é belo...

Você é a inocência que dorme no cômodo
Você como sempre sabe transformar palavras e expressões,
Em linguagem visual.
Se for a do corvo que voa de um lado pra o outro pode todas...
Pense num tema e vamos conjugar...
Sentimentos sincronizados.

Conjugue palavras felizes,
Para que eu possa definir seus caminhos sinuosos;
Conjugue verbos tristes,
Para que eu possa torná-los em euforia.

Vã sabedoria da andorinha que voa,
E termina numa nau brindando nosso amor,
Conjugue obras mortas para que possamos ressuscitá-las;
Torná-las vivas.

Na roda da vida é onde se aprende os verbos mais importantes.
Os verbos conjugados nos serviram de lição.
No princípio, era o Verbo...
Terei um ponto de partida,
Para o horizonte cruzar.
Deus do céu, você é como uma comporta aberta.
Com barragem de palavras e pensamentos.
Estou calma e sentada sentido seus verbos felizes.
Querendo o amar para todo o sempre.
Ah! Santo corvo que um dia pretejou meu céu,
Sem saber que a sábia andorinha trabalhara em prol de
Um grande amor!

Paola Vannucci
Welington dos Reis

ROMÁRIO DE SOUZA BARBOZA - ROMA

LICITAÇÕES FRAUDULENTAS

Estádios superfaturados
Pra fazer uma festa
A custa do povo
E a sangue de operário.

Quando a Odebrecht não
Explora pelo suor
De ilegais horas extras.
Sangue é derramado
Trabalhador oprimido
Por direitos negados.

Enquanto o sangue
Mistura-se ao cimento,
O povo se ver em lama.
As ruas tentam gritar
Mas a repressão inflama.

Jogo de cartas marcadas
Antes do lance o contrato
Já está assinado, na calada.
Tudo feito às pressas,

E para o operário
Baixa remuneração,
Carga horária exaustiva,
Desumana e sem fiscalização.

Romário de Souza Barboza - Roma


ROSSANA MONTEIRO

DANTE...

O inferno convidou-me a visita-lo...E eu fui..
Disse que a minha busca se findaria em mim mesmo...
Abriu as portas e entrei...
Nove círculos de agonias...dores...sofrimentos...escuridão...E Frio...
Estar ali era como olhar para as próprias imperfeições...
Ira..Preguiça....Avareza...Gula... Luxuria...Soberba...Vaidade...
Em cada círculo uma circunferência de vida.
Em cada olhar o reflexo da própria essência...
Somos o Nada...Como tudo iniciou...
Nascemos...Morremos...Causando dor e lágrimas...
Deparo-me com anatomia do Inferno...é Geométrico...
Concêntricos círculos em forma de cone..
Elementos naturais também o habitam...Vento...Fogo...Ar e Água...
Preparo-me para sair e num dos círculos enxergo o Amor...
Questiono o porquê daquela presença...
Em nome dele o pior dos pecados é cometido... Aquele que habita o nono circulo
A Traição... A Morte...A Loucura...
Entendo que o amor tem faces... Na Matemática um Poliedro Platônico...
Na Gramática uma Antítese...
Na Magia é Luz...
Na Poesia é  Vida
Em minha essência é simplesmente Você..Coração!
Parti antes de me partir.

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_r/Rossana_Monteiro.htm

ROZELENE FURTADO DE LIMA

GOTAS DO TEMPO

Páginas folheadas ao vento
Numeradas pelas gotas do tempo
Solidão da solidão sem raiz
Que prepara grão a grão em bissetriz
Regados pelas nuvens do céu
Sementeira de homens de papel
Com suavidade se despe a semente
Rompe em riste o broto inocente
Segue amanhando a terra arada a cada passo
O alimento vai transformando o espaço
Nos pratos reticências de feijão
Farelos de sonhos germinados no coração
A flor do campo majestosa a florescer
O poeta cultiva sua lenda e seu querer
Um dia alguém o ouvirá
E seu poema escreverá
Porque trigo na gaveta apodrece
Pão de ideias não envelhece
Na terra árida começa a chover
Na linha do tempo a chama volta a acender
Acena o lume da noite abençoada
E versos renascem em canteiros na madrugada

 http://www.caestamosnos.org/autores/autores_r/Rozelene_Furtado_de_Lima.htm

RAYMUNDO DE SALLES BRASIL

PRESENÇA INEFÁVEL
 19/02/2014
                     
Eu não quero correr atrás da vida,
Como se a estar lhe mendigando um pouco,
Quero-a – dentro de mim – descontraída,
Feliz, fazendo até coisas de louco.

Mas loucura sem dolo, consentida,
Por Jesus aprovada num sufoco,
Quando entregou por nós a própria vida
Para nos dar mais vida como troco.

Eu quero achar prazer me dando à toa,
Sem nunca querer volta ou recompensa,
Esperando no céu somente esta coroa.

O que dentro de mim eu quero é luz,
É sentir de verdade esta presença,
A presença inefável de Jesus.

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_r/Raymundo_de_Salles_Brasil.htm

REJANE MACHADO

METAMORFOSES

          São bonitas as fábulas da Mitologia, que Ovídio nos revela. Imagine-se Pan apaixonado por uma Ninfa que lhe foge ao assédio. Como são vingativos estes deuses! A pobrezinha corre pela floresta, tenta esconder-se, ocultar-se entre a vegetação. Como se agita o seu pequeno coração, como bate, desgovernado, sentindo medo, terror, abandono cruel, entregue à sua própria sorte! E ele, cego de paixão e de desejo a procura por todos os lados. Dispõe de poderes que ela não pode imaginar e com os quais nem pensaria em competir. Resta-lhe tão somente ficar absolutamente quieta, sem respirar, que ele não a descubra, assustada, entre as folhagens espessas do bosque; mas os deuses têm poder, têm malícias, têm mil olhos a que nada escapa. E a sorte da pobre Ninfa está traçada. Julga-se salva, imagina que ele a esqueceu, não tem o direito de se descuidar da segurança, mas a noite se aproxima, ela precisa voltar ao lar, não pode, não deve ficar ao relento, sujeita aos perigos da floresta. E o carro de Apolo já se precipitou desgovernado, no mar oceano, reino de Poseidon. O mar encheu-se de cores sanguíneas; aos poucos tornar-se-ão violáceas. As trevas, em breve, cobrirão todos os espaços. E ela não pode permanecer ao relento. Sai do esconderijo com vagar, às apalpadelas, cuidadosa em não ser surpreendida. Dirige-se ao rio. Não há outro caminho. Atravessá-lo é a sua meta, é a sua salvação. Do outro lado estará livre da perseguição cruel. Louca! Temerária! Não estava preparada para aquilo. O deus é cruel, vingativo e não suporta uma rejeição.

         Surpreende-a em plena fuga, quando pensava estar quase salva. Ele a quer e diante da sua recusa, ofendido, transforma-a em um bambuzal viçoso, cantante: Não queres ser minha, não serás de ninguém. Quem imaginará que o som do vento seriam os seus gritos se ela ainda tivesse voz?

          Ela sobreviverá. O rio é generoso e não lhe faltará alimento. Seu verdugo, gentil, corta-lhe um galho e o oferta ao cantor sublime que dele fará uma flauta, e sua saga permanecerá. Este é Orfeu, que maravilha a todos os que ouvem o som incomparável daquele instrumento. É tão pura a música que sai daquela flauta! E tão encantadoras melodias brotam daquela haste verde, deslumbrando seres e coisas. A Natureza se dobra ao canto de Orfeu. Amansará as feras, acalmará os ventos, sossegará os ribombos da tempestade, trará calma e paz a todos os ambientes.

       E cederá aquela flauta mágica a certos poetas, que cantarão lindamente o amor. Não a qualquer bardo, mas àqueles que tiverem sensibilidade para fazerem reviver no instrumento os anseios do coração de uma jovem assustada. Cuja beleza a perdeu, porque não se contraria impunemente um deus. Ele a queria e ela se negou, tentou enganá-lo, escondendo-se. Baldadas tentativas. Quando pela primeira vez ele a viu, selou seu pobre destino, porque o altruísmo não é apanágio dos deuses. Do seu código de valores não faz parte a renúncia, a sublimação.

        Outra Ninfa veio banhar-se naquele mesmo rio da Antiguidade. Aretusa era o seu nome. Tão bela, que as águas a envolveram cantando de prazer. O que chamou a atenção do rio, ao acordá-lo e tirá-lo da sua contemplação, levantando-o do seu leito. Ele vê Aretusa, admira suas formas magníficas. E se apaixona perdidamente por aquela bela criatura. Um amor tão desesperado, avassalador, decisivo e forte, como são os amores das montanhas pelas nuvens, das marés pelos rochedos e penhascos. Ele, o rio poderoso, não resiste, encrespa-se e a arrebata, envolvendo-a nas suas inúmeras águas. Decide e realiza imediatamente uma cerimônia ancestral e definitiva: casa-se com ela. Liga suas vidas. Para sempre. Para a eternidade. Transforma a bela em uma fonte sempre a correr. E ela dessedentará a todos os sedentos. Poderão todos beber de suas águas, mas ela somente pertence ao rio.

      Mais tarde um belo jovem caminha pela floresta. Sente-se cansado e procura um remanso para encostar a cabeça. Virá sentar-se à fresca margem deste mesmo rio, já aplacado em seu furor. O som das águas a correr entre as pedras, a frescura das plantas, o perfume e as cores da vegetação o encantam. Curva-se, coloca a mão na água, sente a sua frialdade, brinca um momento com as espirais que o agitam, perturba levemente a placidez anterior. Mas quando as águas se acalmam, o rio oferece-lhe um espelho em que as personas podem se mirar e descobrir-se. E o que ele vê o deslumbra: uma imagem de formosura sem par.        Onde encontraria outro ser tão belo? Que semblante plácido! Que traços perfeitos! Apaixona-se de imediato pela figura que vê. Sem saber que pela sua própria imagem refletida no espelho d´água. E não resiste. Os amores destes seres da Mitologia são urgentes, intempestivos, não podem esperar. Atira-se ao encontro de si mesmo.

    Mas os deuses sabem que um ser tão belo não poderia simplesmente desaparecer. E concedem-lhe uma compensação. Pastores e ninfas que vierem se banhar descobrirão uma estranha e bela flor. Seu aspecto encanta, seu perfume arrebata. Narciso. Para sempre.

    Ali, também, nas suas margens, Níobe chora em desespero. Que lhe aconteceu? Qual a razão de tão grande desgosto? A perda de seus filhos. Não, não se ofende impunemente a nenhum deus. E se se trata de uma deusa- oh Júpiter! - muito pior, o ciúme de Latona não tem contemplação. É irracional. E o coração feminino sempre será um mistério indevassável. Por que Níobe se opunha ao culto religioso que se fazia à outra? No coração da Vestal começa a nascer um sentimento estranho, que precisa ser aplacado, e a antiga inconformação diante da desigualdade vem à tona. Pois que tendo apenas dois filhos, Diana e Apolo, - não pode aceitar a fecundidade da outra. Intolerável a felicidade da mãe de tantos guerreiros – (Homero nos dá conta de pelo menos 12, entre varões e belas jovens). E quando os moços fazem seus exercícios, próximo a Tebas, flechas invisíveis os atingem. As irmãs acorrem, assustadas, e terão o mesmo trágico destino. À Níobe, esposa de Anfion, o rei da grande cidade, só é concedido chorar, arrancar as vestes, cobrir-se de cinzas, tomar-se de um tal sofrimento que a imobiliza. Talvez algum deus, penalizado pelo seu sofrimento, ou por não suportar a manifestação da dor, porque nos reinos do Olimpo só se admite o prazer e os folguedos- a transformará num rochedo. Que arrastado pelos fortes ventos estacionará na distante Lídia, onde continuará pelos tempos, a verter suas sentidas lágrimas. E os seus lamentos não ofenderão os ouvidos delicados daqueles seres excepcionais!

     Completamente trágico. Mas afinal a tragédia é a marca destes antigos contos. E herança indelével que nos deixarão estes caprichosos deuses da Mitologia, a nós, fracos seres humanos, que teremos por destino inexorável conviver com esta marcas eternas.

    E poetas de todos os tempos encontrarão para sempre sua inspiração nessas histórias de amores tempestuosos, arrebatadores e sentimentos exacerbados.

Rejane Machado

 RACHEL STARLING

MÁSCARA

      Cada vez que ponho uma máscara, para esconder minha realidade, fingindo ser quem não sou, faço para atrair o outro e logo descubro que só atraio a outros mascarados distanciando-me dos outros devido a um estorvo: A MÁSCARA QUE USO.

     Faço-o para evitar que outros vejam minhas debilidades, e logo descubro que ao não verem minha debilidade e humanidade os outros não podem me querer pelo que não sou... Senão pela MÁSCARA. Faço-o para preservar minhas amizades e logo descubro que quando perco um amigo por ter sido autêntico, realmente, não era meu amigo... E, sim... Da MÁSCARA. Amigo, é aquela que acredita em nós sem duvidar por um segundo que seja.

     Faço-o para evitar ofender alguém, para evitar ofender as pessoas que são minhas amigas, as pessoas das quais espero soluções dignas e que não me oferecem nada a não ser a MÁSCARA QUE USAM DE AUTÊNTICA FALSIDADE.

     Faço-o para ser diplomática e logo descubro que aquilo que mais ofende as pessoas para as quais quero ser mais autêntica e dizer a verdade eram as MÁSCARAS.

   Faço-o convencida de que é o melhor que posso fazer para convencer e logo descubro o triste paradoxo.

  O que mais desejo obter com minhas máscaras verdadeiras, é precisamente... O que não consigo com elas, porque, praticamente, todos que conheço, usam máscaras de falsidade e hipocrisia, com raras e felizes exceções.

  Mas infelizmente há àqueles que usam a MÁSCARA desde que nasceram e não a tiram para obter proveito com ela e poderem criticar os outros como se fossem santos e nada tivessem feito de errado na vida.

  Estes, jamais vão sentir o vento gemer e ouvir as rosas chorarem, quando alguém lhe mentir!

  Só quem embala no peito dores amargas e secretas é que em noites enluaradas pode entender como pensa um poeta.

 E eu, que arrasto amarguras por tudo que me fizeram e que nunca arrastei ou arrasei ninguém, tenho alma sutil e generosa para sentir as doces mentiras dos que se disseram meus amigos.


¨¨¨¨  ¨¨¨¨  ¨¨¨¨

CORAÇÃO PARTIDO


   Todos nós temos uma chave, só nossa, que abre e fecha as portas da alma, do espírito, do nosso equilíbrio, sentimentos, segredos, relacionamentos e interior.

    Numa bela manhã de outono, estando a caminhar espairecendo a mente e o coração, uma brisa leve, fina e gelada cobriu repentinamente meu corpo.

    Passei a observar que folhas leves douradas, queimadas pelo frio, e inúmeras flores coloridas, já cobriam o chão e teciam um lindo tapete como se fosse para nele, eu pisar e sonhar...

   Imaginei-me sonhando sonhos maravilhosos! Tive ilusões belíssimas! Sonhei com beijos e abraços, entre as pessoas que se amam e fraternidade e harmonia entre as pessoas que não se querem mais, e passei a desejar somente o bem para todas as pessoas que habitam o planeta.

   Porém, de repente outra brisa ainda mais fria corta a minha pele, e entra gélida em meu coração, que pulsando forte e descompassado, reabriu a porta, então fechada no mais profundo de minha alma, trazendo-me de volta à realidade que deveria vivenciar.

Pergunto então à minha alma: Pode um coração se partir?

E ela me responde:

Pode minha amiga!

    Pode sim, principalmente, quando a paixão acaba e o amor fenece como estas folhas e flores que hoje vê, caídas pelo chão.

Não satisfeita torno a perguntar-lhe:

Mas existe por um destes acaso da vida, uma cola para um coração partido?

E ela rapidamente me responde:

Não! O que se parte, o que se quebra, não tem conserto. É definitivo!

     Se tentarmos colar um coração partido, neste local ficará sempre um coração manchado, com trincas que dependendo a quem pertença poderá novamente em pouco tempo partir-se em milhões de partículas, não se reconstruindo jamais, deixando sempre marcas indeléveis de raiva, mágoas, rancores e lembranças inúteis que impedirão que a felicidade retorne em sua plenitude.

    Melhor, será para quem já amou ou ainda ama seguir em frente mesmo com seu coração partido, sofrido, deixando livre, para trás, outro coração, igualmente, ou até em condições que não seriam aquelas desejadas, porque fato, tão inesperado foi apenas mais um dos desencontros da sua longa peregrinação nesta vida terrena, sujeitas a erros e acertos.

  Ao deixá-lo estará exercendo o livre arbítrio, porque quem tinha ou tem um coração tão frágil, que qualquer desventura o faz partir-se, não seria a alma gêmea que Deus destina a cada um de nós. É, e seria, apenas, mais uma das muitas peças, que o destino prega numa hora em que a alma se sente solitária e vaga sem rumo, esquecida de fechar suas portas para novas decepções.

 Passa então, o destino a pregar peças às pessoas que realmente são românticas e querem amar verdadeiramente, alguém, e serem amadas da mesma forma. Enfim..., era mesmo, só o destino brincando com um coração partido.

  Todos nós temos uma chave, só nossa, que abre e fecha as portas da alma, do espírito, do nosso equilíbrio, sentimentos segredos, relacionamentos e interior, e num belo dia estando a caminhar numa manhã de outono, espairecendo a mente e o coração, uma brisa leve, fina e gelada cobriu repentinamente meu corpo.

   Passei a observar que folhas leves douradas, queimadas pelo frio, e inúmeras flores coloridas, já cobriam o chão e teciam um lindo tapete como se fosse para nele eu pisar e sonhar...

  Imaginei-me sonhando sonhos maravilhosos!Tive ilusões belíssimas! Sonhei com beijos e abraços, entre as pessoas que se amam e fraternidade e harmonia entre as pessoas que não se querem mais, e passei a desejar somente o bem para todas as pessoas que habitam o planeta.

  Porém, de repente outra brisa ainda mais fria corta a minha pele, e entra gélida em meu coração, que pulsando forte e descompassado, reabriu a porta, então fechada, do mais profundo de minha alma, trazendo-me de volta à realidade que deveria vivenciar.

Pergunto então à minha alma: Pode um coração se partir?

E ela me responde:

Pode minha amiga!

   Pode sim, principalmente, quando a paixão acaba e o amor fenece como estas folhas e flores que hoje vê, caídas pelo chão.

Não satisfeita torno a perguntar-lhe:

Mas existe por um destes acaso da vida, uma cola para um coração partido?

E ela rapidamente me responde:

Não! O que se parte, o que se quebra, não tem conserto. É definitivo!

   Se tentarmos colar um coração partido, neste local ficará sempre um coração manchado, com trincas que dependendo a quem pertença poderá novamente em pouco tempo partir-se em milhões de partículas, não se reconstruindo jamais, deixando sempre marcas indeléveis de raiva, mágoas, rancores e lembranças inúteis que impedirão que a felicidade retorne em sua plenitude.

  Melhor será para quem já amou ou ainda ama seguir em frente com seu coração partido, mesmo deixando livre, para trás outro coração igualmente, ou até mais sofrido, porque aquele foi apenas mais um dos desencontros da sua longa peregrinação nesta vida terrena, sujeitas a erros e acertos.

  Ao deixá-lo estará exercendo o livre arbítrio, porque quem tinha ou tem um coração tão frágil, que toda desventura o faz partir-se, não era a alma gêmea que Deus destina a cada um de nós. Tal fato era apenas mais uma peça, das muitas, que o destino pregou numa hora em que a alma se sentia solitária e vagava sem rumo, esquecida de fechar suas portas para novas decepções.

  Estava então, o destino a pregar peças a pessoas que realmente são românticas e querem amar verdadeiramente alguém, e serem amadas da mesma forma. Enfim..., era mesmo, só o destino brincando com o coração partido.

  Quem pode saber se na longa jornada da vida, logo à frente, numa esquina, numa rua, em uma loja, farmácia ou supermercado, numa hora inesperada, este coração não achará outro coração partido, que, por já ter tido a mesma sorte, tenha se tornado mais forte, esperançoso, e poderá quem sabe vir a ser seu grande amor?

  A vida é feita de sonhos, ilusões, esperanças.  Não foi feita para ser vivida em compasso de espera, de desilusões, desesperanças, desesperos, destemperos, tentando colar o que já se foi...

  A vida é o coração pulsando forte, batendo feliz ao acordar pela manhã esperando sempre o que de melhor ela tem para oferecer-lhe. Não é para pensar o que se deve a quem se deve como pagar, como se separar de quem se ama, como sofrer menos, caso as coisas que queiramos ou não queiramos aconteçam.

  A vida foi feita para amarmos e sermos amados incondicionalmente, e, não para mendigarmos o amor, que alguém já não tenha mais para nos oferecer ou não possa mais nos fazer felizes, dando o que já não possui porque a paixão foi embora, e queimou como a palha sempre se queima, quando fica perto do fogo, que a consome.

  Ser feliz não é nosso dever, é nosso direito divino, nossa obrigação, é nosso destino abençoado por Deus.

  E, é dentro de um coração partido que vamos encontrar a energia necessária para transformarmos a vida, quando mudarmos aquilo em que acreditamos, pois, é desta forma que mudamos aquilo que somos destinados a fazer e a viver sem culpas, sendo felizes e encontrando forças para vivermos com plenitude, rejuvenescidos, limpos, puros, com alma e coração inteiros, íntegros sendo felizes para sempre.

Zíngara – 25 de abril de 2013

ROSANE SILVEIRA

INVENTÁRIO DE MIM MESMA

Quase não reconheci
quando senti em mim
um gosto amargo
de um "adeus inevitável"
o que é isso?
Adeus inevitável?
Existe adeus evitável?
Existe aquela palavra escondida
dentro da manga como uma última
cartada que poderia ser dada
e trazer de volta toda beleza
de outrora, sem adeus...
Hoje ainda atônita faço
um inventário de mim mesma
do que sobrou...
do que resistiu ao cansaço
a dor, a tristeza
que sentimento mortal e quase
abstrato se não prestarmos
atenção é essa tal tristeza
quase imperceptível se você joga
sobre ela uma roupa bonita
uma cara maquiada e sai
mas ela ronda, não adianta
e fica ali nos espreitando
como se a única coisa importante
fosse ela zombando da solidão
que vive em meu coração
e dói...ah como dói
inventariar um sentimento que morreu
acabou...foi
sem deixar nada...
nada.


¨¨¨¨  ¨¨¨¨  ¨¨¨¨

POEMA QUE FAÇO

Palavras voam em mim
sentimentos tumultuados
dentro do meu coração
Dores, confusões,
medos, amores
Que se formam pra tornar-se
Palavras que vagarosamente
seriam proferidas por mim
porém não consigo
Tento converter em letras, vírgulas
Acentos o que sinto
Tento transformar minhas dores,
Minhas alegrias e
Meus sentimentos confusos
em um poema que faço
Pra te fazer um presente
dando-te o meu abraço
O meu enlaço
E tudo o que sou.

Rosane Silveira

RUI DE OLIVEIRA LIMA

UMA MÃO CHEIA DE NADA

A esperança esvai-se em cada respiração
A necessidade transcende o real
A vontade não transparece Mas existe...
Escondida em reconduzidos recantos

Pequenos deleites
Delitos menores, efémeros...
Constantes e incongruentes como a situação presente
A latência das necessidades adiadas
Etéreas, e nem começadas...

Tic tac diz o relógio....
Mas o sorriso abre-se a cada passada
O tempo esvai-se
E o nada continua a acontecer...

A perder-se entre o que se quer encontrar e o ser,
Entre efemeridades e ternuras...
Entre morais e lamurias...
Comensais e desventuras,
Imberbes e obtusidades obscuras...

Temperança.

O continuar do acreditar,
Do sonho,
Do pensar sem de-sonho,
Do acordar desditonho
Do tudo, do nada...

Da vida vidrada e do restolho.

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_r/Rui_Filipe_de_Oliveira_Pereira_Lima.htm

RITA ROCHA
Santo Antônio de Pádua (RJ) - Brasil

QUANDO...
17/12/2013

Quando saio do meu mundo solitário
entro num jardim todo florido
sempre há um cravo desbotado
chorando um amor não correspondido.

Quando vou me aquecer lá no solário
vejo um mundo todo colorido
mesmo neste meio complicado
vejo que o sol não me olha distraído.

Quando olho o céu de estrelas bordado
sinto meu olhar correspondido
como se fosse bilhete premiado
que por um anjo foi favorecido.

Quando sonho, mesmo acordada
meu coração sente-se enternecido
ao ver que neste mundo alienado...
meu poema, de amor é cingido...

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_r/Rita_Rocha.htm

SIMONE CRISTINA

FOLHA EM BRANCO

Pego uma folha em branco
Procuro rimas, alguma inspiração
E só vejo nesta folha, meu pranto
Que cai aos poucos sem direção

É como uma triste melodia
O cair das lágrimas na folha em branco
A trazer nostalgia
De um passado que amei tanto...

As rimas me vêm, mas as esqueço
Ficam encobertas por um manto
Desisto das rimas, ilusões. Adormeço
Debruçada na mesma folha em branco

¨¨¨¨¨ ¨¨¨¨  ¨¨¨¨
FIM DO DIA...

Quando olho no espelho
Sinto-me inerte, sinto-me labirinto
Através de meus olhos vermelhos
Já nem sei que sinto...

Vácuo na escuridão da noite
Feridas n’alma que o açoite,
Da desilusão fez em mim
Sou fim...

De fantasias, ilusões
Perspectiva de vida
Que por mim fora esquecida
Sob pensamentos, turbilhões...

De paixões insensatas
Que ainda me cega, me mata
E lentamente se esvai..
Machucando mais ainda
Quando o dia se finda
E a noite cai...

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_s/Simone_Cristina_da_Silva.htm

SUELI BITTENCOURT

PERPETUANDO A PAZ

Vamos perpetuar a paz.
Guerra nunca, nunca mais!...
Violência é própria de irracionais.

Usemos poderes dados aos humanos.
O poder de lógica ao raciocinar,
O poder de falar, de pensar, de ponderar...

Sem ganância, sem fanatismo, sem ódios...
De consciência e espírito elevados,
Agindo com bom senso e solidariedade...

Em benefício de tudo e de todos,
Para o bem de toda a humanidade,
Digamos então em alto brado:

GUERRA NUNCA, NUNCA MAIS,
QUEREMOS PERPETUAR A PAZ!!!

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FLUTUANDO

Flutuando em imensurável espaço...
Num minúsculo planeta, em meio a tantos astros...
Entre belezas, perigos e mistérios... Indagamos:
O que somos? De onde viemos? Pra onde vamos?!

Uma Força Superior então procuramos...
Onde? Quem? O que? Será que encontramos?!
Sim, a energia espiritual que em nós existe.
  É parte da Força Superior que nos assiste!

É nosso Deus que está aqui, ali e além...
Oremos a Ele para afastar-nos do mal.
E procuremos evoluir, elevando o astral!

Sigamos com fé e amor praticando o bem!
Nesse estágio terrestre, tão fugaz...
É importante fazer o melhor de que se é capaz!...
                                                                                 
Sigamos os ensinamentos de Jesus!
Nosso maior espírito de luz!

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_s/Sueli_Bittencourt.htm

SONIA SALETE
SoniaS
Sao Pauo Brasil

"FORMAS PENSAMENTOS"
06/11/2010

O Universo trabalha para nós!
Intenções,
Pensamentos,
Palavras,
Ações,
Provocam uma série de vibrações
em nossos corpos sutis.
Propagando-se no Universo,
nas camadas próximas da Terra...

Produzindo  vibrações radiantes,
por vezes flutuantes...
Somadas à outras iguais,
vão ganhando forças...
Formações capazes de nos ajudar
ou danificar...
Em outros pensamentos iguais,
podem também atuar..

Cuide dos pensamentos que traz na mente!
Eles tanto podem ser  sementes de amor,
como um processo destruidor!

São as "formas pensamentos"  atuando
em nosso mundo interior...!

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ESPERANÇAS...
24/01/2014

Nada que fosse dito soaria bem...
Tanta distância.
Ausências não explicadas...
Minhas janelas não recebiam mais teu sol.
Tudo bem,
apesar de tudo, acima de nós
o sol deverá ainda estar...

Que ele não brilhe hoje,
talvez nem amanhã,
mas indefinidamente escondido
sei que ele  não irá ficar...

Quando ressurgir, abrirei novamente
as janelas do coração.
Raios de luz,
esperanças renovadas
 entrarão.

Só restará aguardar novamente
ele aqui brilhar ,
aí então,
adeus solidão!

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_s/SoniaS.htm

SILVINO POTÊNCIO
Natal - Brasil

      Os Gambuzinos (056) ... Uma Crônica de Silvino Potêncio  (O home de Caravelas lá de "xima)

      Da minha  Amiga Leitora  Margarida Botelho eu recebi uma carta onde ela fez uma análise do ensino em Portugal Ibérico actual, e sem mais delongas eu passo a mensagem adiante pois que como diz o Ti Zé Pô Vinho... p’ra trás mija a Burra:
(início de citação)
Fases do ensino em Portugal;
- 1ª fase (antes de 1974): O aluno ao matricular-se ficava  automaticamente chumbado. - Teria de provar o contrário ao professor.
- 2ª fase (até 1992): O aluno ao matricular-se arriscava-se a passar.
- 3ª fase (actual e sem mudanças à vista ou a perder de vista): O aluno ao matricular-se já transitou automaticamente de ano!, salvo casos muito excepcionais e devidamente documentados pelo professor, que terá de incluir no processo, obrigatoriamente!...  um "curriculum vitae" extremamente detalhado do aluno e “nalguns” casos da própria família.-    4ª fase ( em vigor a partir de 2007): O professor está proibido de chumbar o aluno; nesta fase quem é avaliado é o  próprio professor, pelo aluno e respectiva família, correndo o risco quase certo de chumbar...
(fim de citação)
      Aos meus Amigos (alguns Alunos Leitores)... eu vos transcrevo aqui,  agora,  a minha “carta aberta” ! (entenda-se: depois de aprendermos a usar a internet nunca mais comprei envelopes, e de caminho...  poupamos também muita saliva porque não é necessário lamber os selos antes de meter a carta nos Marcos do Correio)... iiii aatãon lá bai:
     Emigrantado em Natal, idos do mês de Setembro do ano de 2006...  
(é favor ler tudo de seguida, sem pausa, sem ponto nem vírgula porque depois que eu li as obras do Prémio Nó (cego) do Ti Zé Será Mago aprendi a escrever acordado... antigamente eu escrevia em Português dormente com origem em Trás os Montes)

 - Mui Dignissima Participante no "Chat" o desta matéria que é a análise da infraestructura psico-motora de sentimentos enraizados da percepção pedagógica "xuxial-democrática" contemporânea, segundo a visão dos mentores da revolução pós abrilina, para o desenvolvimento sustentado pelo erário público, em declinio por falta de verba e de sustentação da "privada" na iniciativa de se dizer só a verdade, nada mais que a verdade, e sempre muito aquém da verdadeira causa do problema da educação com pompa e circunstância em desabono da própria realidade consensual colectivamente aceita pela maioria dos analfabetos em politica educacional do sistema vi gente... e também vi alguns animais, quais “bestas quadradas” a gerenciar a                Educação Luz & Tana, mas... isso fica para outra aula lá na frente!...
--- ' nas XeÑoras!, ... e mous Xiores!... ghrrrrrum... ghhrrrum...
   Apraz-me manifestar de moto-próprio, e de livre e expontânea vontade o meu acordo, formado nos acórdãos da justa palavra lavrada por charrua de relha, com grau 5, em formação de bacharelato curricular temporário, que o dito cujo diploma aqui ex arado – (não tinha charrua naquele tempo)  - está em conformidade com o pensamento mais popular actualmente em vigor por força dos impostores...
   Abre parentisis:  - entenda-se que; quem cobra imposto é cobrador, quem impõe os impostos são os impostores do governo e as suas respectivas repartições algures pré-fixadas em território nacional, etc e tal e coisa...
  Quero também acrescentar-vos aqui que, realmente, nos tempos da outra senhora que sempre acompanhou o home de Santa Comba Dão,... tudo de graça!, o Aluno nada mais era do que um burro carregado de livros por todos os lados.
(fecha os parentisis).
- Outrossim, é publicamente sabido e divulgado que o Aluno para ir à escola, não pode ser esperto, mas tem que ser inteligente!... isto porque,  nem todos se podem apelidar de "chicos" ou "chicas" espertos,  a não ser em língua espanhola ou sejam uns  "iberista ferrenhos" como foi informado pelo dignatario da Pasta no Poleiro Al Facinha, e... além do mais,  os alunos inteligentes, eles não são vistos com bons olhos,... e como tal, eles são descriminados sem culpa, mas ficam sendo apenas vistos e apelidados como "chico-esperto-informatizados pelos bullings kaí tão, karagooo"!
Já no caso de avaliação feita recentemente pelo MEC CC – (leia-se: Mal Educados Com Categoria Circunstancial), os alunos precisam primeiro ser Emigrantes,...  ir estudar linguas no exterior,  para depois poderem voltar a Portugal e trazer os bolsos cheios de "milho" para ajudar as autarquias a pagar as custas das ajudas de custo internas, e das ajudas de custo de viagens educacionais internacionais dos tais Titulares das Pastas do Poleiro Al Facinha que, neste caso mais parecem ser uns verdadeiros Al Facínoras da Lingua de todos nós e... após então abrir as escolas que são públicas mas que tem a economia na "privada" eles transformam o ensino numa M.E.R.D.A. (leia-se: Mal Educados Realmente Diplomados Ad – Hoc)  
- Posto isto meus caros leitores e leitoras, é-me a mim vedado o direito de continuar a fazer este discurso,  pois cheguei à conclusão de que não passo de um analista semi-analfabeto, e por isso sem voz, nem meios para chegar onde eu pretendia...
-  Nada mais justo do que aceitar e admitir a voz do povo quando ele diz:
 "vozes de burro não chegam aos céus"!, ...  e eu lhe dou toda a razão a ele, ao Ti Zé Pô,... vinho do bom só se for o do Dão, que por sinal é dos mais caros do ICEP (entenda-se: Istudei Cá En Portugal).
     E mais ainda vos digo que e o vinho é "caro" porque é muito estimado e dado...
    Eu por exemplo, como auto-didacta eu sempre fui muito dado às coisas da minha origem, e por isso eu me fico aqui pela "santa terrinha" à espera que nasça outro “home de Santa Comba Dão”  que seja menos xuxialista, menos educado, menos analista, menos pessimista, menos futurista, menos oportunista, menos populista, menos especialista e ... sobretudo seja um”home”  menos "Chavista" que o "Chá vês" só fica a ver Braga por um canudo!,...
  Portanto e para terminar,  eu deixo  aqui  a minha sugestão aos novos alunos em busca de profissões modernas, mais funcionais do ponto de vista político por inteiro, ou sejam – todos os alunos devem ser educados sem partido!
- Como em Portugal a educação é um assunto de gente grande,... então vejamos outra citação que o meu        Amigo Victor, vulgo Conde da Ericeira porque anda sempre com o cabelo todo eriçado, ele  acaba de me mandar isto, onde eu apenas traduzi para português sub-tropical:
Eis aqui algumas pequenas sugestões para colocar nos C.V.a partir desta nomenclatura, e assim dar um "plus" no "cu rrículo vitae" de cada aluno, quando se referir aos seus empregos politicos anteriores:

- Especialista de Fluxos de distribuição (paquete)... - vulgarmente conhecido como "office boy"!
- Supervisora Geral de Bem-Estar, Higiene e Saúde (mulher da limpeza)...  - também chamada de "diarista"!... quando é home, é pau p'ra toda a colher!  
- Coordenador de Fluxos de Entrada e Saída (porteiro)... Quando o sistema é electrónico exige curso de supervisor de informática!... 
- Coordenador de Movimentação e Vigilância Noturna (segurança)... é o tipico Vigia da esquina, que nunca está lá, quando a casa é assaltada. 
- Distribuidor de Recursos Humanos (motorista de autocarro)... onde só há Onibus, é substituído por              Condutor formado em passagens de lombada electrónica. 
- Especialista em Logística de Combustíveis (empregado da bomba de gasolina)... o popular "bombeiro" que fica na frente do caça-niqueis e por isso também é conhecido por "frentista". 
- Assessor de Engenharia Civil (trolha)...  No 1° estágio age como servente de pedreiro, no 2° estágio atua como ajudante de servente de Pedreiro, já no  3° estágio ocupa o lugar de Pedreiro Profissional Assentador de Tijolos...  e assim por diante até chegar a Mestre de Obras sem Canudos... 
- Consultor Especialista em Logística de Alimentos  (empregado de mesa)... nomes mais comuns neste relacionamento profissional deve ser sempre muito cerimonioso como por exemplo:    - Ó Garçon,...  ó            Gente fina,...  ó Méstre de cerimonial de boteco,...  ó Meu Chapa, e o sempre popular nomeado aos gritos...  ó se Faz Favor!...
- Técnico de Limpeza e Saneamento de Vias Publicas (varredor)... - Gari, Edil, Maratonista de Camião de Lixo entre outras funções, são algumas tarefas deste servidor público na privada activa.
- Técnica Conselheira de Assuntos Gerais (cartomante)... muitas vezes se confunde
  Com a popular Bruxa, Fofoqueira, Corta-Casaca...  e outros nomes não publicáveis, são também conhecidos no mercado de futuros quadros ocupacionais mais estes: 

- Técnica Especialista em Terapia Masculina (cabra).
    - Massagista Autônoma Free-Lance a granel (anda solta na rua) 

- Técnica Especialista em Terapia Masculina Senior (cabra de luxo).
    - Massagista Autônoma Free-Lance com curso de MBA - Muito Boa Adstringente. 

- Especialista em Logística de Produtos Químicos e Farmacêuticos (passador de droga).

- Cheirador de Cola de Sapateiro nas horas de bico...(traficante em trânsito pela favela e dos bairros da lata). 

- Técnico de Marketing Direcionado (vigarista).
    - Um verdadeiro "script writter" do conto do vigário. 

- Coordenador de Fluxo de Artigos (receptor de artigos roubados).
    - Também conhecido por Vendedor de Produtos em Segunda-mão!...


- Técnico Superior de Distribuição de Artigos Pessoais (carteirista).
   - Especialidade em Puxamento de Sopetão!... 

- Técnico de Redistribuição de Rendimentos (ladrão).
   - No 1° estágio atua como simples Pilha-Galinhas,  no  2° estágio só usa Colarinho Branco...

- Gestor de Planeamento de Espaço (arrumador):
   - Pastor de Carros... É o "Flanelinha"!... este é o emprego mais fácil de conseguir!, basta levar uma flanela pendurada no ombro e se aproximar dos veiculos no estacionamento.

      É especialista em abordagem "pode deixar que eu tô de olho"!... e logo que o usuário sai do carro já deve pagar pelo serviço adiantado...
    Ele pode trabalhar na rua,  no campo, e até no governo à saída das repartições. É um verdadeiro funcionário autonomo!... ou o cliente paga ou na proxima vez, ele perde o carro, a roda, um risco na pintura,... enfim... um prestador de serviços que todo o mundo precisa.
      Agora vejamos os profissionais mais requisitados pelo mercado:   
-  Técnico Superior Especialista de Assuntos Específicos Não Especializados  (político)
-  Técnico Superior Especialista de Assuntos Específicos Não Especializados  (político)
-  Técnico Superior Especialista de Assuntos Específicos Não Especializados  (político)
-  Mentor préviamente eleito e autorizado para exercer todas as funções acima descriminadas...

P.S. (ISTO NÃO TEM NADA A VER COM POLITICA JÁ DISSE...)

·Nota do autor: Com os políticos esta técnica nunca falha. -  Então não me acusem de eu não contribuir para a educação da língua nossa de todos os dias...

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_s/Silvino_Potencio.htm

SILVANIO ALVES

O AMOR É MÁGICO!!

O dia e a noite revelam a luz do amor
Reflexos coloridos circundam a terra
Vislumbro a aurora e pressinto o calor
Belo mistério que o horizonte encerra

Luz e calor que viabilizam vida plena
E embeleza o horizonte com encanto
Magia da aurora que o infinito encena
O crepúsculo chega e enxuga o pranto

A alma se deixa transportar pelo amor
A magia da luz provoca intenso espanto
E o coração pulsa firme com todo vapor

Percebe a sensibilidade percorrer o corpo
O amor se faz plenitude e magnífico porto
A existência se embriaga do melhor sabor

Inspirado no texto: Amor (T4663628)
De: Sirlene Rosa

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O SILÊNCIO TEM FORÇA!

A força do silêncio desconcerta
Grita alto no interior da gente
Ele revela que a saudade aperta
Permite a alma ficar descontente

Nas ondas silenciosas, vislumbra
Lembranças que não se apagam
A imaginação recria na penumbra
Choro e tristeza que não se aplacam

Reflexo da solidão incomoda o ser
Vivia feliz e não soube aproveitar
Saudade de quem não soube amar

O silencio solitário não oferece paz
O coração fica melancólico e incapaz
Traz recordações da alegria de viver

Inspirado no texto: FORÇA DO SILÊNCIO (T4657049)
De: Rosilene Lima

por Silvanio Alves em 08/02/2014
Código do texto: T4683147

por Silvanio Alves em 11/02/2014
Código do texto: T4687138

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_s/Silvanio_Alves_da_Silva.htm

SAAVEDRA VALENTIM

ABSTINÊNCIA

Hoje, estou sóbrio? Tento me afastar do meu vício,
Embora inda sofra demais, enormemente,
Sinto a falta de me embriagar novamente,
Há sempre o risco da recaída, de um reinício!

Entregar-me àquela tortura sem fim,
Um labirinto sem saída, sombrio!
Tremores me percorrem, insônia, frio,
Mente confusa, fico sempre mal assim!

Para me livrar deste efeito devastador,
Ainda busco ajuda aos amigos do AAA,
Me sinto protegido, ameniza minha dor!
Engano a todos, onde sempre me dão nota “A”!

Ah! Se soubessem que em nada me recuperei, insensatez!
Hão de pensar: que fraco, um verme, merece rastejar!
Sinto tão claro o cheiro, o sabor, o efeito, a embriaguez,
Loucuras noite adentro, me faz tanta falta esse festejar!

Quão ruim os efeitos dos sintomas da abstinência!
Puras torturas, suores abundantes, tremor nas mãos,
Frio na alma, dor lancinante no peito, minha ausência!
Bendito aqueles não subjugados, completamente sãos!

Ainda conservo sempre comigo um pequeno frasco,
Com o precioso líquido, fruto dos meus desacertos, meus pecados,
Com que sempre me embriago, só umas gotas, meu carrasco,
Que me induzem a alucinações loucas, pensamentos alienados!

Gotas almiscaradas, que não te deixam ir, para sempre partir!
Escondo tudo deles, da Associação dos Amantes Abandonados.
Sua foto rasguei, seu nome amaldiçoei, jurei jamais repetir.
Não domino os meus sonhos, meus sentimentos abalados.

Mas como destruir as suas lembranças gravadas na alma?
Fiz de tudo, até recorri à bebida, a um novo amor, nada me acalma,
Só o perfume daquele frasco, o odor da almíscar de seu corpo dourado
Como te rasgar da lembrança? Que me ensine algum afortunado!

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CHAMEM A POLÍCIA, NOS ROUBARAM DE NÓS!

     A vida voa nas asas do tempo e é mais rápida do que conseguimos vivê-la, pois estamos sempre perseguindo as coisas que não realizamos.
Dedicamos a maior parte de nossa vida subjugada ao trabalho, a adquirir bens, a realizar os sonhos alheios, que nos descuidamos dos nossos próprios sonhos. Cuidamos dos outros e nos esquecemos de nós mesmos.
     Um dia, quando desaceleramos as nossas atividades, então  nos damos conta de que existimos. Buscamos à nossa volta as pessoas cujas imagens ficaram registradas em nossa mente e percebemos que nos encontramos rodeados de estranhos. Numa madrugada qualquer, acordamos, olhamos para o lado e buscamos a nossa mulher para abraçá-la, dormirmos agarradinhos, como fazíamos no passado lá na lua de mel e levamos um tremendo susto ao descobrirmos a possibilidade de termos deitado em cama erra. Acordamos e verificamos incrédulos que, por engano, estamos dormindo com a avó de alguém. Mas estranhamente ela abre os olhos, vira para nós e nos diz com desprezo para deixá-la dormir em paz. Ai a dúvida invade a nossa mente e não sabemos mais quem somos. Onde anda aquela mulher linda de vestido branco, véu e grinalda com quem trocamos alianças e juras eternas? Ela já não está lá! Não é a mesma, essa que vemos é uma senhora envelhecida, dolorida, curvada, mas sem as curvas que tanto atiçavam o nosso desejo, onde deslizavam as nossas mãos. Não tem mais aquela pele aveludada, aquele corpo onde nos perdíamos, as mãos macias que nos acariciavam. Tudo isso desapareceu como um passe de mágica!
     Onde andam as nossas crianças que disputavam o nosso colo, que choravam para dormir em nossa cama, que abriam seus bracinhos em busca de conforto, de carinho? Cresceram, ganharam o mundo, fizeram suas escolhas. Não os conhecemos mais! Já não nos confidenciam as suas experiências, não nos cobram mais a nossa presença em suas vidas, até nos rechaçam, buscam se distanciarem. Sentimo-nos desamparados. Realizaram os seus sonhos, houve conquistas, não chegaram a lugar nenhum? Não importa se estiverem felizes, com saúde.
     Num ato de desespero, buscamos no espelho uma explicação para tudo isso e nos deparamos com outro ser refletido ali, como se fosse a foto de nossos pais, de nossos avós. Ficamos assustamos quando percebemos os sulcos profundos no rosto daquele senhor e nos perguntamos se um dia ficaremos assim: pregas no entorno dos olhos, as orelhas crescidas, papas no pescoço, depressão nos cantos da boca, cabelos em neve, essas marcas do tempo!
     Para onde nós fomos, onde está aquele jovem cheio de vida, ansioso por desafios, a jorrar disposição, cheio de sonhos?  Não há respostas.  Do outro lado há uma imagem muda, acusadora, fazendo mímica como se estivesse nos dublando e nos dissesse "eu sou você, duvida?" Onde estivemos todo esse tempo?  Distraímos só um pouquinho e não sabemos mais de nós. Ficamos perdidos em alguma esquina do tempo, bem lá trás, talvez quando da última vez em que nos miramos verdadeiramente no espelho.  Então, com certeza, não estava lá esse senhor que quer assumir a nossa identidade. Um perfeito estranho, um usurpador de imagem. Nunca o vimos e já quer parecer tão íntimo.
     Roubaram-nos! Nós nos queremos de volta! Um crime perfeito, sem corpo, nem vestígios! Chamem quem quer que possa solucionar este caso intrincado, cheio de meandros, paranoico, sem solução à primeira vista. Que seja a polícia, o FBI, ou a CIA, não importa, mas solucionem este crime infame!
     Devemos anunciar aos quatro ventos o nosso desaparecimento. Somos altos, medianos, baixos, magros, meio magros, gordos até; cabelos castanhos, negros, loiros, encaracolados, ou calvos. Lindos, nem tanto assim, talvez um pouco bonito, bonitinho, longe de ser um galã, mas somos joviais, temos disposição para o trabalho, com sonhos de constituir uma família, não aquele velho caquético que se apropriou de nossa imagem.
     Se alguém nos vir por ai, com uma linda mulher  vestida de branco, véu e grinalda, ou mesmo com algumas crianças no colo, podem nos contatar pelo telefone 0000-0000, que será bem recompensado.  
     O tempo é cruel, voraz, devora a nossa juventude, maltrata o nosso corpo, retira as nossas forças, anula nossos sonhos. É o castigo por insistirmos em continuar vivendo, pois acredito que Deus precisa de espaço neste mundo para novas criações e nos pune para implorarmos que nos leve.
     Enfim, vocês devem estar se perguntando, qual o sentido disso tudo que esse idiota escreveu? Qual a moral disto tudo?
     Aqui vai um conselho: Viva o agora, agora! O amanhã não existe ainda, o ontem já se foi, o daqui a pouco poderá ser apenas um sonho. Não devemos nos contentar com sonhos, temos de realizá-los, vivê-los, pois só assim nos sentiremos vivos e vividos.

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_s/Saavedra_Valentim.htm

SONIA NOGUEIRA

O PLANETA TERRA

          É nosso planeta, onde nascemos, crescemos vivemos, amamos e morremos. Ou fingimos que amamos. Quando amamos damos o que temos de melhor, cuidamos, zelamos, adoramos. Tudo é em prol do amor, é prioridade.
             Quando vejo na terra o vegetal, matéria prima, ao nosso sustento, aflorar qual jardim imensurável; a casa, cobertor que aquece as famílias, rios e mares, fortuna indispensável à vida; mineral enriquecedor dos afortunados; a fauna grandiosa de seres vivos ao equilíbrio ecológico; prostro-me diante de tanta oferta doada ao homem e choro, o choro do silêncio dos aflitos diante de tanta crueldade que a mão insana projeta:
         Lixo, água poluída, desmatamento, animais retirado do seu habitat, gazes na atmosfera, queimadas, peixes envenenados, a resposta vem com a mesma recompensa da dádiva. A natureza é sábia e como mãe que oferece todas as condições de proteção aos ilustres filhos, vem à recompensa em forma de destruição tragando cidades, avançado os mares, gazes mortais, doenças incuráveis, quedas de temperatura etc.
          São milenares as distorções em massa, mas o homem contribui de forma assustadora, pela ganância e desrespeito a nossa mãe terra.
     Acordemos enquanto há tempo, ou então as gerações futuras, receberão a pior das heranças a destruição por asfixia do ar, a sede por falta de água pura, as doenças incuráveis, a incapacidade de corrigir o quadro, pintado na tela com a tinta a óleo que mão e mentes projetaram.

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ALÔ, 2014

O sol amanheceu olhando o dia
Colhendo em cada olhar a emoção
Mirei, pensei que a felicidade irradia
Plantando sonhos, regando o coração,

De amor, perdidos em vãos minutos
Correndo atropelando dias, horas,
Tempo perdido, atônito, e segundos
Cortando a esperança o mal aflora.

A rua está deserta tudo é silêncio,
O pensamento pousa nas lembranças,
E vi que o tempo corre nos milênios,
Quiçá num ano cheque em fianças.

Roguei aos Céus por proteção diária,
O mundo está em crise, à mão dispara,
Os homens não entendem a culinária
A fórmula da paz, a mão que ampara.

Pudesse eu domar a rebelde criação
Faria em cada lar um sólido abraço,
No mundo um só discurso de união,
Amor, fraternidade o mesmo laço.

Um ano onde o bem vencesse o mal,
As portas fossem abertas ao irmão,
Caíssem os muros e a bênção Divinal
Fizesse do amor pacote em afeição.

http://www.caestamosnos.org/Autores/Sonia_Nogueira/


THAIS BARROUIN DE MELLO

SEM  SABER

Quando lancei-me na vida
Fui...
Sem saber da dor
Sem saber do início,
Seguindo sempre uma luz.
Pensando de toda gente o fim
Pensando que tudo
Poderia ter um porquê;
Mas não sabia...

Pois lançar a brasa
Em palha morna,
Não seria aumentar o seu calor,
Não seria fazer murchar o matagal.
Seria sim
Dar ao que já havia Inútil continuidade para o Nada!

Mas não sabia...

   Thaís Barrouin de Mello

THAIZ GUEDES (THAIZ SMILE)

EDUCAÇÃO/BOM SENSO

      É impressão ou quanto mais o tempo passa os seres humanos se tornam tão complicados?

    Cumprimentos como “bom dia!”, “boa tarde!”, “boa noite!”, “como vai?”, “tudo bem?”, “precisa de algo?”, “obrigado!”, ficam cada vez mais no passado... Hoje são usados “colé veio?”, “valeu!”, “vai se danar!” e outras palavras e termos que não devem ser citados. Ou até mesmo o cruel desprezo.

    O fato é que as pessoas perderam o bom senso, deixaram de olhar o próximo como seu semelhante e passaram a observar estritamente o seu umbigo. Situações essas que observamos a todo o momento, podendo ser, tanto nas periferias, como nas mais altas classes sociais.

    O ser humano tem uma errônea impressão, que falta de educação só vale para os menos favorecidos.          Puro engano!... Pois não me refiro a educação escolar, e sim, a educação compartilhada com o bom senso de cada indivíduo; aquela educação/bom senso, que a pessoa percebe que “o seu limite acaba quando o do outro começa”.

   Portanto, fazendo uma varredura dos dias atuais, percebe-se a falta de limites... O vizinho que quer escutar som nas alturas, do famoso Pablo que está no auge da mídia e das dores de cotovelos, mas não se interessa se na casa ao lado, tem alguém doente; se tem filho pequeno ou, até, se o seu vizinho está interessado em ouvir o mesmo tipo de música. Fumantes que precisaram de uma lei de proibição em lugares fechados, e tem aqueles que desrespeitam, não lembra que o fumante passivo sofre tanto ou mais do que os próprios. As construções e reformas fora de hora, em residências, em que você mora em baixo se submetendo as regras do seu vizinho que pensam que podem tudo; até andar de salto alto a altas horas da noite. Não podemos nos esquecer daquele indivíduo que adora jogar lixo no chão, das janelas de ônibus ou de carro, podendo causar um acidente, e ainda têm os lixos que se acumulam nas ruas, causando enchente e desabamentos; e os acidentes de carros causados por bebedeiras, que matam inocentes todos os dias...         Será que necessariamente todos precisam de babás que avisem o quanto podem causar prejuízos a alguém? 
   Será que precisamos sempre de uma lei ou de uma regra para nos podar?

   Seria maravilhoso que todos passassem a pensar na educação/bom senso. Muitos desgastes poderiam ser evitados, principalmente o índice de violência que vem crescendo absurdamente, por que simplesmente todos resolveram olhar apenas para seu umbigo!

Pensemos nisso!

Thaiz Guedes (Thaiz Smile)

THAIS ARRIGHI

ÁGUA

Água nascente...Corrente
Purificando...Lavando...
Alimentando...Matando a sede
Que faz florescer
Mesmo no anoitecer!
Fonte serena
Movendo rios...Os mares
Que cruzam o mundo...
Que se encontram
Que se misturam unindo povos...
Marcando o chão
Na seca quando faltante
E florindo as matas
Quando abundante!
Água
Que nasce na fonte
Molhando teu olhar...
Meu coração!
Revoltas
Trazem a destruição
Mas mansas
Alegram...Acalmam
Aliviam...Lavam a alma
De um poeta
Sonhador...
Ao derramar uma lágrima
Sentida de amor!

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DESTINO

Você e eu...
Dois sonhos...
Dois rios sem rumo a seguir
Você o meu poente
Eu...Começo de esperança
Que feito criança
Delira de prazer
Só de pensar em você!
Você e eu...
Dois destinos inquietos
À procura do que aconteceu
Você com seus braços abertos
Eu...A felicidade e o amor
Você e eu...
Dois corpos caminhando
Sem alma...À procura
Dessa alma que se perdeu!
Você parte de uma nuvem calma
Eu...Dor da saudade que me deu!
Você e eu...
Dois sonhos que a vida uniu
Sem adivinhar que sempre
Já era seu ...
Este coração que a própria vida
Feriu...

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_t/Thais_Arrighi.htm

TÂNIA DINIZ

CULPAS

Amava-o assim mesmo, sem grandes emoções, pois que o tempo as acalmara, havia muito. Não importava a gagueira, ouvia-o com infinita paciência e até sofria pela aflição dele em querer dizer palavras inteiras, sem sucesso.Afinal, ele ficara assim por ela, pelo grande susto que levara ao quase
perdê-la um dia, para o rei de vizinho país. (Ao lembrar-se do distante episódio, ainda um pequeno travo amargou-lhe a boca, pela saudade do que poderia ter sido.) E assim, acomodou-se na cadeira de balanço, tomou da linha e da agulha e,pacientemente, começou a alinhavar-lhe as palavras.
                                                         
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 PLANO DE VOO

Altímetro
olhar
aproximação final
- atração fatal –
bússola
direção
ventos:
anseios
Trem de pouso:
seios
Taxiando (em nuvens)
latitude
altitude
permissão
voo – rota – corpo
Torre de(s) controle
tráfego aéreo
útero – etéreo
(radial leste)
planou em sua pele - piloto automático.

Tânia Diniz
www.mulheresemergentes.com

TITO OLÍVIO

A GRIPE “A”

Agora não te beijo. Tenho medo
Dessa gripe mortal que anda pra aí,
Mas, pra me compensar do que perdi,
Hei-de dar-te mais beijos, tarde ou cedo.

Nem posso dar-te a mão. É um enredo
Duma triste novela que, sem ti,
É monótona, como nunca vi.
Tudo isto me parece ter bruxedo.

É triste desejar-te e ter-te longe,
Ser forçado a levar vida de monge,
Sem ter água que mate estes desejos.

Dizem que vai passar, que já tem cura,
Por isso, conto os dias de amargura
Até matar a fome dos teus beijos.

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A CRUZ DO PAPA FRANCISCO

      O Papa Francisco veio a este mundo, certamente, predestinado para modernizar a Igreja de Roma, cujo ultraconservadorismo estava ameaçando de provocar a marcha para a sua extinção próxima. Pode dizer-se que o sucessivo e progressivo abandono dos crentes nos paises mais modernizados se deve a uma prática que estava completamente atrasada vários séculos. Mesmo sabendo que a tarefa papal não vai ser fácil e que os principais vértices da hierarquia eclesiástica vão encontrar grandes resistências por parte de um clero, que não quererá abdicar facilmente dos seus hábitos e da sua mentalidade, eu acredito que este século XXI ficará na História como o marco da mudança radical do Vaticano. Pouco poderá alterar o Papa nestes escassos anos que terá à sua frente, mas é preciso lembrar que Cristo pregou apenas três anos e a sua obra foi-se desenvolvendo pela ação de continuidade dos apóstolos e tem resistido até hoje. Dado o pontapé de saída, a bola não parará mais.
     A cruz papal é a prova de uma vontade de mudança, que muito me está a agradar, apesar de eu ter deixado de ser praticante há mais de 50 anos.
      O Crucifixo, que atravessou quase dois milénios, como símbolo do sacrifício de Cristo pela humanidade, que metia medo à minha infância e que a minha adolescência não compreendia como símbolo de uma religião que falava de amor e perdão, foi tida pelo adulto como desnecessária nesta época de um extraordinário desenvolvimento do conhecimento, da ciência e da técnica, quando o analfabetismo e a ignorância estão a desaparecer no Ocidente do hemisfério norte.
     O homem, nascido num país do Terceiro Mundo sul-americano, que fez até aos 30 anos a vida de todos nós e sentiu a inexplicável chamada para a vida eclesiástica, resolveu tomar ordens de franciscano e ser pobre para o resto da vida. Chegou a bispo de Buenos Aires e passou a usar uma cruz de prata, pela primeira vez na história da Igreja. Nunca se ouviu falar do seu símbolo de poder e de culto. Agora, porém, que foi eleito Papa por um conclave, que não podia adivinhar a quem estava a escolher, que, desde o primeiro minuto do seu papado se rebelou contra as regras estabelecidas pela estagnação secular e já começou a varrer a casa, ficámos a conhecer essa peça de prata, que me deixou fascinado.
    Ela, a cruz papal, que sempre foi a sua cruz de bispo, é o grande sinal da mudança. É um símbolo de simplicidade, de amor e de verdade.
    Em vez de um Cristo morto, para que o chorássemos e nos arrepelássemos durante toda a vida, pela nossa parte na culpa daquele martírio, como aconteceu durante dois milénios, Francisco, o franciscano que deseja ter uma Igreja pobre, virada verdadeiramente para os pobres, apresenta-nos um Cristo VIVO, realmente ressuscitado, pronto para prosseguir uma obra virada para a Paz e para o Amor. Pastor, que foi e é, Cristo tem um cordeiro sobre os ombros e os braços, não pregados sobre a cruz, mas cruzados sobre eles mesmos. Para não provocar uma alteração radical na imagem sacramental do crucificado, que metia medo, mantém os antigos braços da cruz na sua forma tradicional, mas cheios agora pelas ovelhas do Seu rebanho, que somos todos nós.

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_t/Tito_Olivio.htm

TÉKA CASTRO
São Paulo Brasil

PENSAMENTOS

Dizes tu à tu mesmo
A leveza da flor
A dor do sofreres
Os prazeres de tua alma.
A calma invadida.
Momentos de vida
Fases
Que se transformam em frases
O tempo,
Uma lógica ilógica do saber.
Sentir
E, agora poder construir.

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REFLEXÕES

Aos poetas do mundo
Deparo com o horizonte em chamas
A vida que se ama assassinada
Florestas devastadas, rios ensanguentados.
Pré-conceitos hipócritas e infantis.
O mundo perdendo a fé.
E, mesmo com um Papa Pop,
O mundo reclama.
Dores e dissabores sendo enfrentados,
Misérias em Continente Africano,
O ser humano ainda sendo escravo.
E, animais morrendo aos poucos por ganância.
Experiências feitas em laboratórios,
Acessórios vivos e mórbidos.
Até quando o ser humano poderá ficar anticristão???

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_t/TEKA_CASTRO.htm

WILSON DE JESUS COSTA

CAMINHANDO

Quero caminhar pelas ruas com você abraçado
Nem me importa se não exista a lua dos namorados
Cantar a cantiga triste que nem dos pássaros cantantes;
Caso chova, que importa? Chutaremos poças d’água
Gargalharemos esfuziantemente no silêncio da noite
Nos beijaremos feito doidos como da primeira vez
Eu te abraçarei, te chamarei de querida em frenesi
Caminharemos todas as noites, todos os dias
Mundo adentro, mundo afora, até o fim da estrada
Ao acordarmos o sol nos brilhará outra vez
Sairemos do quarto, olharemos nossos retratos
E iremos caminhar por aí: sem objetivo, sem destino...

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_w/Wilson_de_Jesus_Costa.htm






7 comentários:

  1. Olá amigos! Parabéns. Belo trabalho cultural. Sinto-me honrado em participar.

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  2. Belíssimo trabalho dos participantes, parabéns por fazerem parte de um grupo especial, grupo especial porque só os privilegiados são capazes de usar a arte para transmitir cultura.

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  3. Parabéns, queridos amigos, que brilhantemente formataram estes poemas!
    Um abraço especial à querida poeta Maria Beatriz (Flor de Esperança) pelo trabalho apresentado em nossa região e no Portal CEN...
    Um abraço a todos!
    Tenham um lindo Dia da Mulher!
    Beijão da Rita Rocha

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  4. Mais um excelente trabalho. Muita honra em participar do Portal CEN. Abraços

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  5. Boa noite!
    Muitíssimo obrigado, é uma grande honra estar entre tantos poetas maravilhosos!
    Que Deus os abençoe sempre! Beijos

    Janete Sales Dany

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  6. O nosso agradecimento poetas! Deixa-nos felizes saber que vocês apreciam o nosso trabalho. É com muito orgulho que divulgamos o precioso trabalho de vocês. Felicidades e sucessos.
    Maria Beatriz

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  7. Olá Maria Beatriz!
    Parabéns! Que sejas iluminada em tuas realizações!
    Grata por divulgar nossos poemas!
    Um beijo
    Rita Rocha
    Rita

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